SG Sacavenense 1-3 CD Aves: Para passar em Sacavém, é preciso sofrer

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O detentor da Taça de Portugal, o Desportivo das Aves, prossegue na ‘Prova Rainha’ do futebol português após uma visita complicada ao terreno do Sport Grupo Sacavenense, equipa que disputa a série D do campeonato de Portugal. Os avenses nunca estiveram em desvantagem na partida, mas a partida no Complexo Desportivo Elias Pereira, em Sacavém (de relvado sintético) esteve longe de estar resolvida.

Fez-se Taça durante 90 minutos. Pouco depois do inicial, tínhamos o conhecido narrador de futebol – Nuno Matos – a equiparar, por brincadeira no seu relato em direto, o Sacavenense e o Desp. das Aves ao Milan e ao Paris Saint-Germain, respetivamente, devido à cor das camisolas. De facto, foi uma partida em que vimos os detentores da Taça a comportarem-se como uma equipa grande e a mostrar superioridade perante o Sacavenense que mostra ter vários argumentos no seu estilo de jogo para se agigantar.

A peça chave do Sacavenense na primeira parte foi camisola 16, Ivo Braz. O extremo esquerdo da equipa da casa fez várias incursões para dentro da área do Aves e ia causando algum perigo. A bola chegava a este jogador pelo solo e também pelo ar, especialmente do lado do oposto do campo, em que estava o lateral direito – Rui Martins – a passar longo. O jogo era virado constantemente.

As oportunidades foram surgindo para as duas equipas, mas as centenas de pessoas presentes no campo do Sacavenense deram sempre o parecer de que a equipa pelo qual puxavam estava a fazer e melhor. No entanto, “bate a realidade” e tudo muda com o Aves a abrir o marcador. Rodrigo bate o livre do lado direito para o primeiro poste, onde estava o defesa central Diego Galo para cabecear certeiro (0-1) aos 33 minutos.

Ivo Braz foi o autor do grande golo do Sacavenense e mereceu o aplauso da tarde
Fonte: Francisco Correia/Bola na Rede

Quando parecia que o Desportivo das Aves ia dominar o resto do jogo, eis que o Sacavenense começa a verdadeira demonstração de não deitar a toalha ao chão. No minuto seguinte ao golo, livre do meio campo para a área dos avenses e Diogo Duque cabeceia do segundo poste para uma defesa apertada de André Ferreira. O público do Sacavenense levanta-se dos seus lugares com uma euforia que iria bater recordes na jogada seguinte.

A equipa de Sacavém roubou a bola a Derley no meio campo – onde ficou a pedir falta e muito queixoso do braço – e partiu para um contra-ataque. A bola chegou, novamente, a Ivo Braz que, do lado esquerdo da área do Aves, fez uma roleta à Zidane espetacular para contornar Rodrigo e rematou para um golo que jamais irá esquecer (1-1). André Ferreira ainda defendeu, mas a bola foi para dentro da baliza e estava restabelecido o empate, após um golaço que certamente será viral. A equipa técnica do Aves ainda esteve também a pedir fora de jogo neste lance, antes do movimento técnico de Ivo.

Apesar de o Sacavenense mostrar que ia jogar olhos nos olhos contra o adversário da Primeira Liga, o Desportivo da Aves foi mantendo a sua estratégia ao longo da partida. Derley era a referência na frente de ataque, mas veio diversas ao meio campo para recolher a bola e projetar os extremos Amilton e Mama Baldé que iam sempre trocando de corredor. Desta forma, o Aves chegou ao 1-2 aos 41’ com Mama Baldé, pelo lado esquerdo, a assistir para Derley que cabeceou para o fundo das redes de Cardoso.

A segunda parte chegou e o jogo continuou a ser muito intenso, com a maioria da multidão em Sacavém a torcer, claro, pelo Sacavenense. Muitas bolas disputadas a meio campo, várias disputas e cortes de bola pelas alas, bem como oportunidades de parte a parte com maior e menor perigo.

Equipa do Sacavenense aproveitou pausa no jogo para beber água e comer… bananas!
Fonte: Francisco Correia/Bola na Rede

Ivo Braz tinha sido, entretanto, substituído por Luís Mota que também mostrou ser uma das armas do ataque da equipa de Bruno Dias. No entanto, o guarda-redes escolhido por José Mota nesta partida da Taça, André Ferreira, mostrou claramente que mais nenhuma bola iria passar na baliza do Aves.

O conjunto de Sacavém esteve nos últimos 15 minutos praticamente dentro do meio campo do Desportivo das Aves e a ansiedade aumentava. Já para lá do tempo regulamentar, o Sacavenense beneficia de um livre do lado direito da área do Aves e Bruno Dias manda toda a equipa subir, incluindo o guarda-redes Cardoso. A finalidade da bola parada não foi a esperada e o Desportivo da Aves conseguiu correr com a bola até à despida baliza da equipa da casa. Nildo remata sem problemas para fechar o resultado em 1-3 momentos antes do apito final.

O Sacavenense já não perdia em casa para jogos oficiais desde o dia 3 de dezembro do 2017, altura em que perdeu 0-1 frente ao Loures. Apesar da derrota, os homens de Bruno Dias provaram nesta terceira eliminatória da Taça de Portugal que o seu reduto é uma autêntica muralha, quer na competição que disputa, o Campeonato de Portugal, quer em outras competições que vai lutando para ter a oportunidade de participar. Já o Desportivo das Aves, pode continuar a sonhar em marcar nova presença (e consecutiva) na final do Jamor.

Onzes iniciais:

SG Sacavenense – Cardoso; Fernando Almeida, Diogo Duque, André Pires e Diogo Martins;  João Job (Luther King 83′), Carlos Saavedra (Rui Martins 70′) e Joel Neves; Xavier Fernandes, Ivo Braz (Luís Mota 57′) e Iaquinta.

CD Aves – André Ferreira; Rodrigo Soares, Rodrigo Defendi, Diego Galo e Nélson Lenho; Vitor Gomes, El Adoua e Fariña (Braga 60′); Mama Baldé (Nildo Petrolina 71′), Amilton (Tong Lee 90+4′) e Derley.

 

Francisco Correia
Francisco Correiahttp://www.bolanarede.pt
Desde os galácticos do Real Madrid, do grandioso Barcelona de Rijkaard e Guardiola, e ainda a conquista da Liga dos Campeões do Porto de Mourinho em 2004, o Francisco tem o talento de meter bola em tudo o que é conversa, apesar de saber que há muitas mais coisas que importam. As ligas inglesa e alemã são as suas predilectas, mas a sua paixão pelo futebol português ainda é desmedida a par com a rádio. Tem também um Mestrado em Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa.                                                                                                                                                 O Francisco não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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