A CRÓNICA: UM SPORTING CP NUMA PRIMEIRA PARTE CINZENTA, OUTRO NUMA SEGUNDA PARTE COLORIDA (E GOLOS)

A tarefa não era fácil, mas os homens de Mafra queriam causar surpresa em Alvalade e ser igualmente gigantes como as pessoas do Povo que ajudaram a erguer um dos grandes símbolos do município que José Saramago retrata na sua grandiosa obra “O Memorial do Convento”. A resistência forasteira durou até aos 64 minutos, altura em que Sporting CP disparou para garantir mais um triunfo, desta vez por 2-0, que garante a passagem verde e branca à Final Four da Taça da Liga pela quarta época consecutiva.

As muitas mudanças feitas por Rúben Amorim para este encontro explicam na perfeição a entrada não tão avassaladora como ocorreu na partida de sexta contra o Paços: a falta de entrosamento e de dinâmicas entre os titulares leoninos fez com que não tivessem sido criadas lances de verdadeiro perigo para a defesa visitante, facto que ajudava o Mafra a acalmar algum tipo de nervosismo que pudesse ter por estar a jogar na casa do atual líder da Primeira Liga.

Se de lance corrido não ia lá, nem de bola parada o Sporting estava a ser capaz de levar perigo ao guardião mafrense Carlos Henriques: num livre em posição frontal ao minuto 30, o regressado Pedro Gonçalves tinha uma ocasião de ouro para abrir o marcador, só que atirou contra a barreira. Esse não aproveitamento do livre pode muito bem sintetizar o jogo verde e branco durante toda primeira parte: estava a faltar criatividade e alguma fluidez para abrir espaços no setor defensivo adversário e o encontro pedia um rasgo de genialidade que pudesse desbloquear o nulo. Plata até poderia ser o elemento capaz de fazer magia e aquecer a noite fria de Alvalade, mas o equatoriano também estava desligado do jogo, um pouco à imagem de toda a sua equipa. O descanso seria certamente útil para o Sporting redefinir a estratégia ofensiva.

Nuno Mendes e Bruno Tabata foram lançados para o jogo no início da segunda parte, numa clara tentativa de trazer outra dinâmica à equipa leonina. As substituições tiveram o efeito pretendido, já que, ao minuto 52, o número sete do Sporting quase fez o primeiro golo, mas o seu remate foi ao poste, naquele que foi o primeiro lance bem trabalhado pelo ataque do conjunto visitado. Aos poucos, os comandados de Rúben Amorim começavam a carregar sobre o Mafra que já não estava a ter tanta facilidade para sair a jogar, optando agora mais pelo futebol direto para impedir falhas na primeira fase de construção.

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A resistência visitante só quebrou aos 64’: cruzamento de Daniel Bragança do lado direito a descobrir Nuno Mendes, que assiste para um golo fácil de Sporar, algo que não acontecia desde o dia um de novembro. O 1-0 era algo que o Sporting estava a precisar para conseguir estabilizar o seu jogo e ir em busca de mais golos para fechar a questão do apuramento para a Final Four. E não se teve de esperar muito tempo para ver outro golo em Alvalade…

Lance de insistência em que a formação leonina recuperou a bola já no último do terço do meio-campo defensivo mafrense, onde Plata engana bem João Miguel e cruza para Bruno Tabata cabecear e aumentar a diferença no marcador aos 70 minutos. Apesar da desvantagem, o Mafra não baixou os braços e foi à procura de reduzir a diferença, o que até podia ter acontecido à entrada dos últimos 10 minutos da partida: cruzamento do lado esquerdo, Andrezinho recebe já dentro da grande área e atira de primeira, contudo a bola acaba por sair por cima.

A partida foi-se encaminhando para o seu fim, sem mais motivos de destaque. Vitória justa do Sporting que numa exibição q.b. acabou por justificar o favoritismo antes do jogo. Uma palavra de apreço para o CD Mafra que soube dificultar a vida ao Leão e conseguiu jogar olhos nos olhos contra o conjunto leonino.

 

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Bruno Tabata – O extremo brasileiro tinha feito uma exibição positiva na partida anterior, e hoje voltou a entrar bem no início da segunda parte. A sua entrada trouxe um Sporting mais dinâmico e esclarecido na frente de ataque, o que foi fundamental para aparecerem os golos que ditaram a vitória verde e branca. O número sete foi um dos autores dos tentos leoninos, marcando assim pelo segundo jogo consecutivo.

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Tiago Tomás – Se contra o Paços foi o destaque da partida, hoje contra o Mafra passou totalmente ao lado do encontro. Novamente a ser titular, o jovem avançado esteve muito escondido do jogo e nunca conseguiu criar espaços na frente de ataque leonina durante toda a primeira parte. Devido a isso, acabou mesmo por ficar no balneário, tendo sido rendido por Bruno Tabata.

