Para onde nos leva a calvície?

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A psique é a mais funesta das armas. E o sonho é a bala que irrompe, que se crava e não mais a abandona, porque alimenta uma esperança constantemente despedaçada, disposta em cacos por toda a parte. E o Homem é subjugado a si e disposto no circo mental, à semelhança de uma fera humanizada e pronta para o espetáculo. Posteriormente, a morte cerebral agudiza-se conforme o desespero que se sente por algo que nunca se concretiza, ladeada por barreiras que possuem tanta imponência como invisibilidade.

Sem querer ferir suscetibilidades, considero que a calvície faz uma espécie de interferência (não quero ser injusto ao designar de perturbação) na atividade de raciocinar ou produzir uma estirpe, por mais ínfima que se exiba, de luz. Localizar as incongruências do processo não é conteúdo do meu interesse e, por isso, afirmo-me como leigo na análise. Contudo, as imperfeições racionais existem à vista desarmada. Atenção, não sou um expert em psicanálise ou psicologia cognitiva, mas nem Sigmund Freud, na opinião de um trivial como eu, absorvia a aptidão para findar o problema descrito.

Como adepto sportinguista, reitero a insurreição perante uma latência de pensamento perpétua até à data, embora consciente de que o termo assume contornos paradoxais. O termo supracitado designa uma interrupção momentânea da arte de pensar; porém, Marcel Keizer e Leonel Pontes foram vítimas dessa eternização: a aposta massiva em Idrissa Doumbia desde o prólogo da época. Inicialmente, pensei que se tratasse de um mero capricho do holandês, de uma teimosia que só durou pela ausência de um médio pertencente à mesma posição.

Silas foi o treinador que potenciou as qualidades de Eduardo no Belenenses SAD. Nova vida para o médio?
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

O despedimento e a consequente emergência de Leonel Pontes ao posto de treinador principal, e devido aos resultados positivos da formação sub-23, depositou no clã leonino uma réstia de esperança, característica do cenário de mudança. Domingo, quinta jornada, estádio do Bessa, e o costa-marfinense hirto na titularidade.

Este é o momento em que desponta o fogo do cano da espingarda. A cada três calvos, um não é atacado pela dita cuja. E a fé de todos os leões é que Silas não esteja infetado. Urge Eduardo! O ex-Belenenses conhece-o de tempos pouco longínquos e sabe com o que pode contar. E deve contar com ele! Superior relativamente a Idrissa Doumbia, ainda acrescenta qualidade de passe e remate a meia distância. Além disto, durante o período de paragem vigente, pode e deve ser congeminada essa possibilidade, na qual todas as experiências possíveis e imaginárias são vantajosas e disseminadoras de algo que se descobrirá futuramente.

Espera-se que isto ultrapasse a muralha da utopia. Eduardo, com a dosagem certa de autoconfiança, está apto para ser a viga (ou o conjunto delas) que alicerça o meio campo, que lhe confere segurança e que o apresenta inabalável. Melhor, é a contratação datada de promessa que se afirmará sem problema algum, se a tática e as orientações do mister conhecerem modificações. O jogo diante do Desportivo das Aves é um exemplo ilustrativo do que aqui se proferiu, embora não estivesse ao nível do que já demonstrou na época transata.

Espero, sinceramente, que esta teoria, parva por sinal, seja mesmo só isso: parva. Caso contrário, os génios da sagacidade que se cuidem…

Foto de Capa: Sporting CP

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Romão Rodrigues
Romão Rodrigueshttp://www.bolanarede.pt
Em primeira mão, a informação que considera útil: cruza pensamentos, cabeceia análises sobre futebol e tenta marcar opiniões sobre o universo que o rege. Depois, o que considera acessório: Romão Rodrigues, estudante universitário e apaixonado pelas Letras.                                                                                                                                                 O Romão escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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