Publicidade

“Sir” William Carvalho – Último Ano em Alvalade

José Dias · 5 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

sporting cp cabeçalho 2

Devido à violenta comercialização do futebol, não é necessário ser um entendedor nato do desporto-rei para constatar que a abertura do mercado de transferências será sempre uma dor de cabeça para os clubes que pretendem manter as suas “jóias da coroa” por mais uma época desportiva, nos seus plantéis.

Aliás, é financeiramente viável uma direção considerar rejeitar as ofertas milionárias recebidas pelos seus atletas, muitas vezes acima dos reais valores do mercado? Ou, até mesmo, como é que um jogador rejeita um contrato de uma vida, com a triplicação dos seus honorários contratuais em campeonatos superiormente competitivos e notórios, de maior visibilidade?

Com estes desequilíbrios financeiros cada vez mais amplos provocados pelas injeções de capital estrangeiro-petrolífero, torna-se muito complicado o equilíbrio nas competições internas e até mesmo nas competições internacionais, na rivalidade por um vitorioso, acabando sempre por ganharem os mesmos endinheirados. Podemos muito bem concluir que vivemos numa época financeira absurda no futebol: os valores que se praticavam no início do milénio pelos clubes com maior poderio financeiro eram na aquisição de jogadores de classe mundial, principais favoritos ou detentores da Bola de Ouro, que arrastavam multidões pelas suas seleções para os ver jogar. Falo, claro, de lendas vivas da bola como Zidane, Figo, Ronaldo “o Fenómeno” ou Buffon. Hoje, esses valores servem apenas para encaixar titulares nas grandes equipas, pois os melhores não têm preço. A sobrevivência dos restantes clubes passa por deixar de olhar para o mercado e para os ativos financeiramente robustos, e pôr os olhos nas suas camadas jovens, lapidando os seus diamantes durante anos até chegarem à equipa sénior, para, quem sabe, realizar um negócio altamente rentável para sustentar o desenvolvimento do Clube.

Assim, é notória a particularidade que está mais que enraizada no Sporting Clube de Portugal: a filosofia direcionada ao desenvolvimento das camadas jovens com o objetivo de alimentar e colmatar as lacunas no plantel sénior com jogadores de qualidade, muitos deles, ou quase todos, internacionais nas seleções mais jovens. Exemplo ao qual William da Silva Carvalho não escapa. Confesso que não conhecia o William Carvalho até caducar o seu empréstimo de dois anos ao Cercle Brugge, clube belga que milita na Jupiler League, tendo posteriormente integrado o plantel em definitivo na época 2013/14 ao comando do treinador Leonardo Jardim, que fez dele senhor e patrão do meio-campo com 33 jogos logo na sua época de estreia, apontando quatro golos. William Carvalho tornou-se, desde essa altura, o meu jogador favorito do Sporting Clube de Portugal.

William Carvalho cedo conquistou as bancadas de Alvalade Fonte: Sporting CP
William Carvalho cedo conquistou as bancadas de Alvalade
Fonte: Sporting Clube de Portugal

William é um verdadeiro “seis” puro, responsável pela construção do jogo recuado e pela lateralização do jogo, arriscando por vezes o passe de rutura pelo meio para os companheiros mais adiantados no terreno, onde o seu posicionamento mais recuado permite sempre a circulação da bola com rigor e intencionalidade, tendo uma excelente visão de jogo. É um verdadeiro pilar face à sua envergadura física, e, aliado ao seu maior atributo, a força, é praticamente impossível o William perder a bola em desarme no 1 vs 1, situação que só acontece quando estão dois ou três jogadores na marcação apertada ao “Sir”, o que faz dele um porto seguro para passar e reter a bola.  Ainda assim, considero que existe uma característica que faz dele um jogador único: a sua calma.

