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Pellegrino Matarazzo renova com a Real Sociedad

A Real Sociedad renovou o contrato com Pellegrino Matarazzo até 2027/28. O treinador vai para a segunda época ao serviço do clube basco.

Pellegrino Matarazzo viu o seu contrato renovado com a Real Sociedad, depois de chegar ao clube durante a temporada passada, sucedendo a Sergio Francisco. O treinador de 48 anos venceu na época passada a Taça do Rei e finalizou a La Liga no 10.º lugar.

O treinador estadunidense deixou claro o seu entusiasmo em relação ao que está por vir: «Estou satisfeito com o trabalho realizado até agora e, acima de tudo, entusiasmado com o que está para vir. Estabeleci uma excelente ligação com a gente de Gipuzkoa, com os jogadores, com toda a gente no clube. Partilhamos valores semelhantes, e isso facilita tudo».

«Não tenho qualquer problema com expectativas elevadas. Para ser sincero, rendemos muito bem sob pressão. Estamos entusiasmados com as competições que se avizinham nesta época e vamos dar o nosso melhor todos os dias para tirar o máximo partido delas», acrescentou Pellegrino Matarazzo aos meios oficiais do clube.

O presidente da Real Sociedad, Jokin Aperribay mostrou-se igualmente otimista: «O Rino deu tudo desde o primeiro dia e temos grandes esperanças de construir o nosso futuro juntos. Ser o melhor de segunda a sexta-feira é o que fará da Real Sociedad um grande clube, e temos de manter esse rumo».

Pellegrino Matarazzo tinha treinado o Hoffenheim e o Stuttgart, na Alemanha, antes de chegar a Espanha para treinar o Real Sociedad.

Alexias Putellas: «Isto é mais do que uma simples assinatura de contrato, é uma declaração ousada sobre o futuro do desporto»

London City anuncia Alexia Putellas como nova jogadora. A médio espanhola deixa o Barcelona 14 anos depois.

Alexia Putellas, médio de 32, deixa o Barcelona após 14 anos para assinar contrato com o London City. A espanhola já venceu a Bola de Ouro duas vezes.

Em declarações prestadas aos meios oficiais do clube, Alexia Putellas disse estar contente com o facto de assinar por um clube independente que é apenas dedicado ao futebol feminino: «Isto é mais do que uma simples assinatura de contrato, é uma declaração ousada sobre o futuro do desporto. Juntos, competiremos nos mais altos níveis, criando novas oportunidades comerciais e caminhos de desenvolvimento para a próxima geração de atletas femininas. Estou muito animada para começar este novo capítulo com o London City Lionesses. A ambição do clube e o seu firme compromisso em crescer como um clube independente exclusivamente feminino me inspiram profundamente. Estou ansiosa para causar impacto em campo enquanto lutamos por títulos», afirmou a espanhola.

Durante a sua longa passagem pelo Barcelona a jogadora fez parte de 503 jogos onde marcou 232 golos e fez 80 assistências. Alexia Putellas venceu ainda quatro Champions League Feminina, dez La Liga Feminina, dez Taças de Espanha, quatro Supertaças Feminina e cinco Taças da Catalunha.

FC Porto garante contratação de extremo de apenas 18 anos

Gideon Octabil é reforço do FC Porto. O extremo representava o Maverick SC, conjunto da Segunda Liga do Gana.

Gideon Octabil prepara-se para ser reforço do FC Porto nas próximas horas, de acordo com o jornal O Jogo. O extremo, que pode atuar do lado esquerdo e do lado direito, chega ao Dragão proveniente do Maverick SC, conjunto da Segunda Liga do Gana.

A ideia dos azuis e brancos é integrar o jovem de 18 anos nos escalões de formação, podendo mesmo atuar na equipa B, que está presente na Segunda Liga. O seu trajeto será pautado pelo seu desenvolvimento.

Nas últimas semanas, Gideon Octabil esteve a prestar provas no Hamburgo, emblema da Bundesliga.

Para sair? FC Porto recebe proposta superior a 1 milhão de euros por médio ex-Sporting

Domingos Andrade está a ser pretendido pelo Botafogo. O médio do FC Porto pode abandonar o Dragão neste mercado.

Domingos Andrade pode deixar o FC Porto neste mercado de transferências. De acordo com o jornal Record, o emblema do Dragão tem uma proposta de um milhão e duzentos mil euros feita por parte do Botafogo. As negociações vão avançar nos próximos dias, segundo a mesma fonte.

O médio não entra nos planos de Francesco Farioli e, caso se mantenha de azul e branco, deve encaixar novamente no plantel do FC Porto B, liderada por João Brandão. Domingos Andrade tem 23 anos e um contrato válido até 2028, com uma cláusula de rescisão de 30 milhões de euros.

O angolano fez parte da carreira no Sporting, mas chegou ao FC Porto proveniente do Felgueiras, em 2024, por 250 mil euros. Na última temporada realizou 28 encontros pelos B’s, com um golo marcado.

Pedro Proença destaca chegada de Jorge Jesus à Seleção Nacional: «Marca o início de uma cultura de vitória»

Jorge Jesus foi apresentado como novo selecionador nacional. Pedro Proença, presidente da FPF, falou na cerimónia de apresentação.

