Touradas Pornográficas do Desporto Nacional

- Advertisement -

Segundo os dados presentes no site da Liga Portugal, a média de assistência aos jogos de futebol sénior do Sporting CP encontra-se, na presente data, no valor de 30.590 mil espetadores. Tal valor permite ao clube garantir, também neste campo, o honroso terceiro lugar, aqui novamente suplantado pelas médias de FC Porto e SL Benfica com, respetivamente, 35.101 e 54.203 mil espetadores por jogo.

Estes números garantem percentagens de ocupação dos estádios e valores proporcionais nos cofres de cada um dos clubes. No entanto, se porventura para esses clubes as flutuações de assistência não variam muito, a verdade é que a realidade desportiva nacional não só não se restringe a esses três clubes como também não se finda em apenas uma modalidade desportiva.

Com efeito, a par desta realidade de fluxo humano e financeiro que é de fácil entendimento, e independentemente das múltiplas circunstâncias que condicionam a variação dos seus valores, há que tomar em devida consideração uma variável estatal.

De facto, para além das inúmeras razões que podem afastar as pessoas dos espetáculos desportivos – algumas das quais, note-se, relacionadas com fenómenos que podem e devem ser objeto de fiscalização e medidas repressivas por parte de agentes do Estado -, a imposição de um imposto sobre o valor acrescentado (IVA), à taxa de 23 %, sobre os espetáculos desportivos constitui, seguramente, um dos mais relevantes obstáculos à democratização do acesso à variante desportiva do conceito de cultura.

Sim, exatamente. Desporto é parte integrante da cultura. Não são diferentes nem podem ser distinguidos ou merecedores de tratamento diferenciado tendo por base interesses orçamentais. Tão pouco se pode reagir sem perplexidade quando a taxa desincentivadora em causa coloca em pé de igualdade os espetáculos desportivos, os espetáculos pornográficos e também, a partir de 2020 por proposta de orçamento de Estado, os espetáculos de tauromaquia.

Sem prejuízo do reconhecido apoio que o Estado (pela mão do Governo) dá ao Desporto nacional – ainda que em níveis inferiores aos praticados nos demais países da Europa -, a verdade é que o indiscriminado estrangulamento regulatório e financeiro que é feito à atividade desportiva põe em causa o que a Constituição explana como algo a ser garantido.

Tais circunstâncias, que são persistentemente criadas ou balizadas tendo por base apenas uma determinada modalidade, compromete todas as demais, impondo ao sistema desportivo assimetrias em todos os seus planos.

O Desporto como espetáculo e cultura, em Portugal, ainda sofre de várias dores de crescimento
Fonte: Bola na Rede

Dirigir a batuta com base no fluxo financeiro que o Estado consegue garantir com a afluência a determinados espetáculos desportivos significa condenar as demais realidades a condicionantes de crescimento deficitário e insustentável. Não tomar em linha de conta as diferentes realidades do parque desportivo nacional, seja dentro de cada modalidade ou, sobretudo, entre as próprias modalidades, é condenar o modelo desportivo nacional.

Com efeito, se o objetivo for, progressivamente, garantir o crescimento das diversas modalidades de uma forma consistente e tendencialmente igualitária, não se pode enquadrar as regras com base nas modalidades ricas. Tal como no mundo, o crescimento dos que menos têm não põem em causa o crescimento dos mais abastados, no entanto, o oposto, significa condenar os que menos têm ao seu perpétuo estado de dificuldades.

No IVA, como em muitas outras temáticas que têm consequências diretas no desenvolvimento desportivo do país, o árbitro não pode aplicar as regras que ferem menos quem mais tenha pois, se a esses fere menos, aos que pouco ou nada têm simplesmente inviabiliza qualquer tentativa de sucesso.

Foto de Capa: Carlos Silva / Bola na Rede

João Pedro Maltez
João Pedro Maltezhttp://www.bolanarede.pt
Um militante no combate à monocultura desportiva nacional. Um esperançoso por um desporto melhor, a que seja garantido e reconhecido o justo retorno do seu valor social.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Em canal aberto, grátis e não só: onde ver todos os jogos do Mundial 2026 desta sexta-feira?

O Mundial 2026 prossegue a toda a velocidade. Conhece onde ver os jogos da noite (e madrugada) desta sexta-feira.

Fantasy do Mundial 2026: junta-te à Liga do Bola na Rede e vem jogar connosco!

Jogas a Fantasy do Mundial 2026 ou gostavas de jogar? Junta-te a nós na Liga do Bola na Rede e vem viver a competição connosco.

Grupo A do Mundial 2026: Como jogam o México, a África do Sul, a Coreia do Sul e a Chéquia?

O Grupo A do Mundial 2026 contempla México, África do Sul, Coreia do Sul e Chéquia. Conhece melhor as seleções.

História feita: jogo inaugural do Mundial 2026 regista feito inédito e volta a igualar registo que não era visto desde a Batalha de Nuremberga...

No jogo inaugural do Mundial 2026, foram mostrados três cartões vermelhos. Eis dois registos curiosos relativamente a este dado.

PUB

Mais Artigos Populares

Chuva trava Nuno Borges a um passo da vitória em ‘s-Hertogenbosch

A chuva interrompeu a vitória de Nuno Borges frente a Marin Cilić na ATP 250 de ‘s-Hertogenbosch. O encontro será concluído sexta-feira.

José Fonte é homenageado pela FPF: «Fui dispensado e quase ninguém acreditava em mim»

José Fonte foi homenageado esta quinta-feira na Cidade do Futebol, poucos dias depois de anunciar o fim da carreira.

Eis o primeiro Homem do Jogo do Mundial 2026

Julián Quiñones foi eleito o homem do jogo no México x África do Sul. Avançado marcou o primerio golo do Mundial 2026.