 

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

A vitória convincente na partida de sexta-feira da Taça de Portugal abriu boas perspetivas para o encontro que poderia garantir a ida à Final Four pela quarta época consecutiva. O treinador leonino Rúben Amorim tinha prometido várias mudanças no seu já bem trabalhado 3-5-2, com os grandes destaques a serem o regresso de Pedro Gonçalves e as titularidades de Daniel Bragança e Gonzalo Plata. A turma de Alvalade sabia que os visitantes estavam motivados para fazer uma surpresa, mas a vontade em voltar à Final Four era muito elevada.

No primeiro tempo, as várias alterações no onze inicial acabaram por ter um efeito negativo na forma do Sporting jogar e que tem dado bons resultados até ao momento: alguma lentidão, a ausência de criatividade para criar perigo à defesa do Mafra e foi sem surpresas que não houve grandes oportunidades nos primeiros 45 minutos do jogo e foi tudo empatado a zero para a segunda parte.

A segunda parte já foi uma conversa totalmente distinta, em que as entradas de Nuno Mendes e Bruno Tabata ajudaram o Sporting a ser mais perigoso na frente de ataque, e isso acabou por desbloquear a partida para o lado da casa que garante mais uma ida à Final Four.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Luís Maximiano (6)

Antunes (5)

Gonçalo Inácio (6)

Cristián Borja (6)

Eduardo Quaresma (5)

Daniel Bragança (7)

Matheus Nunes (5)

Pedro Gonçalves (6)

Gonzalo Plata (7)

Andraz Sporar (6)

Tiago Tomás (4)

SUBS UTILIZADOS

Nuno Mendes (6)

 Bruno Tabata (7)

João Mário (5)

Pedro Porro (-)

João Palhinha (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – CD MAFRA

Com vontade de fazer história na Taça da Liga, o Mafra veio a Alvalade com o pensamento de tentar causar uma surpresa e chegar pela primeira vez à Final Four da prova. Para isso, o técnico Filipe Cândido apresentou o seu melhor onze no habitual sistema 4-4-2, com o experiente Abel Camará a ter a responsabilidade de tentar voltar a marcar como já havia acontecido no passado.

Durante o primeiro tempo, na transição ataque-defesa, os visitantes passavam a estar dispostos num 4-3-3, com Camará a baixar para extremo direito, de forma a ter mais um homem no miolo e tentar estancar a iniciativa ofensiva pelo meio do Sporting. A estratégia deu frutos já que, durante toda a primeira parte, o atual quarto classificado da Segunda Liga não teve lances de maior perigo junto da sua baliza e conseguiu manter o resultado a zero na ida para o descanso.

A resistência forasteira durou até aos 64 minutos, altura em que Sporar fez o primeiro golo da partida que ajudou o Sporting a passar à próxima fase da Taça da Liga. Mesmo depois de sofrer o 2-0, o Mafra não baixou os braços e ainda tentou fazer o golo de honra, mas sem sucesso. Uma exibição positiva da equipa da Segunda Liga mesmo tendo sofrido um desaire.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Carlos Henriques (5)

Tomás Domingos (5)

João Miguel (5)

Miguel Lourenço (5)

Gui Ferreira (6)

Cuca (5)

João Graça (5)

Carlos Daniel (5)

Rodrigo Martins (6)

Abel Camará (5)

Stevy Okitokandjo (6)

SUBS UTILIZADOS

Rúben Ramos (4)

Kaká (4)

João Cunha (4)

Andrezinho (5)

Nuno Campos (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Sporting CP

Não foi possível colocar pergunta ao treinador do Sporting CP, Rúben Amorim.

CD Mafra

BnR: Apesar da derrota, o Mafra bateu-se com o atual líder da Primeira Liga. Esta exibição positiva dá-lhe ânimo para o futura da sua equipa na Segunda Liga e, quem sabe, atacar a subida, visto que neste momento o Mafra está a quatro pontos do primeiro lugar?

Filipe Cândido: Nem por isso. Desde a primeira hora em que entramos no Mafra, temos os objetivos bem definidos que prendem-se com o atingir o mais depressa possível a manutenção. Eu prefiro sempre entrar forte no campeonato que foi o que fizemos com mérito, fazendo a equipa chegasse a este jogo nesta fase. Aquilo que mais pedi aos jogadores é que eles fossem na mesma fiéis às ideias que temos vindo a desenvolver na nossa Liga, poderem potenciar-se através da exibição coletiva, para depois as individualidades acabassem por se evidenciar e manifestar a qualidade que têm, e foi isso que viemos à procura de fazer. Penso que esse objetivo foi conseguido, e por isso estou feliz com a exibição feita. Obviamente triste pelo resultado, mas a essência do ser humano passa por sonhar e acreditar que é possível mesmo quando se defronta provavelmente a melhor equipa a jogar em Portugal. Isso não vai mudar em nada a nossa postura na nossa Liga, que é muito competitiva e com equipas que efetuaram um investimento mais elevado que o nosso, mas isso não nos amedronta nunca e vamos continuar a ser iguais a nós próprios, tentando valorizar os nossos ativos e, dessa forma, ser mais fortes que os adversários para vencer o máximo de jogos possível e isso é o nosso objetivo.

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