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Pela Verdade Desportiva no Futebol

Diogo Janeiro Oliveira · 4 min

Pela Verdade Desportiva no Futebol
Foto: UEFA Champions League

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O futebol é o desporto rei. Há quase vinte anos que ouço esta frase e a subscrevo, pois o futebol é o desporto mais apaixonante de todos. Contudo, atualmente, existe algo que falta ao futebol, e já falta há algum tempo: verdade.

A verdade desportiva é um termo muito caro, que devia ser utilizado com muito cuidado, ao contrário daquilo que é feito por alguns intervenientes do futebol português, que falam nela, mas cruzam os braços quando chega a hora de fazer algo pela mesma. A verdade é algo que não existe em todo o seu esplendor no futebol. Não existe devido aos erros de arbitragem e também por causa da desonestidade da esmagadora maioria dos intervenientes, sejam eles jogadores, treinadores, dirigentes, árbitros ou responsáveis pela organização do futebol que beneficiam com as irregularidades existentes. Os jogos deviam ser mais vezes decididos por momentos como o que vemos no topo deste artigo, em que o génio de um jogador se sobrepõe ao esforço dos adversários. Contudo, o que se passa muitas das vezes, é que é a incompetência dos árbitros a sobrepor-se àquilo que é feito pelos atletas. Assim sendo, parágrafo a parágrafo, vou expor algumas das ideias que acho positivas para o futuro do futebol e que deviam ser consideradas por quem de direito. Obviamente estas propostas não resolveriam tudo, mas seriam sempre parte da solução e não do problema.

Tempo de jogo

Uma partida de futebol tem noventa minutos. Contudo, isto é só no papel porque existem jogos que nem chegam a ter dois terços desse tempo como úteis. Seja devido a simulações de jogadores, demora excessiva nas reposições de bola em jogo ou protagonismo excessivo do árbitro na partida. O jogo nunca tem todo o seu tempo útil, até porque isso é impossível com as regras hoje existentes. Contudo, podia ter muito mais tempo útil com a aplicação de algumas medidas que visam o aproveitamento do tempo e a punição de quem utiliza o antijogo como uma das principais armas num jogo de futebol. O tempo cronometrado, como existe, por exemplo, no futsal, seria a novidade ideal para combater o antijogo. Ter os noventa minutos cronometrados talvez fosse complicado em termos logísticos e físicos, por isso, tenho duas propostas neste âmbito: a cronometragem apenas da segunda parte ou a cronometragem de todo o encontro, com a possibilidade de o tempo ser diminuído de noventa para, quiçá, oitenta minutos. Tudo isto impediria, ou pelo menos refrearia, as intenções dos jogadores que simulam lesões e que retardam a reposição de bola em jogo, onde os guarda redes são um caso gritante. Sem a possibilidade de queimar tempo útil de jogo, os jogadores utilizariam menos essa “artimanha” em seu proveito. Atualmente, até chegamos ao cúmulo de haver perdas de tempo logo desde a primeira meia hora dos encontros. Isto tem de acabar, para bem do futebol.

Jogadores “caídos” no relvado

Esta é uma das manobras feitas para perder tempo. Além da cronometragem do tempo de jogo, outra medida boa para dissuadir os jogadores de perderem tempo seria obrigá-los a esperar um determinado espaço de tempo (por exemplo, dois minutos) de cada vez que são assistidos no relvado. Bem sei que existem paragens em que os jogadores não são assistidos pelas equipas médicas no relvado. Mas, pelo menos naquelas em que existe assistência médica, os jogadores teriam de sair do relvado, e não fariam de propósito para estarem fora do jogo durante alguns minutos. Seria uma maneira simples de evitar simulações. Para isso, também era importante que as equipas médicas entrassem mais rápido em campo, evitando que se queime tempo de forma desnecessária.

Este é um dos exemplos mais conhecidos da triste moda das simulações no futebol Fonte: YouTube
Este é um dos exemplos mais conhecidos da triste moda das simulações no futebol
Fonte: YouTube

Reposições de bola em jogo

Um pontapé de baliza ou um pontapé livre. Ambas as situações de bola parada, quando são batidas por um guarda redes, são ótimas armas para perder tempo. Logo desde as primeiras partes, eles começam a queimar tempo, sabendo que o castigo máximo será um cartão amarelo, pois um árbitro nunca expulsou um guarda redes por retardar duas reposições de bola em jogo. Aqui a proposta para evitar as perdas de tempo seria a amostragem do cartão amarelo logo na primeira perda de tempo e amostragem de um eventual segundo cartão amarelo na terceira ou quarta situação em que o mesmo jogador atrasasse o reinício da partida, seja ele jogador de campo ou guarda redes. O mais importante, contudo, é a forma como o tempo deve ser contabilizado. Tal como existe no futsal, devia haver uma contagem de tempo, a ser feita pelo árbitro ou pelo quarto árbitro, em que os jogadores teriam quatro segundos para repor a bola em jogo, a partir do momento em que esta estivesse em sua posse. A partir do momento em que tivesse a bola nos pés ou houvesse o apito do árbitro, o jogador teria apenas quatro segundos para repor a bola em jogo, sob pena de ver um cartão amarelo.

Vídeo Árbitro

Esta seria, obviamente, a medida mais importante. O vídeo árbitro não evitaria tudo, mas conseguiria evitar muitos dos erros de arbitragem que acontecem ataulemnte no futebol mundial. Juntamente com a já utilizada tecnologia da linha de golo, o vídeo árbitro seria uma peça fundamental para a verdade desportiva no futebol. Não faz sentido que o desporto rei continue avesso às novas tecnologias e permita a combinação de resultados e a corrupção que ainda permanecem, com alguma força, no futebol mundial.

Foto de capa: UEFA Champions League

Diogo Janeiro Oliveira

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