FC Porto 3-1 CD Tondela: Foi preciso esperar, mas Conceição finalmente teve o que sempre quis

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A CRÓNICA: ERROS CAPITAIS DITARAM O DESFECHO

Numa tarde de Domingo, os adeptos de futebol finalmente puderam suspirar por um Jamor que regressou. Era final da Taça de Portugal e o favorito FC Porto disputava o troféu com a equipa com maior orgulho ferido: o CD Tondela.

Com o céu coberto, foram as cores de todos os clubes que disputaram a competição e o hino nacional que trouxeram um ambiente diferente para o que aí vinha: a Festa da Taça.

Tal como já era expectável, vimos um jogo de sentido único com o FC Porto a mostrar o favoritismo. Aos 22 minutos, surgiu logo o primeiro do encontro. Aquele que era um fora-de-jogo foi convertido pelo VAR numa grande penalidade. Taremi assumiu e não desperdiçou para o 1-0.

Verdade se diga, o único calafrio para os portistas surgiu aos 39 minutos. No momento em que a equipa beirã conseguiu imprimir velocidade nas alas, valeu Otávio a tirar o pão da boca a Rafael Barbosa.

Ainda antes do intervalo, poderia ter surgido o 2-0, mas o melhor marcador desta edição da Taça acabou por desperdiçar o que era mais simples. Esteve assim perto a tranquilidade dada por Evanilson.

Mas a tranquilidade surgiu na 2ª parte. O FC Porto não poderia ter entrado melhor, visto que Vitinha apareceu no sítio certo e no momento certo para o 2-0. Começava-se a sentir um clima de redenção beirã e a festa azul e branca.

O terceiro era dado como feito, mas Taremi fez questão de acalmar as hostes portistas. Grande penalidade falhada aos 66, o que não é habitual no iraniano.

O CD Tondela ainda reduziu por Neto Borges, mas o melhor golo da final ficou reservado para os 74 minutos. Grande combinação entre Otávio e Taremi para o 3-1 final do avançado portista.João

Os olhos já estavam na Taça e só faltavam as mãos. Já cheirava a dobradinha que ficou oficializada quando se ouviu o apito final.

No final das contas, fica o sonho de Sérgio Conceição concretizado. Levantar a Taça de Portugal enquanto treinador num Jamor cheio.

A FIGURA

Otávio – Provavelmente devem questionar-se por que não Taremi, mas olhando para o jogo no aspeto tático, o médio luso-brasileiro destacou-se dos outros. Era um elemento capaz de aparecer em várias posições do terreno com contribuições ofensivas e defensivas. Ofensivamente, conquistou uma grande penalidade e assistiu para o 3-1. Defensivamente, tirou o pão da boca a Rafael Barbosa numa das poucas jogadas ofensivas do CD Tondela.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

O FORA DE JOGO

Erros capitais do CD Tondela – Claramente o ponto negativo que ditou a derrota beirã. Apesar de ser uma equipa pouco vertiginosa ofensivamente, a verdade é que não estava a comprometer em termos defensivos. Mas a grande penalidade cometida e a incapacidade de reagir quando reduziu o marcador ditaram mais um desfecho negativo.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

A equipa azul e branca alinhou num 4-4-2 que frequentemente se desdobrava num 4-3-3 com Taremi a balançar para o corredor esquerdo. Em ambos os sistemas, destaque para o papel de Otávio, um jogador multifacetado dentro de campo. Na maioria das vezes, posicionava-se entre Vitinha e Pepê (em 4-4-2 o corredor esquerdo ficava somente entregue a Zaidu e em 4-3-3 Taremi ocupava esse espaço). Por outro lado, destaque para o papel de Grujic a posicionar-se muito por entre os centrais portistas e a dar uma maior liberdade de movimentos à zona intermediária. Até ao primeiro golo, os portistas mantinham um ataque continuado na procura de tentar furar a muralha Tondelense, mas depois o jogo tornou-se mais aberto, até para as investidas ofensivas da equipa.

