Sporting-Nacional: uma excelente arbitragem

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Não vou falar do jogo, que foi um dos menos conseguidos deste novo Sporting, apesar de termos feito o suficiente para ganhar. Também não vou falar da elegância de William Carvalho, da inteligência de Adrien ou do facto de o Sporting ter conseguido estabilizar a defesa ao ponto de já não sofrer golos há mais de 450 minutos. Muito menos criticarei este ou aquele jogador por ter tido pequenas falhas aqui ou ali, porque não foi por causa disso que não ganhámos e porque é sempre mais fácil falar a posteriori.

Hoje, falarei da excelente arbitragem a que pudemos assistir no jogo de Alvalade. E digo excelente porque foi uma arbitragem que foi ao encontro das pretensões do status quo do futebol português. Não é verdade que, por norma, algo que agrada à maioria das pessoas é considerado positivo? Admitindo que sim, o trabalho de Manuel Mota no Sporting-Nacional não podia ter sido melhor, pois teve o condão de agradar tanto a benfiquistas como a portistas. Ontem, no estádio, praticamente conseguia senti-los agarrados às rádios e televisões na esperança de um tropeção do Sporting, fosse de que maneira fosse. É sempre curioso observar a forma como adeptos de dois clubes desavindos se unem para festejar um empate fraudulento do Nacional em Alvalade e para branquear o que ontem se passou, inventando uma falta do Montero para justificar a irregularidade do golo com a mesma facilidade e desfaçatez com que os árbitros marcam um penalti fantasma sobre o Jackson ou validam um golo em offside ao Lima. Uns (ainda) detêm o controlo do futebol português; os outros ambicionam-lhes o lugar, e fazem da vitimização bacoca a principal forma de tentarem esconder aquilo que é óbvio: são ambos farinha do mesmo saco. Talvez seja por isso que se dão tão mal. Afinal, não consta que o despotismo aprecie divisões de poder.

Penso que quem acredita em que a arbitragem de ontem foi apenas fruto de um dia mau de Manuel Mota ou é extremamente ingénuo, ou é adepto dos rivais. A verdade é que, na próxima jornada, há um Benfica-Porto, pelo que os responsáveis dessas duas equipas não podiam correr o risco de perder o jogo e ficar a cinco pontos do líder. Desta forma, atrasar o Sporting foi a estratégia mais eficaz, e, sem dúvida, do agrado de ambas as partes. Como disse Bruno de Carvalho, depois do jogo, estes dois pontos que os rivais ontem ganharam em Alvalade farão certamente dos presidentes de Porto e Benfica os melhores do mundo. Sobretudo para Luís Filipe Vieira, que já começa a ser alvo de tímidos focos de contestação, o empate do Sporting terá sido um importante balão de oxigénio. Mas o certo é que o Sporting, mesmo prejudicado e sem os mesmos meios à disposição, não desarma. Segundo um trabalho recente do jornal A Bola, o total gasto por Porto e Benfica na construção do actual plantel ronda os 96M€, ao passo que o Sporting gastou pouco mais de 16M€. Por muito obscenas que sejam as quantias que envolvem o futebol, esta realidade põe a descoberto a total diferença de capacidade financeira de Porto e Benfica face ao Sporting. O Porto tem mesmo um jogador (Danilo) que custou, ele sozinho, mais do que a nossa equipa toda.

Querem fazer de nós candidatos à força. Se já seria difícil sermos campeões, tendo em conta as enormes diferenças orçamentais, ainda mais difícil se torna quando o mais frágil dos três grandes é prejudicado. Continuo a dizer que o terceiro lugar é o objectivo mais realista do Sporting para esta época, e alegra-me ver que estamos no bom caminho para o alcançar. Mas não deixa de ser engraçado ver o Porto e o Benfica com enormes dificuldades em superar a nossa equipa, e os seus adeptos a festejarem resultados mentirosos como o de ontem. Muito me orgulha o facto de uma equipa que, há poucos meses, atingiu a sua pior classificação da História já incomodar de novo tanta gente. Muitos adeptos rivais com quem falo dizem que os sportinguistas têm a mania da perseguição, que nos estamos sempre a queixar, que nos lembramos de coisas incríveis e sem importância, que tudo isto são teorias da conspiração. Pudera. O dia em que nos derem razão será o dia em que começarei a questionar se esta está realmente do nosso lado. Até lá, vamos continuar a dizer o que achamos que deve ser dito – e que, não raras vezes, os jornais omitem. Sei que estamos do lado certo.

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