Publicidade

Um Regresso Inconveniente

Hugo Almeida Rebelo · 3 min

Um Regresso Inconveniente

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

verdebrancorisca

Inveja, ressabiamento e preocupação. Muita preocupação.

De certa forma compreendo este sentimento dos nossos queridos rivais em relação ao regresso de Nani ao seu clube de coração. Compreendo que seja duro não ter referências da formação e, por conseguinte, não ter qualquer possibilidade de ver regressar a casa jogadores de classe mundial como Nani.

Peço desculpa! Cometo um grave erro. Falhava-me a memória ao não referir o grande maestro que resolveu voltar com 34 anos, assinando o contrato em branco (reza a lenda que receberia o salário mínimo nacional para jogar pelo seu clube de coração) e rejeitando propostas de grandes tubarões do futebol mundial, cujos nomes permanecem ainda hoje no segredo dos deuses. Foi um regresso incrível, com uma média de três golos e 15 lesões por época. Foram três épocas de sonho, sem qualquer título (é certo) mas com muito amor à camisola! Hoje em dia, o maestro continua no seu clube de sempre, recebendo o ordenado mínimo nacional e ocupando o cargo de director de… quer dizer… de homem-forte do… ou seja, de embaixador da… bem, passemos ao que interessa!

Quando se falava no possível regresso de Nani ao Sporting, os mesmos que o apelidavam “jogador mais regular na Selecção Nacional nos últimos anos” chacoteavam os adeptos sportinguistas por pensarem sequer nessa possibilidade: “algum dia um jogador de classe mundial voltaria ao Sporting, tendo clubes como Juventus ou Arsenal interessados no seu concurso? Que anjinhos… Um jogador que em forma é um dos melhores extremos do mundo, e que esteve, ainda há um par de épocas, no lote dos 23 nomeados para a Bola de Ouro? Vão sonhando… E ele ganha um balúrdio! Vocês nem dinheiro têm para mandar cantar um cego!”. Declarações como estas ouviam-se um pouco por toda a parte, e mesmo os sobredotados de oculinhos escondidos atrás de um computador de redacção arremessavam os seus “bitaites” em forma de “Nani reticente em voltar”, “Nani não quer voltar a Portugal”, “Nani indeciso”, “Anderson em vez de Nani”. O circo estava montado, e os palhaços preparados para dar baile ao leão. O que estes senhores não sabiam era que, no momento em que começaram a escrever as suas graçolas, já Nani era jogador do Sporting. Assim sendo, quando este regresso se tornou público, o discurso dos nossos queridos amigos deu uma volta de 180º, tornando-se qualquer coisa como: “foi o pior jogador da Selecção no Mundial! Já morreu para o futebol, não joga nada há não sei quantos anos… é só um jogador banal! Foi para o Sporting porque o Manchester o queria despachar e mais ninguém o pegava!”. A mente humana é realmente incrível.

Nani frente ao Arouca  Fonte: Daily Mail
Nani frente ao Arouca
Fonte: Daily Mail

No meio de toda esta preocupação e nervosismo no âmbito do regresso de um dos jogadores mais talentosos da Europa a Alvalade, uma alegria tremenda e uma luz divina surgiu nas vidas de todos os inquietados: Nani falhou uma grande penalidade na estreia! A felicidade e a euforia foi tal que, se não morasse tão longe do Marquês de Pombal, era capaz de lá ir dar um salto e espreitar o movimento. As graçolas já estavam a ser impressas quando Carlos Mané resolve estragar a festa… Bolas, tudo “por água abaixo”. Os “intelectualóides” sobredotados das redacções não se amedrontaram com a vitória leonina e desafiaram o reino do leão com manchetes como “Mané salva Nani” ou “Nani falha Penalty”, tornando insignificante qualquer descrição da grande exibição que Nani assinou ou, simplesmente, da vitória da garra e persistência dos jogadores leoninos. As histórias de problemas internos entre Nani e Adrien sucederam-se; parece que Nani veio estragar o ambiente no grupo de trabalho e passar por cima de todas as regras. Histórias exclusivas, muita “manha”. Confesso-me curioso pela capa de segunda-feira, dia 1.

Quanto a vocês, queridos amigos: por favor, não desistam… Quem sabe um Cavaleiro, um Cancelo ou um Bernardo Silva um dia voltem a casa como heróis da nação encarnada, qual “Maestro”.

Enquanto tal não sucede, podem continuar com essa preocupação, com essa raivinha, sabem? É que até nos sabe bem…

Hugo Almeida Rebelo

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Sporting

A nova fase do leão | Shakhtar Donetsk x Sporting CP 

Anunciada a saída de Rui Borges do comando do Sporting e com Paulo Fonseca de malas feitas, os verdes e brancos preparam-se para enfrentar o Shakhtar Donetsk, em solo inglês, em embate relativo à quarta jornada da Liga dos Campeões. Ainda na ressaca do primeiro desaire europeu, sofrido em Alvalade diante do LASK por 3-2, os pupilos orientados por Tiago Fernandes, treinador interino que vai constar no banco de Stamford Bridge, apontam as suas fichas ao regresso aos triunfos, numa fase em que vão entrar num ciclo completamente exigente na prova milionária, com encontros marcados com gigantes do futebol europeu.

Inês Flores · 3 min de leitura
Ler a crónica
Benfica

Depois do Halloween, apareceu um Diablito para evitar uma ida do Benfica às bruxas

Uma equipa grande também se faz naqueles jogos mais chatinhos, onde a inspiração se perde nos poros de suor e nada parece correr bem. Será algo do género que Andreas Schjelerup terá ecoado ao intervalo, quando ficou no balneário, ou quando Gianluca Prestianni, talvez já moldado pelo peso do brilhantismo, enfrentou pela frente mais uma muralha de jogadores adversários. Se no final da época for feita uma compilação dos grandes momentos do Benfica, será pouco provável ver muitos lances deste jogo, talvez apenas aquele em que o argentino com um toque de classe fez a bola passar por entre as pernas de Touaizi, perdido no meio de tamanho inconformismo. O retrato geral, não o escondeu Marco Silva, numa dose de realismo que já há muito não se via nos corredores da Luz, foi desinspirado. Felizmente para os encarnados, há Echeverri. Não é o primeiro momento de brilhantismo desmedido do reforço de verão por quem a cláusula de opção de compra já se afigura uma mera formalidade, mas, fosse esse o caso, seria quase poético. Depois de se celebrar o Dia das Bruxas, Halloween para os falantes de inglês, brilhou no Estádio da Luz um Diablito, que impediu Marco Silva de procurar explicações para o tropeço nas bruxas e dissipou qualquer questão sobre os fantasmas do empate que assombraram o Benfica na última época. Quem tem um Joker assim, pode sempre sorrir.

Diogo Ribeiro · 5 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.