A CRÓNICA: SL BENFICA DOMINA, MAS AINDA MOSTRA ALGUMAS FRAGILIDADES

Hoje foi noite de Prova Rainha: SL Benfica e GD Estoril-Praia mediam forças nesta que foi a primeira mão da meia-final da competição. Atenção para as tropas encarnadas porque, pela frente, iriam ter um autêntico tomba-gigantes que, para chegar até aqui, teve que eliminar Boavista FC, Rio Ave FC e também CS Marítimo.

O jogo começou agitado e com emoção. E a verdade é que os primeiros minutos só deram Benfica. As águias entraram com garra e não deixaram mesmo o Estoril respirar. Sem argumentos, a equipa da Linha colocou todo o seu bloco muito recuado como forma de evitar o golo do adversário. Já o Estoril-Praia não estava a conseguir encontrar linhas de passe e, estava de tal forma “asfixiado”, que esteve largos minutos “encostado às cordas” sem conseguir sair do seu meio-campo defensivo. Apesar disto, e como a bola por vezes também sabe ser madrasta, quem se adiantou no marcador foi mesmo o conjunto estorilista.

Aos 23 minutos, completamente contra a corrente do jogo, André Vidigal marca o primeiro tento da noite. A ameaça surgiu de contra-ataque rápido pelo corredor esquerdo impulsionado pelo autor do golo. Depois disso, a bola sobra para Joãozinho que cruza para a receção de peito de Murillo. O avançado serviu depois André Vidigal, que só teve de encostar. O Benfica reagiu bem ao golo. Quis desde cedo resolver a questão da desvantagem. Mas se há coisa que estes primeiros minutos nos mostraram, é que nem sempre o resultado espelha o que está a acontecer dentro das quatro linhas. E, dentro delas, os encarnados estavam bastante agressivos à perda da bola e a colocar muita pressão desde logo na primeira fase de construção estorilista. O Estoril não estava a conseguir passar novamente da segunda fase de construção. O Benfica estava com muito caudal ofensivo, mas não estava a ser feliz na finalização.

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Aos 43 minutos, Darwin cabeceia na área, mas Thiago Rodrigues sacode para canto depois de uma grande defesa. A ameaça estava feita e foi consumada pelo mesmo protagonista no lance seguinte. Aí, Darwin conseguiu vingar-se e volta a tentar de cabeça. Só que desta vez tentou e conseguiu mesmo. E estava feito o empate mesmo perto do regresso aos balneários.

A segunda parte continuou no mesmo tom. Mais Benfica e um Estoril a jogar como podia. Apesar do controlo, o conjunto de Jorge Jesus não conseguiu ser tão incisivo como no primeiro tempo, pelo menos nos primeiros minutos da segunda parte. Graças a isso, a equipa da casa até conseguiu ter mais bola, mas não estava a conseguir chegar-se à frente.

E se o Estoril não conseguiu, Everton tratou de não pedir licença. É pela esquerda, numa diagonal, que o brasileiro consegue criar perigo na área adversária e, depois de alguma hesitação dos jogadores encarnados de caras para a baliza, foi o suíço Seferovic que descomplicou e colocou, assim, a sua equipa em vantagem nesta eliminatória aos 68 minutos. E foi como o abrir da rolha. O Estoril acabou por se expor mais no jogo depois do golo encarnado e voltou a ver-se um pouco do Benfica da primeira parte. Só que desta vez com uma diferença: foi francamente mais feliz.

Aos 77′, Darwin Núñez marca para o segundo das águias. Destaque para um excelente trabalho de Adel Taarabt que, depois de uma arrancada pela direita em que começa a descair para perto da área, assiste para o avançado que, bem posicionado, só teve de encostar. Um jogo intenso, mas, felizmente, sem casos.

O Benfica segue assim em vantagem na primeira mão da meia final da Taça de Portugal. Restava saber o desfecho da segunda parte deste medir de forças, esta já no Estádio da Luz.

 

A FIGURA

SL Benfica
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Diogo Gonçalves – Este jogo pede por mais oportunidades na equipa de Jorge Jesus. Diogo Gonçalves apareceu muito no jogo, foi exímio nos passes, esteve envolvido em duas ocasiões flagrantes do Benfica e acabou, sempre que pôde, por procurar espaços na frente para que os seus colegas conseguissem criar perigo na frente.

