Uma questão central

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Verde e Branco à Risca

Qualquer clube que suporte uma grandeza universal tem de suportar, de igual modo, uma massa associativa exigente ao máximo. Eu, como adepto de um dos maiores clubes desportivos à face da Terra, exijo perfeição.

A perfeição, como sabemos, já morou mais longe de Alvalade. Porém, esta época parece ponderar mudar-se de malas e bagagens para o nosso reino. Mas por que razão ainda não se instalou? Eu tenho a minha opinião, que penso estar em conformidade com o resto dos sportinguistas. Trata-se de uma questão central.

Vejamos: no que toca à baliza acredito que estamos bem servidos, com um dos melhores guarda-redes da Europa (será injusto esta designação ser retirada a Rui Patrício devido a um deslize ao serviço da Selecção Nacional). Não existem dúvidas possíveis quanto a esta posição, contando ainda com a presença de um suplente de alto nível (Boeck); quanto às laterais, tanto Cédric como Jefferson têm mostrado um nível exibicional bastante encorajador para qualquer adepto. Tanto a atacar como a defender têm estado irrepreensíveis. Já Piris demonstrou estar, igualmente, à altura dos acontecimentos nas oportunidades que tem tido (tendo a vantagem de ser competente em ambas as alas); o meio-campo tem funcionado bastante bem (as prestações de William Carvalho são de encher o olho – podemos dormir descansados com um trinco deste nível, tendo ainda a garantia da qualidade do seu suplente, o capitão Fito Rinaudo); na zona mais avançada do miolo tem-se destacado (finalmente) Adrien Silva, um dos motores desta equipa, acompanhado por André Martins ou Vítor, que nos presenteiam, igualmente, com um bom nível, embora sinta que têm a capacidade para dar mais à equipa, e não tenho dúvidas de que o farão. O sector atacante é o que mais alegrias nos tem dado, facto provado pela quantidade de golos que temos feito ao longo desta época: Montero é um avançado de nível mundial; Slimani tem surpreendido e correspondido nas poucas oportunidades que lhe são proporcionadas; Wilson Eduardo, Capel e Carrillo são, claramente, extremos acima da média, com facilidade em brilhar em ambos os flancos, através da velocidade, técnica e capacidade de finalização. Posto isto, fica-nos apenas a faltar analisar um sector do terreno: a zona central da defesa.

É aqui que residem os grandes problemas do Sporting. Arrisco-me a dizer que os pontos que já perdemos durante este campeonato advêm, precisamente, dos problemas no centro da zona mais recuada da equipa. O Sporting sofreu 10 golos nos 10 jogos oficiais que realizou esta época (uma média de um golo sofrido por jogo), o que, a meu ver, é demasiado, para uma equipa que nos mesmos 10 jogos marcou 31 golos. Não é de todo condizente. Sendo assim, onde reside o problema? Na qualidade dos centrais leoninos? Penso que não. A grande lacuna é a falta de experiência, o que se reflecte em cada golo que o Sporting sofre.

Vejamos: contamos com quatro jogadores no plantel para a posição de defesa-central; Maurício, Marcos Rojo, Eric Dier e Rúben Semedo (embora existam centrais promissores nos B’s, não os vou colocar nestas contas). Estes quatro atletas perfazem uma média de 21 anos e meio de idade, o que não abona a favor da questão da experiência referida anteriormente, embora considere até que o jogador que demonstra menos confiança e experiência destes quatro é, precisamente, o mais velho (Maurício, 25 anos). Maurício apresenta bastantes qualidades, mas é um poço de inexperiência, talvez por nunca ter jogado ao mais alto nível (construiu a sua carreira em equipas de segunda linha do futebol brasileiro); Rojo parece-me ser o central mais competente deste lote, embora apresente por várias vezes falta de concentração; Eric tem desiludido esta época. Talvez por nos ter habituado a um nível bastante elevado na malfadada última época estivéssemos à espera de mais. Falta garra, destreza e concentração a um jogador que não tenho dúvidas de que poderá vir a ser um dos grandes centrais ingleses; Rúben Semedo, quando chamado, deu muito boas indicações, mas, devido à sua falta de experiência nos desafios de alto nível, não resolve o problema (embora esteja curioso para o ver actuar mais vezes, carregando uma maior responsabilidade nos ombros).

Rúben Semedo contra a Fiorentina / Fonte: O Jogo Online
Rúben Semedo contra a Fiorentina / Fonte: O Jogo Online

Qual será então a solução para esta questão? Poderá estar na evolução destes quatro jogadores, não duvido. Mas, sinceramente, penso que a reabertura do mercado poderá ser uma boa oportunidade para podermos vir a contar com um jogador mais experiente para esta posição, que faria dupla com Rojo no centro da defesa. Alguém que traga agressividade, experiência, idade e poder a esta defesa. Os clubes que mais sucesso têm, no panorama futebolístico actual, contam com centrais carregados de prática, profundos conhecedores do futebol, “raposas velhas” dentro das quatro linhas: duplas experientes como Piqué e Mascherano, Pepe e Sergio Ramos ou Ferdinand e Vidic já provaram que uma defesa esclarecida pode dar pontos, e acredito piamente que Bruno, Jardim e Inácio estão conscientes disso mesmo.

Não tenho dúvidas de que a perfeição chegará muito em breve ao nosso “Nobre Vulcão”. Quando? Quando muito, em Janeiro. Até lá, os rapazes continuarão a somar pontos, vitórias e a encher o nosso peito de orgulho. Acima de tudo, é esse o objectivo central.

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