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Entrada em campo do Sporting com algumas alterações, começando pela troca directa do homem da dianteira, entrando André para o onze inicial. A normal gestão depois de um jogo exigente em Madrid legitimou uma reorganização na equipa, com repercussões tácticas nos processos elementares na última linha de pressão.
Os primeiros minutos da primeira parte permitiriam antever um jogo estendido, onde a robustez das duas equipas no Meio-Campo proporcionou uma constante disputa de bola na zona central. O Rio Ave, na normal verticalidade do seu jogo, causou perigo em alguns lances prematuros aproveitando, num deles, o acanhamento de Bruno César para acompanhar o velocista que lhe estava destinado. Apesar da tentativa de tomar conta do jogo por parte do Sporting , culminando em alguns bons lances ofensivos com Gelson no protagonismo, a instabilidade defensiva revelar-se-ia letal ainda no 1º tempo.
Em antevisão, Jorge Jesus garantia que este jogo seria, em alguns aspectos, piores do que o jogo de Madrid. Em paralelo, uma atitude passivados Leões perante a confiança altiva do Rio Ave permitiu a concretização de três golos – estando a falta de agressividade presente nos lances de todos eles. No primeiro, a facilidade com que Roderick passou por vários jogadores e, igualmente, a má interpretação de Schelloto no acompanhamento do lance, possibilitou o passe atrasado para a liberdade de espaço de Tarantini. Mais uma vez, apesar da tentativa de assumir o jogo por parte da equipa leonina manifestou-se ineficaz quando a qualidade defensiva não existe. Embora custe admitir, Bruno César pareceu não ter estado em Vila do Conde, não tendo, para além da aceleração, a inteligência táctica que lhe conhecemos. O segundo golo do Rio Ave, sintomático deste cenário, foi um exemplo claro da falta de rigor da defesa do Sporting. Não havendo apontamentos a fazer à desenvoltura ofensiva, indo surgindo as oportunidades habituais, torna-se difícil estabelecer equilíbrio na mentalidade de uma equipa com o aparecimento de um terceiro golo. Mais uma vez chama-se ao Banco dos Réus Schelloto, que, desenquadrado da linha defensiva, para além de colocar em regularidade o adversário, falha na marcação que poderia condicionar a finalização adversária.
Erros primários, neste nível, costumam-se pagar caros. Embora tenha sido uma primeira parte atípica no jogo do Sporting, há, é claro, qualidade na equipa de Capucho, que teve atrevimento e inteligência para resolver a questão em 45 minutos.
Com a entrada de Bryan Ruiz na segunda parte, o estilo de construção na tradicional transição entre linhas reforçou a posse do Sporting. Porém, não chegando um golo madrugador, a força anímica da equipa de Jorge Jesus não se elevou. Alguma instabilidade em lances cruciais foi permitindo a aproximação pontual do Rio Ave à baliza de Rui Patrício. É, contudo, importante referir que apesar do fluxo ofensivo dos Vila Condenses ter diminuído, houve claras mudanças nos principais culpados da incapacidade leonina. Bruno César, primeiro, esteve mais atento à ocupação do espaço; depois, ao mesmo nível, Schelloto melhorou a interpretação dos lances, não comprometendo em movimentos básicos da teoria defensiva – tal como se manifestou num lance aos 59 minutos fechando o espaço ao adversário – talvez se assim tivesse feito na primeira parte a história fosse outra.

Fonte: Rio Ave FC
Num claro aumento de iniciativa da equipa do Sporting na primeira parte, o golo de honra aconteceu já tarde de mais para galvanizar o espírito da reviravolta. Havendo mais pressão sobre a bola, o nervosismo não permitiu, porém, reforçar a qualidade colectiva. Devo, em justiça, atribuir um voto de distinção aos centrais do Sporting que, num jogo péssimo nas laterais defensivas, foram cirúrgicos em vários lances. O mesmo voto se estende à pérola do costume: Gelson foi o inconformado de serviço, cabendo-lhe, até, um momento de altruísmo no lance do golo de Bas Dost. Nas anotações finais, que se volte a frisar o seguinte: Bruno César é, de facto, um jogador de grande qualidade táctica, mas quando a sua ala se encontra débil devido à falta de intrusão defensiva de Campbell, há erros que não se podem cometer – e Gil Dias apercebeu-se claramente disso. Schelloto, que na minha opinião fez o pior jogo desde que joga no Sporting, cometeu erros que não são compreensíveis numa equipa que compete neste ritmo. Jorge Jesus, por fim, que sempre considerei um Mestre na idealização táctica, falhou ao não ponderar as dificuldades com que os defesas-laterais se iriam debater – e, diga-se, falamos de uma posição que ele nos habituou a trabalhar de forma exímia.
Um jogo atípico em que o Sporting poderia ter sido mais feliz – se assim o quisesse. Não obstante a qualidade do futebol do Rio Ave, que muito elogio, neste de balança o demérito leonina tem muito mais volume.
A FIGURA

Gil Dias – Para um jogador com estas características defrontar um defesa incapaz de o acompanhar é um brinde irrecusável. Para além de marcar, foi o principal motor ofensiva da equipa do Rio Ave. A ovação no momento da sua substituição comprova a exibição de luxo.
O FORA-DE-JOGO

Defesas- Laterais do Sporting – Foram, sem dúvida, os piores elementos em campo. Sem agressividade, pouco eficazes e registando falhas estranhas, Bruno César e Schelloto foram a cara de uma péssima exibição do Sporting no sector defensivo, estando envolvidos nos lances que concederam os tentos ao adversário.










