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Final inédita desta Taça da Liga. O pequeno (enorme!) Moreirense fez de tudo para chegar a esta Final Four, surpreendendo tudo e todos com o futebol praticado nesta competição. O Braga, que já foi vencedor desta competição, na época 2012-2013, mostrava que queria levantar novamente a taça este ano. Estava tudo pronto para se dar início a uma grande final, que teve um espetáculo de abertura bastante curioso, sendo a bola de jogo entregue por um pequeno transporte dos CTT (patrocinador oficial) a Artur Soares Dias.

Dava-se o pontapé de saída por parte do Moreirense, que teve honras de contagem decrescente para o início do jogo.  Ambas as equipas começavam com bastante intensidade, mas também com a cautela que merece uma final.

Augusto Inácio, à semelhança de outros jogos, optou por uma tática bastante atacante, pressionando os bracarenses com linhas subidas e optando por trocar a bola para chegar de forma rápida à baliza adversária.

A primeira grande oportunidade de golo foi através de um livre batido por Rebocho, longe da baliza, metido na pequena área, que Matheus socou rapidamente para fora da zona de perigo. Logo depois, o Moreirense beneficia de novo livre à entrada da área, batido por Francisco Geraldes, que passou entre a barreira do Braga, valendo a atenção do guarda-redes brasileiro, que encaixou com relativa facilidade.

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O Braga tentou responder por Stojiljkovic, mas sem perigo para a baliza do Moreirense. O jogo começou a ficar cada vez mais intenso, com pouco espaço para erros. Que o diga André Micael, que “ofereceu” a bola a Rui Fonte já no seu meio-campo. O jogador do Braga ainda tentou rematar à baliza, lance que não teve consequências de maior devido à rápida intervenção de Cauê.

O jogo evoluía com bastante intensidade, mas com menos oportunidades de perigo. A exceção foi feita quando se gritou golo – ainda que anulado – no estádio do Algarve. Depois de um primeiro remate de Battaglia, Makaridze escorrega e Stojiljkovic aproveita esse erro para cruzar para a pequena-área, com Horta a encostar para dentro da baliza, ao mesmo tempo que o árbitro assinala fora-de-jogo.

A chegar ao intervalo, Artur Soares Dias assinala grande penalidade para o Moreirense, por falta de Matheus, que promove um contacto, na opinião do árbitro, desnecessário. Apesar de o guarda-redes ter adivinhado o lado não evitou que Cauê marcasse, ficando assim a equipa de Moreira de Cónegos em vantagem.

Nota muito negativa para os adeptos de Braga, que lançaram petardos para dentro de campo aquando dos festejos do Moreirense, exaltando os ânimos dentro e fora do relvado, o que não foi benéfico para os seus jogadores, uma vez que incendiou ainda mais a situação.

Jorge Simão tinha muito para trabalhar no intervalo da final, quer para acalmar os seus jogadores, quer para motivá-los para dar a volta à desvantagem. Por outro lado, Augusto Inácio precisava apenas de umas palavras para estes 45 minutos, que poderiam fazer história tanto para o clube como para a cidade.

Cauê marcou o único golo desta final Fonte: Moreirense FC
Cauê marcou o único golo desta final
Fonte: Moreirense FC

O treinador bracarense promoveu logo a primeira substituição no início do segundo tempo, saíndo Xeka e entrando Vukcevic, de modo a revigorar o meio-campo e a promover mais ligação defesa-ataque.

Em relação à primeira parte, a intensidade baixou, bem como as linhas do Moreirense, que procurava, sobretudo, defender o resultado. Por sua vez, o Braga tentava chegar à baliza adversária, mas sem sucesso.

Entretanto, os dois suspeitos do costume da equipa minhota tentaram fazer as alegrias dos bracarenses. Rui Fonte, do lado direito, acaba por cruzar longo para a cabeça de Stojiljkovic, que, por pouco, falhou o alvo.

Podence acabou por responder, do outro lado do campo. Depois de uma bola perdida a meio-campo, o pequeno extremo aproveitou a sua velocidade para ficar isolado, não sendo bem-sucedido devido a uma excelente saída de Matheus.

O Moreirense ia crescendo novamente no jogo, e Podence, Fernando Alexandre e Francisco Geraldes entendem-se muito bem pelo lado direito. A jogada começou no primeiro, que passou para o ex-Académica, que por sua vez meteu a bola nos pés de Geraldes, que rematou muito por cima da baliza bracarense.

O Braga teve uma oportunidade de ouro. Vukcevic cruza para dentro da pequena área e Rodrigo Pinho quase marca, depois de a bola sofrer um desvio em Rebocho. Makaridze excede-se e, à queima-roupa, faz uma defesa excelente, para desespero dos minhotos, que davam cada vez mais intensidade ao jogo, mas sem resultados visíveis.

O jogo, já em compensação, estava partido: o Braga atacava com todos os jogadores possíveis e o Moreirense aproveitava a falta de adversários para fazer contra-ataques rápidos, valendo a intervenção de Matheus, por duas vezes, a meio do seu meio-campo.

Fez-se história: o Moreirense, 14.º classificado da Primeira Liga Portuguesa, vence a final da Taça da Liga. Mérito para a equipa que soube assumir o seu jogo, a sua qualidade e jogou de igual para igual com uma das melhores equipas portuguesas. O Braga esteve de parabéns também pela sua entrega ao jogo, pelo espírito de sofrimento e pela perseverança.

Augusto Inácio tinha razão. A equipa de Moreira de Cónegos foi a grande surpresa e não deixou ninguém indiferente nesta competição, que foi a primeira neste formato. Fez-se história: o Moreirense é o campeão de Inverno.

Foto de Capa: Moreirense FC