Mourinho Félix: o adeus ao primeiro Especial

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Cabeçalho Futebol NacionalNunca atingiu o patamar que consagrou o filho como um dos melhores treinadores da história do futebol, passando-lhe assim a marca registada do nome Mourinho. Mas por detrás do fenómeno que é José, estava o homem que, mais do que o ter criado como pessoa, o criou e influenciou como treinador: o seu pai.

Mourinho Félix e a sua obra podem ser desconhecidos para a maioria dos adeptos de futebol – principalmente para os mais novos – mas o seu legado, ainda que menos famoso, é bonito e deixou marca no melhor treinador português de todos os tempos e na Liga Portuguesa. Costuma-se dizer, infelizmente, que as homenagens dos mais anónimos chegam sempre depois da morte, para que, tempo depois, sejam novamente condenados ao esquecimento. Desejando que não seja esquecido, eis a nossa homenagem a José Manuel Mourinho Félix, materializada na sua história.

Nascido a 12 de fevereiro de 1938, em Lagoa, Ferragudo, Mourinho Félix dedicou toda a sua vida profissional ao desporto, particularmente ao futebol. Apesar de discreta nos tempos atuais, teve uma longa e completa carreira, com funções distintas e com alguns títulos. Fez de tudo: foi jogador, treinador ou até as duas coisas ao mesmo tempo.

Mourinho Félix, como guarda-redes, ao serviço dos azuis do Restelo Fonte: Vitória FC
Mourinho Félix, como guarda-redes, ao serviço dos azuis do Restelo
Fonte: CF Os Belenenses

Tudo começou dentro das quatro linhas e logo na posição mais discreta do futebol, guarda-redes. Começou a carreira no clube onde a sua marca ficou mais vincada, o Vitória Futebol Clube, ou Vitória de Setúbal, decorria a época 1955/1956, há mais de 60 anos. A partir daqui surge toda uma dedicação aos sadinos que é rara de se ver atualmente. Foram 13 temporadas de verde e branco vestido, que incluíram pelo meio a conquista da Taça de Portugal em 1964/1965, o seu único título como jogador.

E Mourinho Félix podia ter sido mesmo um one-club man, não fosse a sua mudança para Os Belenenses, em 1968/1969. Aí ainda permaneceu por seis temporadas, sem títulos, mas com uma chamada à Seleção Nacional para a Mini Copa da Independência no Brasil, em 1972, disputando apenas um jogo, frente à Irlanda. De resto, foi em Belém que encerrou mesmo a sua carreira de jogador, após 19 temporadas no ativo.

Pendurou as luvas e as chuteiras para agarrar o bloco de notas: já tinha sido jogador-treinador no Belenenses, mas em 1970/1971 acabou por se dedicar totalmente ao banco. Passou por treze clubes, sendo eles: Os Belenenses, Est. Portalegre, Caldas, União de Leiria, Amora, Rio Ave, Varzim, União da Madeira, O Elvas, Paredes, Benfica de Castelo Branco, União de Santarém e Vitória de Setúbal, este último onde conseguiu um dos dois grandes feitos da sua carreira de treinador, a subida de divisão dos sadinos em 1981/1982. O outro foi a chegada ao Jamor com o Rio Ave, em 1984, sendo derrotado pelo FC Porto. Foi ainda campeão nacional da II Divisão com o Amora, em 1979/1980.

Contudo, fica para a história outra proeza, que agradecemos: a de ter criado José Mário Mourinho, o seu filho, melhor treinador português do século XXI, e que chegou a treinar.

 

A toda a família enlutada o Bola na Rede dedica este artigo como homenagem, endereçando-lhe os nossos mais sentidos pêsames.

Foto de Capa: Vitória FC

André Maia
André Maiahttp://www.bolanarede.pt
Durante os seus primeiros seis anos de vida, o André não ligava a futebol. Até que no dia 24 de junho de 2004, quando viu o Ricardo a defender um penálti sem luvas, se apaixonou pelo jogo. Amante da história de futebol e sempre com factos na ponta da língua, tem Cristiano Ronaldo e Rui Patrício como os seus maiores ídolos.                                                                                                                                                 O André escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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