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Miguel Crespo – Bem sabemos que esta noite não se adivinhava nada fácil para o médio estorilista. E escolho este como o fora-de-jogo porque, face à qualidade, esperava mais de Miguel Crespo. Mereceu atenção redobrada por parte dos jogadores encarnados e isso acabou por condicionar algumas ações durante o jogo.

 

ANÁLISE TÁTICA – GD ESTORIL-PRAIA

Em relação ao último duelo frente à Académica OAF, Bruno Pinheiro apresentou sete novidades: do onze inicial saíram Daniel Figueira, João Diogo, Marcos Valente, João Gamboa, Bruno Lourenço, Jean Amani e Harramiz. Quanto às novidades, Thiago Rodrigues, Hugo Gomes, Carles Soria, Rosier, Zé Valente e André Vidigal e Murilo começaram de início.

O Estoril-Praia apresentou um bloco muito recuado num 5-4-1. Conseguiu defender muito bem, mas o que é certo é que não conseguiu fazer muito mais do que isso. Esteve a jogar praticamente no seu meio-campo, mas a pressionar sempre com três homens o portador da bola. Uma equipa que veio com a lição bem estudada, mas indiscutivelmente com muito menos argumentos do que os encarnados. Ainda assim, conseguiu causar estragos em algumas jogadas rápidas (uma delas até deu mesmo em golo), sobretudo na primeira parte.

11 INICIAIS E PONTUAÇÕES

Thiago Rodrigues (5)

Carles Soria (5)

Hugo Basto (6)

Hugo Gomes (5)

Joãozinho (5)

Loreintz Rosier (6)

Zé Valente (6)

Miguel Crespo (4)

André Clóvis (5)

André Vidigal (6)

Murilo (5)

SUBS UTILIZADOS

João Gamboa (5)

João Carlos (5)

Bruno Lourenço (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

Do lado do SL Benfica, também houve muitas mexidas: foram seis as alterações com a saída de Vlachodimos, Gilberto, Weigl, Taarabt, Cervi e Seferovic. Esta noite Helton Leite, Diogo Gonçalves, Rafa, Gabriel, Pizzi e Pedrinho são as novidades no onze inicial montando no seu habitual 4-4-2.

Houve muito Benfica no último terço, com Rafa e Pedrinho a conseguirem perfurar com alguma facilidade a linha mais recuada do Estoril. Por outro lado, houve alturas em que Darwin apareceu muito sozinho na frente e desapoiado. Notou-se também uma especial atenção para não permitir que o adversário não conseguisse passar da segunda fase de construção e, para isso, houve especial atenção em Miguel Crespo no meio-campo.

Apesar do domínio, evidenciaram-se os mesmos problemas no jogo das águias: um bocadinho mais de velocidade e os encarnados mostravam dificuldades em responder às investidas aversárias. Prova disso foi o golo do Estoril aos 23 minutos.

11 INICIAIS E PONTUAÇÕES

 Helton Leite (5)

Diogo Gonçalves (7)

Otamendi (5)

Vertonghen (6)

Grimaldo (6)

Rafa (5)

Gabriel (6)

Pizzi (5)

Everton (6)

Pedrinho (6)

Darwin (6)

SUBS UTILIZADOS

Seferovic (6)

Weigl (5)

Taarabt (6)

Gilberto (5)

Cervi (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA 

SL Benfica

Não foi possível colocar questões ao técnico do SL Benfica, Jorge Jesus

GD Estoril-Praia

BnR: Notou-se uma especial atenção dos jogadores do Benfica em condicionar as ações do Miguel Crespo. Jorge Jesus, inclusive admitiu isso mesmo há pouco. E também impedir que o Estoril chegasse à segunda fase de construção. Pergunto-lhe se já estava à espera dessa marcação tão apertada sobre o jogador e em que medida é que isto acabou por condicionar a construção de jogo do Estoril.  

Bruno Pinheiro: O nosso jogo não passa pelo Miguel Crespo. Passa por todos os jogadores e na interpretação dos espaços que nos derem. Se tiverem foco no Crespo, outro jogador terá a liberdade para desequilibrar. Não me parece que passe por aí. Agora o Miguel Crespo tem feito uma temporada fantástica, mas está cansado. É um jogador com uma inteligência tática muito grande, com uma disponibilidade física e mental tremenda para crescer, para evoluir e para apender. E, sinceramente, se tomaram conta dele acho que fizeram bem, mas acho que não passa por aí.

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