A CRÓNICA: CARVALHAL MOSTROU QUE CONHECIA O CAMINHO PARA A GLÓRIA

Fora da zona à qual estamos tão habituados a ver a Final da Taça de Portugal, SC Braga e SL Benfica deslocaram-se até ao centro do país para disputar a Prova Rainha no Estádio Cidade de Coimbra. Aquela que era a primeira Final entre bracarenses e águias já se revestia de um carácter histórico e também decisivo, ou não estaríamos nós a falar do possível primeiro troféu para uma destas duas equipas.

O encontro começou, como já era esperado, muito renhido e jogado a meio campo. Porém, os Guerreiros do Minho não se intimidaram perante uma muralha negra dos jogadores do Benfica. A “brecha” foi encontrada por Ricardo Esgaio e quem furou a muralha foi o Abel Ruiz. Encontrou-se a falha e o mal já estava feito pela armada comandada por Jorge Jesus: Helton Leite acabou expulso por derrubar ainda fora da área o avançado espanhol. Voltava-se a repetir a história no mesmo estádio como o ano transato. A diferença é que se desenrolava um enredo contra o Benfica e não a favor da formação encarnada.

Minuto 40, podia ter sido muito bem a parte da história que os adeptos bracarenses quisessem que acontecesse. Contudo, foi São Otamendi (nem nunca os benfiquistas pensariam tal coisa) a salvar um golo cantado a Ricardo Horta, depois uma abertura perfeita de Al Musrati. Depois, houve duas ocasiões para o Benfica marcar, mas uma foi não tão ao lado e outra foi Matheus a salvar, já nos descontos da primeira parte.

Não há melhor forma de terminar uma primeira parte do que a marcar e foi o aconteceu ao SC Braga. Novo erro defensivo, agora de Vertonghen a meias com Vlachodimos, e Lucas Piazón para fazer uma chapelada com uma aba bem perfeita. É caso para dizer que destes chapéus «[não] há muitos»! Era os bracarenses que estavam na frente da grande Final.

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A segunda parte teve de tudo, principalmente para o lado dos bracarenses. Foram diversas as oportunidades desperdiçadas pelos homens de Carlos Carvalhal que viram Vlachodimos negar o golo ou então a pontaria não ser a mais indicada. O resultado ia sendo o mesmo e apesar de um jogo interessante imposto por um Benfica reduzido a dez era sempre os Guerreiros do Minho a estarem mais próximos de marcar.

De estar perto, o Braga acabou mesmo por marcar. Depois de uma grande recuperação de Ricardo Esgaio, Abel Ruiz recebeu a bola em zona frontal e encontrou Ricardo Horta que resolveu a questão “à bomba”! Um golo que fechou as contas desta Taça de Portugal e ofereceu de mão beijada o terceiro troféu da história para os bracarenses. Uma vitória justa de uma equipa que conhecia bem as fraquezas da outra, sendo que o trabalho durante o jogo foi fácil de realizar.

A partida não terminou sem antes existir uma cena totalmente lamentável perto do banco do SC Braga. Adel Taarabt e também Abel Ruiz acabaram expulsos numa altura em que devia ser a festa a reinar e não a confusão. Imagens lamentáveis.

 

A FIGURA
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Wenderson Galeno – Pelo trabalho ofensivo e também pela ajuda defensiva que ofereceu ao lado de Sequeira merece que o ponhamos como melhor em campo. É verdade que Ricardo Esgaio está envolvido nos lances capitais desta Taça de Portugal e que Abel Ruiz foi um desequilibrador nato. Contudo, pelo trabalho a dobrar que o brasileiro teve merece este prémio.

O FORA DE JOGO
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Helton Leite – Tantas vezes foi criticado o Vlachodimos pelas suas saídas tardias à bola e parece que o erro voltou-se a repetir e não foi com o mesmo personagem. Uma desastrosa saída por parte do guarda-redes brasileiro que não ajudou de todo a sua equipa. Apenas tornou aquilo que era um jogo complicado num extremamente difícil de ser vencido com dez elementos.

 

ANÁLISE TÁTICA – SC BRAGA

Carlos Carvalhal a apostar as fichas todas para esta Final da Taça de Portugal e talvez a única surpresa no onze foi mesmo a entrada de Lucas Piazón.

O SC Braga que a nível defensivo tinha vários sistemas táticos, tornando-se assim muito camaliónico. Houve situações em que podia jogar em 5-4-1 com Abel Ruiz mais avançado, também em 5-3-2 com a ajuda de Ricardo Horta. A atenção dada à defesa era feita por Galeno. De ressalvar ainda o encaixe perfeito por parte dos bracarenses no momento defensivo que não permitiam os encarnados sair a jogar de modo fácil.

Nos momentos mais atacantes, a equipa de Carlos Carvalhal tinha uma variação entre um 4-4-2 e um 4-3-3, onde Lucas Piazón acabava por subir para ajudar os dois jogadores da frente: Ricardo Horta e Abel Ruiz. As entradas na segunda parte de João Novais e de André Horta não alteraram grande coisa daquilo que era o sistema tático dos bracarenses.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Matheus (6)

Sequeira (5)

Tormena (5)

Raul Silva (5)

Ricardo Esgaio (6)

Al Musrati (7)

Castro (5)

Galeno (8)

Lucas Piazon (7)

Ricardo Horta (5)

Abel Ruiz (7)

SUBS UTILIZADOS

João Novais (5)

André Horta (5)

Andraz Sporar (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

Apesar da saída forçada de Lucas Veríssimo, Jorge Jesus quis manter o sistema tático que vem implementando esta temporada e manteve a defesa com três centrais. A surpresa para esta final era provavelmente a entrada do jovem brasileiro Morato para o lugar do central compatriota, que está lesionado. Por isso, seria fácil de adivinhar que encontrássemos um 3-5-2 ou um 5-2-3 por parte dos encarnados.

Ao minuto 17, contrariedade enorme para Jorge Jesus que teve de retirar Pizzi para introduzir na partida Odysseas Vlachodimos. A expulsão de Helton Leite levou a que existisse esta troca e era agora Adel Taarabt a assumir o centro do meio-campo como jogador mais avançado. Haris Seferovic tinha de recuar na sua posição e descair um pouco mais para o lado direito do ataque.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Helton Leite (2)

Alex Grimaldo (5)

Jan Vertonghen (4)

Nicolas Otamendi (6)

Morato (4)

Diogo Gonçalves (5)

Julian Weigl (6)

Adel Taarabt (5)

Pizzi (-)

Everton (4)

Haris Seferovic (4)

SUBS UTILIZADOS

Odysseas Vlachodimos (6)

Rafa Silva (5)

Nuno Tavares (4)

Darwin Nuñéz (5)

Chiquinho (-)

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