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Universo Paralelo | Ruben Amorim é despedido, após resultados menos conseguidos

Nuno Almeida · 3 min

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Rúben Amorim, o treinador que conseguiu colocar o Sporting CP na senda dos títulos, conseguindo-o com um percurso quase imaculado, deixou apenas o pequeno amargo de boca de uma eliminação precoce nas competições europeias e a derrota na taça de Portugal.

No entanto, apesar de uma época anterior quase isenta de erros, e com um início de nova época desportiva a conquistar a nona supertaça para o clube, Rúben Amorim, campeão nacional, à semelhança do que aconteceu com Augusto Inácio a seguir a ser campeão, após um início de campeonato com resultados menos conseguidos, perdendo assim, desde já, o comboio do título, é afastado do comando da equipa de futebol do Sporting CP.

Em Portugal, continuam a cometer-se os mesmos erros, não havendo espaço para a tolerância, nem pulso firme para aguentar Rúben Amorim, um treinador que mostrou já ter competência e capacidade para se tornar um dos melhores treinadores portugueses.

No Sporting CP, continuamos a ter uma massa adepta volátil que, apesar de ser a mais fiel, é também a que menos tolerância ao erro tem. Talvez seja por termos um passado recente com poucos títulos nacionais, mas até por isso, e após um ano tão bem conseguido, talvez devêssemos dar à equipa técnica e jogadores alguma margem de erro, e tempo para que se aprenda, possa corrigir, e talvez recuperar o atraso pontual.

Diz-se que a linha que separa o amor e o ódio é muito ténue, e nós por amarmos tanto o clube, rapidamente ficamos impacientes com algo menos bom que aconteça. E talvez por isso, e porque não se dê tempo para implementar ideias e projetos, andemos a ganhar só de 20 em 20 anos.

Este treinador chegou a dizer que se sentia bem no Sporting CP, que queria estar muitos anos no clube, e mesmo assim, após um início de temporada menos boa, não lhe foi dado tempo para corrigir e recuperar. E mesmo que não conseguíssemos corrigir até ao final desta época, para mim, Rúben Amorim tinha o perfil para estar muitos anos no clube, e para o fazer ganhar muitos títulos, assim lhe fosse dada a oportunidade e o tempo que ele ganhou por nos ter dado uma época de tanta felicidade.

Rúben Amorim recuperou uma equipa e um clube que não ganhava há quase 20 anos, apostou na academia leonina e, à primeira escorregadela, foi escorraçado. E sabem quem perdeu? Nós, e o Sporting. Sabem quem ganhou? O clube que teve a sorte de apanhar livre Rúben Amorim.

Continuamos a não ter a calma e paciência para dar tempo a profissionais que já mostraram enorme capacidade. Que como qualquer profissional pode errar, mas serão muitas mais as vezes em que vai acertar.

Fôssemos pacientes e talvez tivéssemos encontrado o treinador que nos ia recuperar a hegemonia no futebol português. E, quem sabe, um ou dois títulos internacionais.

Rúben Amorim
O técnico revolucionou o modelo de jogo e a mentalidade do plantel à sua disposição
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Nota final do redator: E agora digam-me, será esta uma realidade paralela? Espero que sim, e que não se concretize por muito tempo. Principalmente, que os resultados negativos não surjam. Mas, se surgirem, que não se mande embora, ou não se assobie quem já mostrou querer ganhar sempre com a verde e branca listada. E não penso que isto seja falta de exigência, mas gratidão pelo que já lutaram e mostraram profissionalismo e competência.

(Podem dizer que este texto vem num timing muito mau, após uma conquista, e antes do início da nova época. Mas conhecendo eu os adeptos e os dirigentes, muito facilmente este cenário se pode tornar realidade, até porque não jogamos sozinhos, e podemos vir a perder.

Este texto serve essencialmente para fazer pensar antecipadamente os que estão à espera para começar a criticar e a desenterrar fantasmas assim que surjam dois ou três maus resultados. Serve de aviso para adeptos, mas também para dirigentes. Não é um discurso derrotista, apenas realista. Mas também tenho a certeza que com esta equipa técnica e jogadores vamos ter muitas alegrias, haja coragem para os segurar.

Artigo revisto por Joana Mendes

Nuno Almeida

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