Sp. Braga 0-1 Sporting: Justiça do Japão

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Com a derrota do Vitória de Guimarães frente ao Benfica, a luta pelo 3.º lugar ficou reservada para o encontro que opunha o Braga ao Sporting. A equipa de Sérgio Conceição ainda não tinha perdido no seu estádio mas a de Marco Silva vinha de cinco vitórias consecutivas. Esperava-se um bom jogo e assim foi: intensidade, estratégias e modelos distintos e qualidade a espaços.

O jogo começou como acabou por ser toda a primeira parte, com muito equilíbrio entre duas equipas que pretendiam ambas ganhar mas com formas de jogar distintas. O Sporting a tentar dominar o jogo com bola e o Braga a esperar pelo momento da recuperação e a apostar em transições rápidas. Pardo foi o elemento mais perigoso do conjunto da casa embora a melhor oportunidade da primeira metade tenha pertencido a Nani, negada por uma excelente intervenção de Matheus. Houve um remate de Éder ao lado e um cruzamento que ficou sem resposta de Carrillo, mas ao intervalo o nulo aceitava-se e era justo.

A grande diferença na partida surgiu depois, no reinício do encontro. João Mário alternou com Montero nos movimentos de procura da profundidade e de apoio frontal ao portador e, a partir daí, o Sporting começou a ganhar superioridade perto da bola e, depois, a aproveitar a maior largura que conferia ao jogo, quase sempre explorando Carrillo na direita. O peruano, que realizou mais uma belíssima exibição – está feito jogador! -, forçou constantemente as jogadas individuais, alternando entre a procura pelos espaços interiores e exteriores, e o Sporting só não marcou por várias vezes por mero acaso. A seguir à ocasião de Pardo, negada por Patrício, seguiram-se um sem número de oportunidades desperdiçadas pelos verde e brancos: Adrien, ao lado; João Mário, primeira de cabeça e depois a proporcionar enorme defesa de Matheus; Montero, de cabeça; João Mário de baliza praticamente aberta, na recarga de um remate de Montero e Carrillo a milímetros do poste. O jogo seguiu em aberto mas Marco Silva, sem mexer em qualquer jogador, mexeu em todo o jogo: nova dinâmica no ataque e desequilíbrios atrás de desequilíbrios.

A parte final do encontro foi, na sua maioria, bem mais morna do que a inicial mas acabou por ser aí que o jogo se decidiu. O Braga adaptou-se à alteração do Sporting e a equipa visitante perdeu gás depois de entrar de forma fortíssima. Já depois de Éder desperdiçar, de cabeça, a que foi a melhor ocasião do Braga em toda a partida, Matheus derrubou o recém entrado Tanaka já para lá do prolongamento, tendo visto a expulsão a ser-lhe perdoada. O livre com um jogador de campo na baliza seria bem mais fácil de ser executado, mas o avançado nipónico acabou por trazer justiça ao resultado com uma execução verdadeiramente incrível, fazendo a bola passar por cima da barreira e entrar no ângulo superior da baliza do Braga. Teremos de recuar aos tempos de André Cruz para ver tal nível na cobrança de um livre directo…

A Figura 

Paulo Oliveira – Em 90 minutos, dois erros: a entrada atrasada que lhe custou o amarelo e um passe para fora, na 2.ª parte, quando deveria ter optado por jogar simples. O nível exibido pelo central leonino tem sido verdadeiramente incrível. Elegância nas abordagens, inteligência nos espaços ocupados, qualidade com bola. Uma das principais razões para o Sporting não sofrer golos há cinco jogos.

O Fora de Jogo

Sérgio Conceição – Depois de uma expulsão por mais uma cena que vem sendo facilmente associável ao treinador português, chegou à conferência de imprensa – esqueceu-se do blackout que anunciou há dias? -, disse que teve três ou quatro oportunidade… e que Matheus só fez uma defesa. Uma ao Nani, uma ao Montero, umas quantas ao João Mário. Essa matemática, Sérgio…

Foto de capa: FPF

João Almeida Rosa
João Almeida Rosa
Adepto das palavras e apreciador de bom Futebol, o João deixou os relvados, sintéticos e pelados do país com uma certeza: o futebol joga-se com os pés mas ganham os mais inteligentes.                                                                                                                                                 O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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