“Sir” William Carvalho – Último Ano em Alvalade

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Devido à violenta comercialização do futebol, não é necessário ser um entendedor nato do desporto-rei para constatar que a abertura do mercado de transferências será sempre uma dor de cabeça para os clubes que pretendem manter as suas “jóias da coroa” por mais uma época desportiva, nos seus plantéis.

Aliás, é financeiramente viável uma direção considerar rejeitar as ofertas milionárias recebidas pelos seus atletas, muitas vezes acima dos reais valores do mercado? Ou, até mesmo, como é que um jogador rejeita um contrato de uma vida, com a triplicação dos seus honorários contratuais em campeonatos superiormente competitivos e notórios, de maior visibilidade?

Com estes desequilíbrios financeiros cada vez mais amplos provocados pelas injeções de capital estrangeiro-petrolífero, torna-se muito complicado o equilíbrio nas competições internas e até mesmo nas competições internacionais, na rivalidade por um vitorioso, acabando sempre por ganharem os mesmos endinheirados. Podemos muito bem concluir que vivemos numa época financeira absurda no futebol: os valores que se praticavam no início do milénio pelos clubes com maior poderio financeiro eram na aquisição de jogadores de classe mundial, principais favoritos ou detentores da Bola de Ouro, que arrastavam multidões pelas suas seleções para os ver jogar. Falo, claro, de lendas vivas da bola como Zidane, Figo, Ronaldo “o Fenómeno” ou Buffon. Hoje, esses valores servem apenas para encaixar titulares nas grandes equipas, pois os melhores não têm preço. A sobrevivência dos restantes clubes passa por deixar de olhar para o mercado e para os ativos financeiramente robustos, e pôr os olhos nas suas camadas jovens, lapidando os seus diamantes durante anos até chegarem à equipa sénior, para, quem sabe, realizar um negócio altamente rentável para sustentar o desenvolvimento do Clube.

Assim, é notória a particularidade que está mais que enraizada no Sporting Clube de Portugal: a filosofia direcionada ao desenvolvimento das camadas jovens com o objetivo de alimentar e colmatar as lacunas no plantel sénior com jogadores de qualidade, muitos deles, ou quase todos, internacionais nas seleções mais jovens. Exemplo ao qual William da Silva Carvalho não escapa. Confesso que não conhecia o William Carvalho até caducar o seu empréstimo de dois anos ao Cercle Brugge, clube belga que milita na Jupiler League, tendo posteriormente integrado o plantel em definitivo na época 2013/14 ao comando do treinador Leonardo Jardim, que fez dele senhor e patrão do meio-campo com 33 jogos logo na sua época de estreia, apontando quatro golos. William Carvalho tornou-se, desde essa altura, o meu jogador favorito do Sporting Clube de Portugal.

William Carvalho cedo conquistou as bancadas de Alvalade Fonte: Sporting CP
William Carvalho cedo conquistou as bancadas de Alvalade
Fonte: Sporting Clube de Portugal

William é um verdadeiro “seis” puro, responsável pela construção do jogo recuado e pela lateralização do jogo, arriscando por vezes o passe de rutura pelo meio para os companheiros mais adiantados no terreno, onde o seu posicionamento mais recuado permite sempre a circulação da bola com rigor e intencionalidade, tendo uma excelente visão de jogo. É um verdadeiro pilar face à sua envergadura física, e, aliado ao seu maior atributo, a força, é praticamente impossível o William perder a bola em desarme no 1 vs 1, situação que só acontece quando estão dois ou três jogadores na marcação apertada ao “Sir”, o que faz dele um porto seguro para passar e reter a bola.  Ainda assim, considero que existe uma característica que faz dele um jogador único: a sua calma.

José Dias
José Diashttp://www.bolanarede.pt
Com um carinho herdado pelo pai pelo Sporting Clube de Portugal, o amor ao clube assumiu um crescimento exponencial até aos dias de hoje, onde se revela um verdadeiro apaixonado leonino. Mestre em Economia, a outra paixão prematura, o gosto pelo futebol aumenta com todas as movimentações financeiras no mercado de transferências.                                                                                                                                                 O José escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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