A um Bruno do sucesso?

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O futebol do Sporting é, há coisa de um ano, um emaranhado de ideias (ou da falta delas) em que sobressaem escassas individualidades, com Bruno Fernandes à cabeça. Até aqui, acredito não estar a dar nenhuma novidade.

Mas se é grave estarmos totalmente dependentes da inspiração de um só membro de um plantel de vinte e poucos jogadores, ainda mais grave é sentir que todo o planeamento de época foi afetado por essa mesma premissa: a continuidade de Bruno Fernandes.

Vejamos – desde janeiro de 2019, primeiro mercado de transferências com a nova direção no poder, o Sporting vendeu/dispensou Montero, Nani, André Pinto, Raphinha, Bas Dost, Thierry Correia, entre outros (cuja importância para o raciocínio que quero que sigam é quase nula). Sempre com a escusa do alívio da massa salarial ou do encaixe necessário com a respetiva transferência em função da débil conjuntura financeira. No entanto, o ativo com mais mercado e que poderia facilmente render aos cofres do clube os milhões que nos separam de uma equipa mais equilibrada, com mais e melhores soluções, é publicamente reconhecido como inegociável pelo próprio presidente.

Ou seja, podemos concluir que a gestão de ativos do futebol profissional do Sporting se resume a colocar num dos pratos da balança o nome de Bruno Fernandes e todos os jogadores acima referidos no outro, pendendo sempre para o primeiro. E é um erro crasso, parece-me.

Bruno Fernandes é, provavelmente, o melhor médio que já vi a envergar a verde e branca. Bruno Fernandes tem golo, tem assistência, tem rapidez, agilidade, tem visão de jogo, tem tudo aquilo que se pede a um médio da sua posição. Mas Bruno Fernandes joga num dos plantéis mais fracos e mal preparados dos últimos anos e, ao contrário da época passada, a sua qualidade per se não tem sido suficiente para nos pôr no trilho das vitórias.

O Sporting, semana após semana, vai definhando um pouco mais e nem Bruno nos vale. Infelizmente, temo que nem Ronaldo ou Messi tirassem o Sporting da sofreguidão que têm sido os últimos meses.

Voltemos, portanto, aos pratos da balança. Será que Nani, com a sua qualidade indiscutível (fora de série para a nossa realidade) e capacidade de liderança, não seria bastante útil? Será que Raphinha, o extremo mais desequilibrador que tínhamos no plantel, não fará falta? Será que Montero, com uma qualidade técnica acima da média e já alguns anos de futebol português, não seria ainda preponderante na nossa equipa? Será que Dost, ponta de lança que marcou quase uma centena de golos em três épocas, tinha mesmo de sair? Será que todos os jogadores supracitados não valem um Bruno Fernandes? Valem, pois.

As falências desta equipa do Sporting são evidentes. Falta um guarda-redes com qualidade suficiente para assumir a nossa titularidade, faltam extremos que não sejam mais que refugo e dispensados crónicos de grandes clubes europeus, faltam avançados com faro de golo. Tudo culpa de um planeamento absolutamente ridículo e, em grande parte, afetado pela permanência de Bruno Fernandes.

Se tudo isso não fosse suficiente, toda a época foi planificada em sintonia (supõe-se) com uma equipa técnica que… já não está. Estamos em setembro e o Sporting já teve a sua primeira troca de treinador.
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Ou seja, Keizer prepara a época com um plantel à sua medida e é convidado a sair aos primeiros desaires. Embora seja verdade que tanto a conquista da Taça da Liga como a da Taça Portugal vieram maquilhar fortemente a falta de ideias do holandês, não há como ilibar uma estrutura que mantém um treinador depois de uma pré-época miserável sem qualquer vitória e uma supertaça humilhantemente perdida. Pedia-se celeridade nas ações, algo que não aconteceu.

Para finalizar, referir que Leonel Pontes não será o salvador da pátria leonina, pelo menos, num futuro próximo. Pontes chega ao nosso comando técnico com uma equipa que não é a dele, debilitada por lesões (onde se destacam as de Vietto e Luiz Phellype) com uma pressão adicional para vencer, dada a má posição na tabela classificativa, e um calendário bastante preenchido, consequência do início das competições europeias.

Agora que o mal já está feito, tenhamos paciência com quem assumiu as rédeas, mesmo que de forma temporária. Sporting sempre!

 

Foto de Capa: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Revisto por: Jorge Neves

 

Gonçalo Palminha
Gonçalo Palminhahttp://www.bolanarede.pt
Recentemente licenciado em Ed. Física e Desporto, nadou no Sporting CP dos dois aos quinze anos, tendo ainda passado fugazmente pelo Atletismo, até se cingir apenas às bancadas do estádio e pavilhão deste enorme clube. Não há progresso sem crítica e discussão. O Gonçalo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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