Um Dérbi, Duas Visões

- Advertisement -

sporting cp cabeçalho 2

Um Clássico é sempre um Clássico, e isso, à partida, propõe várias condições, como um estádio cheio, bons jogadores e nervos, muito mais nervos. Há, depois, outro elemento mais subjectivo, já que todas as características inerentes ao clássico não garantem a qualidade do jogo. E, nesta matéria, o jogo de ontem não foi daqueles que passaram mais despercebidos. Sem apurar o sectarismo, e admitindo a qualidade dos dois lados, considero que Jorge Jesus saiu vitorioso da leitura táctica do jogo.

Primeiro, porque talvez a entrada de Jefferson para o lado esquerdo da defesa não fosse a hipótese mais evidente entre as suposições; depois, a escolha de Paulo Oliveira em detrimento de Rúben Semedo é sintomática da interpretação do técnico leonino, porque, tal como por si afirmado, Paulo Oliveira é muito mais eficaz na gestão da posse em curto espaço – capítulo onde Rúben Semedo não age tão bem. Na verdade, e não obstante os eventuais lances de grande penalidade, o comportamento defensivo do Sporting justificou as escolhas de Jorge Jesus. Aponto pelo menos dois ou três lances de ataque do Benfica resolvidos com mestria. As estatísticas provam algum equilíbrio durante a partida. Retiro, contudo, um dado importante: os primeiros minutos de cada parte foram totalmente dominados pelo Sporting.

Paulo Oliveira foi uma das surpresas de Jorge Jesus para o dérbi Fonte: Sporting CP
Paulo Oliveira foi uma das surpresas de Jorge Jesus para o dérbi
Fonte: Sporting CP

Consequência disto foi o primeiro golo do jogo, sendo a grande penalidade originada pelo forte movimento de pressão da equipa do Sporting, extremamente subida no terreno, culminando com o aparecimento de Bas Dost. É inclusivamente nesta operação que a equipa de Jorge Jesus mais se destaca, encontrando-se uma das suas principais manobras tácticas. Mesmo contra equipas com blocos subidos, a pressão do Sporting, protagonizada por Adrien Silva, não permite ao adversário sair em construção. Gelson, por exemplo, cada vez o faz melhor. E, quando esta tarefa se efectua eficazmente, o Sporting tende a dominar o jogo e a chegar com mais frequência à baliza contrária.

Durante minutos seguidos foi esta a lei do jogo. Como em todos os jogos, e os Clássicos não são excepção, a inclinação ofensiva do jogo pode alterar-se ao longo da partida. Na primeira parte isso aconteceu, com o Benfica a chegar com perigo à área leonina (com a defesa a resolver, como anteriormente dito). Mas, querendo abordar a estratégia ofensiva do Sporting, é necessário analisar a inconsequência que ainda se regista no momento final da construção ofensiva. Neste momento a equipa de Jorge Jesus é tão forte a atacar pelo interior como pela ala – muito em virtude da inexistência de alguém que saiba cruzar de forma exímia. Neste clássico foram vários os momentos de penetração lateral na área benfiquista, mas sem a eficácia final. Este défice também tem o seu preço. Apesar do equilíbrio, as melhores ocasiões concretas de golo foram do Sporting, e quando não se marca pode-se sofrer. E de bola parada. Um outro apontamento: após o empate o Benfica ressurgiu no jogo. Creio que o Sporting não conseguiu dar seguimento à superioridade que havia demonstrado durante todo o segundo tempo, também por culpa da densidade posicional do meio-campo dos encarnados.

Para terminar, e como o equilíbrio se manifesta no marcador e nas estatísticas, podemos sustentar esta análise pelo crescimento cronológico do jogo. E isso revela-nos que, em ambos os lados, houve lances que poderiam ter mudado a história do jogo. O Benfica pode ter razões de queixa. Mas o Sporting também pode rir-se deste destino.

Artigo de opinião de Ricardo Gonçalves Dias

Redação BnR
Redação BnRhttp://www.bolanarede.pt
O Bola na Rede é um órgão de comunicação social desportivo. Foi fundado a 28 de outubro de 2010 e hoje é um dos sites de referência em Portugal.

Subscreve!

Artigos Populares

José Mourinho, Andreas Schjelderup e Richard Ríos: para onde vai o futuro do Benfica?

José Mourinho, José Mourinho e José Mourinho. Não foi o treinador do Benfica que marcou qualquer um dos três golos com que os encarnados bateram o Estoril Praia na última jornada da Primeira Liga, mas é sobre o Special One que mais se centra a discussão do universo encarnado

Ivan Baptista e Lúcia Alves respondem ao Bola na Rede: «A pressão das alas do FC Porto ia fazia com que o corredor central...

Ivan Baptista e Lúcia Alves analisaram a vitória do Benfica na Taça de Portugal Feminina. Técnico e ala responderam à pergunta do Bola na Rede em conferência de imprensa.

Daniel Chaves responde ao Bola na Rede: «O Benfica vive muito da qualidade da sua guarda-redes no primeiro momento de construção»

Daniel Chaves analisou a derrota do FC Porto na final da Taça de Portugal Feminina. Técnico respondeu à pergunta do Bola na Rede em conferência de imprensa.

Jornada agitada na Liga Turca com resultados surpresa na luta pela manutenção

Jornada recheada de emoções na Liga Turca, com resultados surpresa tanto pela luta do segundo lugar, como na batalha pela manutenção.

PUB

Mais Artigos Populares

Casemiro despede-se do Manchester United com emoção: «Muito obrigado a todos»

Casemiro fez o último jogo pelo Manchester United em Old Trafford. Médio brasileiro vai deixar o clube inglês no final da temporada.

Milhões a entrar na conta: FC Porto vê confirmada venda por 5,5 milhões de euros

Danny Namaso deixou de ser jogador do FC Porto a título definitivo, depois do Auxerre ter alcançado a manutenção na Ligue 1.

Segunda Liga: Bryan Róchez bisa e dá vitória ao Leixões frente ao Lusitânia de Lourosa

O Leixões recebeu e venceu o Lusitânia de Lourosa por 2-1 na 34.ª jornada da Segunda Liga. Bryan Róchez marcou os dois golos da vitória.