A segunda parte não trouxe qualquer novidade no sistema tático. A grande penalidade falhada por Taremi e o golo do CD Tondela voltaram a mostrar a capacidade de reação da equipa que conseguiu facilmente hipotecar o encontro. No final, apenas se via um ponta de lança na frente de ataque: Toni Martínez.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Marchesín (5)

Zaidu (6)

Pepe (7)

Mbemba (7)

João Mário (6)

Grujic (7)

Vitinha (8)

Otávio (8)

Pepê (8)

Taremi (8)

Evanilson (4)

SUBS UTILIZADOS

Galeno (5)

Francisco Conceição (4)

Matheus Uribe (-)

 Toni Martínez (-)

ANÁLISE TÁTICA – CD TONDELA

A equipa tondelense apresentou-se num 5-2-3 com uma defesa muito compacta e pragmática a travar o ataque do FC Porto. Pedro Augusto e Iker ocupavam o miolo do meio-campo e as transições ofensivas ficavam a cabo de Rafael Barbosa e Salvador Agra com Daniel Dos Anjos mais adiantado. Enquanto Rafael Barbosa procurava segurar mais a bola, Salvador Agra procurava mais o espaço em momento de transição. Já Daniel Dos Anjos apresentava-se enquanto elemento mais isolado na frente de ataque. Depois do golo sofrido, o jogo tornou-se mais aberto, mas o esquema de 3 centrais manteve-se.

Na segunda parte, não houve nenhuma alteração significativa em termos táticos. João Pedro acabou por ser chamado ao encontro e o momento de destaque surgiu com o golo de Neto Borges, a única verdadeira iniciativa ofensiva da equipa. O lado negativo veio de novo com os erros capitais defensivos.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Niasse (4)

Tiago Almeida (3)

Modibo Sagnam (3)

Marcelo Alves (3)

Eduardo Quaresma (4)

Neto Borges (4)

 Pedro Augusto (4)

Iker (4)

Rafael Barbosa (4)

Daniel dos Anjos (3)

Salvador Agra (3)

SUBS UTILIZADOS

Dadashov (4)

João Pedro (4)

Bebeto (-)

Tiago Dantas (-)

Juan Manuel Boselli (-)

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

FC Porto

Bola na Rede: Taremi foi eleito o homem do jogo, mas gostaria de lhe perguntar sobre o papel do Otávio neste encontro. Conquistou a primeira grande penalidade, teve um papel ativo na equipa conseguindo aparecer em várias zonas do terreno como já é habitual e assistiu para o 3-1. São exibições e rotinas importantes também para jogos destes em que o adversário se apresenta mais composto defensivamente?

Sérgio Conceição: Sim, na primeira parte não tivemos tão bem, controlando sempre o jogo. A base do jogo de hoje teve que ver com o início da semana de trabalho e o respeito que tivemos pelo CD Tondela, e eu acho que os jogadores perceberam que era importante o nosso equilíbrio no jogo. O otávio é o jogador que conheço há mais tempo e tem a capacidade de perceber o que o jogo pede. Hoje queria destacar todo o grupo de trabalho. Todo o grupo merece. Parabéns a todos os jogadores e a todo o grupo que fizeram um ano fantástico

CD Tondela

Bola na Rede: Sente que o facto de a equipa ter pecado nos momentos chave e as grandes penalidades foral alguns dos principais erros que ajudaram no desfecho deste encontro?

Nuno Campos: As grandes penalidades são sempre situações aborrecidas porque por vezes não temos a certeza se são e porque outras vezes são por milímetros. Estes são momentos que às vezes marcam e na verdade o único remate enquadrado da primeira parte é uma grande penalidade. Certamente que quando há uma grande penalidade é um erro, quando há outros erros durante o jogo para as duas equipas sempre. Se somos ou não mais penalizados com os nossos erros isso já é outra questão. A grande penalidade é uma oportunidade clara de golo e aí fomos penalizados.

João Castro
João Castrohttp://www.bolanarede.pt
O João estuda jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social. A sua grande paixão é sem dúvida o jornalismo desportivo, sendo que para ele tudo o que seja um bom jogo de futebol é bem-vindo. Pode-se dizer que esta sua paixão surgiu desde que começou a perceber que o mundo do futebol é muito mais que uma bola a passear na relva.

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