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Frederico Varandas | Uma estranha normalidade democrática

Simão Mata · 3 min

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Neste interregno para os jogos das seleções nacionais, cabe-nos refletir sobre a vida do futebol luso. E, em particular, na vida interna do Sporting, sempre tão badalada e comentada por jornalistas e jornaleiros.

Com um novo treinador ao leme, Jorge Silas, e com o regresso às vitórias, convém referir que o futebol dos leões ainda é pouco atrativo. Sobretudo, as exibições mostram que muito caminho terá que ser percorrido para levar os adeptos em massa novamente aos estádios. A grande limitação da equipa é o equilíbrio defesa-ataque o que espelha que o onze inicial ainda não é, de facto, uma equipa, nem funciona como um todo.

Mas Silas já percebeu que o seu trabalho inicial, mais do que os aspetos técnico-táticos, passa muito pela vertente disciplinar. E, neste particular, Jesé Rodrigues tem que perceber que ainda agora chegou e que não pode “levantar cabelo”, aliás, logo ele, que tem pouco cabelo para levantar. Nem ele, nem Bruno Fernandes, nem outro jogador qualquer. Acima dos jogadores, treinadores, dirigentes, adeptos e sócios está o símbolo do Sporting Clube de Portugal.

O Reino do Leão tem mostrado também uma estranha normalidade democrática. A comunicação social trata as questões relacionadas com o Sporting como se a oposição interna a Frederico Varandas surgisse só agora, como se fossem uma novidade. Ora, desde o processo de destituição de Bruno de Carvalho que a lisura democrática no clube está visivelmente comprometida. A eleição de Varandas levantou sempre contestação de muitos sócios e adeptos, que viam nele apenas e só o médico do clube.

É neste quadro que se deve entender todo o coro de vozes dissonantes na Assembleia Geral da passada quinta-feira. As mesmas não constituíram, por isso, qualquer novidade. Para quem tinha como lema de campanha “Unir o Sporting” nunca se viu tamanha virulência contra os seus principais opositores, a que apelida de “Esqueletos”. Li, por isso, com bastante incredulidade no Editorial do Jornal Sporting do dia 3 de outubro, em que Rahim Ahmad, elemento do Conselho Diretivo, escreveu o seguinte: “Nos últimos dias ganhou algum mediatismo uma linha divergente à que esta Direção defende, preconizando em alternativa a alienação da maioria que o Clube detém no capital da SAD”. “Nos últimos dias”?! Ou andam todos desatentos ao que se passa ou não querem ver que as vozes dissonantes são muitas.

Não vale a pena esconder aquilo que todos vêm à vista desarmada: há, repito, uma estranha normalidade democrática no clube e não há reestruturação financeira, nem contas aprovadas “à tangente” que os salve da demagogia barata.

O hashtag #varandasout é cada vez mais uma realidade omnipresente no mundo Sporting.

Varandas tem sido um dos principais visados pelos críticos
Fonte: Candidatura “Unir o Sporting”

A comunicação do presidente, quer no plano interno como externo, é um desastre. Isto mostra, além de tudo o resto, um crasso amadorismo na gestão do clube. E este é um dos vários aspetos que os seus contestatários alegam para afirmar que ele não tem créditos para continuar ao leme do Leão.

Até o próprio Sousa Cintra – varandista dos quatro costados e apoiante de todos aqueles que lhe fazem continência… – se indignou contra Frederico Varandas, referindo à saída da AG: “Não entendo como não houve uma palavra de agradecimento ao trabalho fantástico da Comissão de Gestão, uma coisa absurda. Varandas não está a conduzir bem os destinos do Sporting, disse um chorrilho de disparates…” (Declarações reproduzidas por Record, 11/10/2019). É que Sousa Sintra gosta, sobretudo, daqueles que o lisonjeiam e quem não o fizer é ameaçado com a ditadura do chicote: “Continência, seu estafermo!”. Uma tristeza.

Resta dizer que o Sporting Clube de Portugal é maior do que todos eles.

 

Foto de Capa: Candidatura “Unir o Sporting”

artigo revisto por: Ana Ferreira

Simão Mata

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