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Vocês Sabem Lá

Catarina Santinha · 3 min

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diva de alvalade catarina

Uma e «picos» da tarde de sexta-feira. Estava eu no meio do meu mais novo e «piqueno» ritual de relaxamento – leia-se, método de tortura -, vulgarmente conhecido como RPM, mergulhada nos inúmeros pensamentos que me assolam quando estou em modo ‘repeat your mantra… Then, do it again’, quando me lembrei que tinha de me decidir sobre o tema desta primeira crónica, que hoje convosco partilho.

Não sou jornalista. Não escrevo como se fosse jornalista. Não tenho a mínima pretensão de o fazer. Não acho sequer a mais pequena piada à forma como a maioria dos jornalistas o fazem. Tendencialmente insípida, muitas vezes despicienda, quase sempre (absolutamente) desinteressante.

Contudo, e na senda do que, por vezes, aqueles esquecem ser a sua missão, há uma informação que aqui tenho de prestar, sem desvirtuar minimamente a realidade dos factos: o meu sangue é verde, mas tão verde que já me fez fazer coisas que o meu (inegável) bom senso nunca permitiria, noutras circunstâncias. Como, por exemplo, ver o meu Sporting aos quadradinhos, enclausurada numa espécie de jaula sita no lado negro da Segunda Circular.

Gosto mais do Sporting do que de quase tudo da vida. Recordo a primeira vez, no velhinho Alvalade, como poucas outras coisas que vivi em tão tenra idade. Nem sempre tive orgulho no meu Sporting – ou no que alguns quiseram fazer dele e com ele -, mas sempre tive orgulho do meu Sporting. Quando alguém – cuja identidade confesso desconhecer – se lembrou de fazer proliferar a expressão com que baptizei este texto, lembro-me de ter pensado, simplesmente, “é isto”. Não se explica, sente-se. Ponto. Nasce connosco, é inato, parte – essencial – da nossa identidade.

Nós não somos diferentes por afirmarmos a nossa diferença. Somos diferentes porque praticamos essa diferença. Em tudo na vida. Um Sportinguista distingue-se à distância, à vista desarmada. Não precisamos de nos papaguear aos sete ventos, quais galináceos que nem duas aves de rapina sabem distinguir. E não se iludam os que repetem, instintiva e repetitivamente, que “o Sporting somos nós”. Não somos: Ele é muito maior do que a soma de todos nós. É ele que faz a nossa diferença, é Ele o responsável pela orgulhosa altivez com que afirmamos «somos Sporting». É Ele que(m) está em nós e nos dá muito mais do que tudo aquilo que poderemos algum dia devolver-lhe (e sim, mesmo assim tentamos sempre devolver em dobro…).

No dia em que percebermos que não há título que valha uma identidade – ademais, uma que tanto nos enobrece -, perceberemos que, também no futebol, uma casa não se constrói a partir do telhado.

Tenho para mim que o entulho das ruínas que conhecemos no passado recente já foi limpo. É hora de cultivar boas fundações. Acredito que – goste-se ou não do estilo, tema que abordarei num futuro breve – o material de construção está lá, e o produto final será fantástico de se ver (e sim, espero que não demore muito). Acredito porque, apesar de uma defesa que (ainda) me assusta – e muito -, vejo alma dentro do campo. A alma que é conatural ao Leão, mas que não teria sido recuperada sem a imensa competência e arrojo de Marco Silva e, claro está, sem a fervorosa paixão de Bruno de Carvalho… Mas sobre isto, deixar-vos-ei a minha opinião numa próxima oportunidade.

SL,

1906.

P.S.: Não, nem todos os meus comentários aqui se resumirão à partilha de estados de alma. Eu amo o Sporting mas, ainda assim, gosto muito de futebol. Puro e duro. Aquele para o qual não vejo a mínima aptidão nos pés do André Martins (renovar para quê, digam-me lá…), ou a ilustre ciência de ocupação de espaços e de acerto nos timings de entrada à bola, absolutamente estranha para o Naby Sarr.

Catarina Santinha

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