O vencedor do prémio de melhor jogador do Europeu sub-21 em 2015, alia à sua construção de jogo uma calma única, para os nervos dos sportinguistas desabituados do seu ritmo, o que só pode ser resultado da sua autoconfiança elevada na qualidade do seu output para os noventa minutos em campo. Ele sabe que a bola vai para onde ele quer, para quem ele quer, da forma que ele quer, e que pode demorar milésimos de segundos para o fazer ou dez a vinte segundos. Ele sabe que o resultado vai ser igual. Na equação de jogo de William, a única variável que existe é o tempo em que demora a elaborar as suas funções. O resto é tudo constante. Contudo, acaba por ser inconsistente durante alguns jogos, tendo muito a tendência de realizar primeiras partes muito aquém das expectativas e as segundas partes com muita qualidade e critério. Também é verdade que muitas vezes o seu ritmo baixo vai contra as marés do jogo, demorando algum tempo a adaptar-se a essa mudança e a imprimir outra velocidade à circulação da bola pelos seus parceiros de jogo, tem um arranque lento na recuperação no terreno, para não falar da sua vertente ofensiva e finalizadora, que se a mesma for multiplicada por qualquer valor numérico, será sempre igual a zero.

William Carvalho é um mestre na arte de construir jogo e no controlo da bola, tendo sido eleito em 2016 como o 98º melhor do mundo, pecando pela falta de caráter atacante, o que não lhe permite ser considerado um jogador completo, motivo que está a atrasar a sua saída do Sporting Clube de Portugal para um Tubarão Europeu que bata a sua clausula de rescisão fixada nos 45 milhões de euros.

William Carvalho está na agenda de muitos clubes por toda a Europa Fonte: Facebook oficial de William Carvalho
William Carvalho está na agenda de muitos clubes por toda a Europa
Fonte: Facebook oficial de William Carvalho

Contudo, William Carvalho tem 25 anos, é senhor e patrão do lugar “seis” do Sporting Clube de Portugal desde 2013, está no primeiro ano com a braçadeira de capitão face à saída de Adrien Silva para Inglaterra, é titular na seleção que venceu o Europeu em 2016 e a presente campanha leonina nas competições internas, tendo-se redimido na final da Taça da Liga ao marcar o penalti decisivo frente ao Vitória de Setúbal após ter falhado um na meia-final contra o Futebol Clube do Porto, conquistando assim a primeira Taça da Liga no palmarés do Clube, e externas, com as exibições de encher o olho frente ao Barcelona de Messi e contra a vice-campeã europeia Juventus, fazem aguçar o apetite pelo médio, sendo que o seu nome é colocado constantemente nas listas de compras que os treinadores entregam às direções para aumentar os seus plantéis. Além disso, estamos em ano de Mundial na Rússia, o palco máximo no futebol para os jogadores se valorizarem substancialmente e entupir os clubes com propostas financeiramente deliciosas pelos seus atletas internacionais e, claro está, contratos profissionais que são impossíveis de igualar para os manter por mais um ano.

Face ao exposto, é muito provável que este seja o último ano de William Carvalho de leão ao peito, onde o seu destino será o futebol inglês, onde as suas características terão maior impacto e potencial tático e tendo ficado na retina dos muitos adeptos ingleses, desde a sua exibição soberba contra Inglaterra no Europeu sub-21, numa vitória lusa por 1-0, têm conhecimento da qualidade de jogo do jogador português.

Espero estar errado mas, se assim for, obrigado por tudo William!

Artigo revisto por: Jorge Neves



 

 

José Dias

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Jorge Jesus chegou e Portugal voltou a jogar como uma grande seleção

Quatro jogos, quatro vitórias e um lugar nos quartos de final da Liga das Nações já assegurado. Dificilmente Jorge Jesus poderia ter imaginado um arranque melhor enquanto selecionador nacional.  Mais importante do que os resultados, porém, é aquilo que começa a acontecer dentro de campo. Ainda estamos perante uma pequena amostra, e existem problemas por corrigir (sobretudo defensivamente), mas Portugal parece finalmente uma equipa disposta a explanar todo o potencial que tem.Há mais velocidade, mais movimentos sem bola, mais jogadores a aparecerem entre linhas e menos posse estéril. Depois de uma seleção demasiadas vezes previsível sob o comando de Roberto Martínez, os primeiros sinais da nova era são refrescantes.

Tiago Campos · 4 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.