A CRÓNICA: SÓ UM ERRO PARA DESATAR O NÓ QUE AS EQUIPAS DERAM

Duelo de segunda, à segunda-feira, pela segunda vez na época. Se no primeiro confronto da época a vitória caiu para a Académica, desta vez, em jogo a contar para a terceira eliminatória da Taça de Portugal, o Varzim procurava um resultado mais feliz. Fruto dos condicionalismos a que os poveiros estiveram sujeitos durante a semana devido à covid-19, a missão não de adivinhava fácil.

Talvez por isso, o jogou iniciou-se com mais posse para a Briosa, que não fez grandes alterações na sua equipa, mas com o Varzim sempre a tentar aproveitar a velocidade dos seus homens mais adiantados. Os primeiros sinais de perigo foram da Académica e vieram dos pés de Sanca que fez a vida negra a Rui Silva no lado direito. Com o fluxo do jogo a pender mais para o lado da Académica, as oportunidades sucediam-se e aos 15 minutos foi Bouldini que quase faturou, mas, só com o guarda-redes do Varzim pela frente, não fez melhor do que atirar por cima.

O jogo assentou e o Varzim adotou uma posição de maior expectativa. Quando os varzinistas tentavam pressionar mais alto, os estudantes superavam facilmente a pressão e os forasteiros passavam por dificuldade ao tentarem controlar o jogo entre linhas da Briosa. Num desses lances, Bouldini e Sanca foram novamente figuras maiores. O ponta de lança isolou o extremo que se vislumbrou com tantas facilidades e acabou por não concretizar.

Sem adeptos e sem golos, era difícil fazer-se a festa da taça. Fabinho tentou animar a coisa e quase aproveitou um mau alívio de Isma para alvejar a baliza dos lobos do mar. O aviso estava dado. No entanto, o jogo nem atava nem desatava. Só um erro poderia alterar o rumo dos acontecimentos. Esse erro surgiu mesmo e foi novamente Isma a comprometer. O guarda-redes poveiro adormeceu com a bola nos pés, Bouldini roubou-lha e só teve que encostar. O Varzim reagiu e quase que André Vieira empatava o jogo, após fugir pela direita. Valeu uma bela intervenção de Mika.

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O resultado não se viria a alterar e foi mesmo a Académica a seguir em frente na Taça de Portugal.

A FIGURA

Fonte: Liga Portugal

Sanca- Show de bola foi o que Sanca apresentou em campo nesta partida. A falta de público não coibiu o jovem fantasista de dar espetáculo e de criar perigo fazendo-o. Não foi suficientemente eficaz para marcar ou assistir, mas foi dinâmico, atrevido e eficiente o suficiente para movimentar e fazer progredir o jogo da Briosa e para merecer a distinção de Figura do Jogo BnR.

 O FORA DE JOGO

Fonte: Varzim SC

Isma- O empate a zero parecia ser o objetivo primordial de um expectante Varzim SC, procurando levar a partida para prolongamento e eventualmente para as grandes penalidades. Ismael, jovem guarda-redes poveiro, abateu esse desiderato do clube da Póvoa, oferecendo o golo da vitória aos conimbricenses. Antes desse lance capital, Isma já havia feito tremer a sua própria equipa, colocando-a em xeque por erro próprio.

ANÁLISE TÁTICA – ACADÉMICA/OAF

A Académica OAF dividiu – com alguma irmandade – o seu ataque posicional entre a construção a dois – os centrais – e a construção a três – os centrais com o acréscimo de Bruno Teles, mas sempre com o intuito de tornar o seu jogo o mais vertical possível, fosse com a procura de apoios frontais, queimando linhas com passes de rutura, fosse com Traquina e Sanca – sobretudo, este último – a queimarem essas mesmas linhas em lances individuais ou com o apoio para as triangulações de Bouldini ou Fabinho.

Além da procura pela verticalidade, a Briosa procurava também dar total largura ao seu jogo, com os alas e os laterais – ora em simultâneo, ora em alternância – a proporcionarem a dita largura total. As movimentações dinâmicas de Traquina, Sanca e Fabinho na fronteira entre os dois últimos terços do terreno eram constantes e permitiam que a Briosa encontrasse sempre linhas de passe verticais.

Em contrabalanço, Ricardo Dias e Guima equilibravam o meio-campo dos estudantes em ataque, precavendo qualquer transição defensiva que fosse necessária executar. A defender, a turma de Rui Borges impunha uma pressão mais alta e mais intensa do que os seus homólogos poveiros, com Bouldini e Fabinho na primeira pressão, suportada pela linha de quatro composta por Dias e Guima e pelos alas, Sanca e Traquina.

A linha de quatro defesas era a última parede que o Varzim SC se via obrigado a contornar nos seus ataques em posição. No entanto, não raras vezes, o 4-4-2 que a Académica OAF apresentava a defender descaía para um 4-1-3-2, com Ricardo Dias a servir de pêndulo entre as linhas de quatro e de três.

Importa destacar o papel duplo desempenhado por Fabinho que, consoante necessário e pedido por Rui Borges, dividiu a sua vivência em campo entre médio descarado e avançado não menos destacado.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Mika (6)

Fabiano (6)

Rafael Vieira (6)

Silvério (6)

Bruno Teles (6)

Guima (5)

Ricardo Dias (6)

Fabinho (6)

Traquina (7)

Sanca (8)

Bouldini (7)

SUBS UTILIZADOS

Mimito (5)

Filipe Chaby (5)

 

 ANÁLISE TÁTICA – VARZIM SC

O Varzim SC defendia em 4-5-1, com George (bem) isolado na frente da pressão – que os poveiros não faziam questão de tornar intensa – e com a linha de cinco constante e dinamicamente perdendo e recuperando um homem à medida que a Académica OAF circulava a bola entre corredores – sem progredir entre setores.

Por vezes, contudo, o 4-5-1 transmudava-se num 4-1-4-1, com Tembeng a fazer no lado poveiro o que Ricardo Dias fazia no lado academista: servir de pêndulo e elo entre a linha de quatro mais recuada e linha, neste caso, também de quatro que jogava na sua dianteira.

Assim, o homem da Póvoa mais próximo da bola dava uma pequena corrida para pressionar o homem da bola e recuperava imediatamente a posição na linha de cinco (já que raramente recuperava a bola). Poucas recuperações, pouca bola. Os ataques poveiros eram, então, fugazes e, pelo menos na forma tentada, pragmáticos.

As bolas longas eram o recurso mais utilizado pelos comandados de Miguel Leal. Nos poucos momentos de ataque em posição, o Varzim SC apostava numa construção a três, na qual os centrais alvinegros (hoje, no seu fato negro alternativo) cediam espaço entre si ao médio mais defensivo Tembeng ou jogavam lado a lado combinando com um dos laterais.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Isma (4)

Rui Silva (5)

Luís Pedro (5)

André Micael (5)

Rui Coentrão (5)

Tembeng (5)

Diarra (5)

Rui Moreira (5)

Lessinho (5)

Fatai (5)

George (5)

SUBS UTILIZADOS

Rentería (5)

André Vieira (6)

Michael Douglas (-)

Yusuf (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

 

ACADÉMICA

Bola na Rede: Este não era jogo para experimentar outros jogadores que não têm sido opção tão regularmente?

Rui Borges: As oportunidades surgem a qualquer momento, não é na taça, até porque não jogámos a semana passada. Mesmo as equipas da Primeira Liga fazem poucas mudanças, tirando Porto e Benfica. O campeonato é longo, vão aparecer oportunidades para todos a qualquer momento.

Bola na Rede: Rui Borges elogiou o seu desempenho, mesmo estando condicionado. É esse espírito de sacrifício que pode levar ao sucesso da equipa?

Traquina: É sempre bom saber desses elogios por parte do treinador. O que eu faço é treinar e manter-me a 100% para que me possa apresentar nas melhores condições. Cada jogador trabalha para isso. Simplesmente faço o meu trabalho. Tanto eu como os meu colegas estamos mais empenhados em manter a boa prestação coletiva.

VARZIM

Bola na Rede: Os condicionalismos que teve durante a semana impediram uma estratégia mais proativa para o jogo e uma melhor reação ao golo sofrido?

Miguel Leal: Temos uma equipa com jogadores que há um mês que não treinavam, acho que demos uma resposta muito boa face à problemática. Tínhamos previsto defender posicionalmente, mas não tão em baixo. Os primeiros 15 minutos não foram felizes. Perdemos muitas bolas, que é uma característica desta equipa. Estou há um mês e meio no clube e é muito difícil mudar tudo. Temos que dar os parabéns a quem ganhou, que foi superior. Ano entanto, a equipa deu uma resposta positiva.

 

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