Jorge Jesus foi oficialmente apresentado esta sexta-feira como novo selecionador nacional. Na cerimónia realizada na Cidade do Futebol, Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, destacou a chegada do treinador português:

«Hoje iniciamos uma nova era na FPF. Uma era de ambição, do tamanho do nosso talento. É com enorme prazer que abrimos as portas para a apresentação do novo selecionador, no dia em que assinalamos 10 anos da vitória do Euro. Uma nova era. Um momento especial, um dia especial para a FPF, para nos lembrar de que devemos aspirar à grandeza. A apresentação de Jorge Jesus marca o início de uma cultura de vitória, um novo padrão de exigência. O perfil traduz o que queremos para esta fase: liderança, ambição, resultados. Assume uma seleção capaz de disputar Liga das Nações, Euro 2028 e Mundial 2030, em nossa casa. Uma nova etapa decisiva. Não chegamos apenas para competir, mas para vencer. É o nosso novo tempo, uma qualidade que não se amordaça nem se contem. Vai potenciar isso ao máximo, é este o ADN do futebol português. Ganhar, onde seja contra quem for. Não teremos medo de assumir que queremos ser a melhor seleção do mundo. Um treinador exigente, unânime, dos melhores da nossa história e mais importante, habituado a jogar para ganhar. Partilha connosco essa visão. Entras pela porta grande, numa das melhores seleções do mundo e cumpres um dos teus sonhos. Queremos jogar mais, jogar melhor. Contigo, estaremos mais perto de concretizar o nosso destino, ganhar. Bem-vindo. Viemos. Viemos todos para vencer».

Lê também todas as declarações de Jorge Jesus na apresentação como novo selecionador de Portugal.

Lorenzo Insigne é reforço da Sampdoria

Sampdoria anunciou a contratação de Lorenzo Insigne. O avançado italiano assinou um contrato válido por uma temporada, com mais uma de opção.

Lorenzo Insigne é oficialmente novo reforço do Sampdoria, numa transferência em definitivo. O avançado de 35 anos assinou um contrato até 30 de junho de 2027, com mais um ano de opção.

Durante a entrevista de apresentação, Lorenzo Insigne diz ter o objetivo de levar a Sampdoria de volta para a Serie A: «Na Sampdoria, para a levar de volta ao lugar que merece».

A Sampdoria desceu para a Serie B em 2022/23 e ainda não conseguiu voltar ao principal escalão do futebol italiano.

O internacional italiano fez a sua formação no Napoli, entre 2009 e 2012 esteve emprestado a três clubes Cavese, US Foggia e Pescara. Na temporada 2012/13 ganhou espaço na equipa do Napoli e assumiu um papel importante durante as dez épocas que esteve ao serviço do clube. Ao todo foram 434 jogos, 122 golos e 95 assistências.

Em 2022, o avançado foi para o Toronto FC onde passou quatro anos e totalizou 76 jogos, 19 golos e 16 assistências.

Na última temporada, Lorenzo Insigne voltou para o Pescara onde acabou por fazer apenas 13 jogos, marcar 5 golos e fazer três assistências.

Rafa Márquez é o novo selecionador mexicano

Javier Aguirre deixa a seleção mexicana. O seu substituto é Rafa Márquez com o objetivo de criar um projeto a longo prazo.

A federação mexicana de futebol oficializou a contratação de Rafa Márquez como novo treinador da seleção principal de futebol. O antigo internacional mexicano integrou a equipa técnica de Javier Aguirre durante o Mundial 2026 e assume agora a liderança da seleção.

No discurso de despedida, Javier Aguirre elogiou o novo treinador: «Ele está mais do que capacitado. Desta seleção, temos muita gente interessante, temos mais gente na Europa a jogar em alto nível. Temos mais dois ou três que acho que, pela idade, não estarão no próximo Mundial. O Rafa é um homem valioso, um grande treinador, espero que consiga fazer muito pelo México».

Rafa Márquez é uma das principais figuras do futebol mexicano, foi o capitão da seleção mexicana em cinco Campeonatos do Mundo. No auge da sua carreira como jogador representou o Barcelona durante sete temporadas.

Olheiro BnR | Jakub Kaminski

O Benfica fechou a contratação de Jakub Kaminski num negócio que vai rondar os 20 milhões de euros, resgatando-o à exigência da Bundesliga. Aos 24 anos, o internacional polaco aterra na Luz num momento crucial de maturidade, depois de uma época de 45 jogos, nove golos e três assistências ao serviço do Colónia. Esta não é uma contratação para vender camisolas ou encher os ecrãs com fintas virais no TikTok.

Trata-se de uma jogada de mercado com a assinatura bem visível de Marco Silva, que conseguiu antecipar-se a clubes como o Leipzig e o Brighton, autênticos especialistas no scouting europeu. O técnico sabe exatamente o que pediu: um jogador de alta rotação, com um histórico de lesões incrivelmente limpo, capaz de injetar no plantel o ritmo competitivo e a agressividade vertical que muitas vezes escasseou.

Jakub Kaminski Benfica
Fonte: Benfica

Para percebermos o impacto que Kaminski pode ter no xadrez do Benfica, é imperativo desmistificar logo o seu perfil. Ele não é um extremo desequilibrador no sentido clássico da palavra. Está a anos-luz do recorte técnico de um Schjelderup ou da capacidade de drible curto de um Prestianni. O polaco é, na sua essência, um autêntico operário do relvado e um facilitador tático. Faz lembrar, em muitos aspetos de atitude e compromisso, a passagem de Kerem Akturkoglu pelo clube, mas com uma dinâmica associativa superior.

Não vai fintar três adversários, mas é um mestre no “toca e foge”, jogando de forma simples a um ou dois toques. A sua grande virtude é a inteligência sem bola, sabe exatamente que espaços ocupar para arrastar marcações, funcionando como um isco tático que abre autênticas autoestradas para os colegas mais criativos aparecerem em zonas de finalização.

Esta apetência para o jogo associativo abre perspetivas táticas muito interessantes para Marco Silva. Apesar de chegar com o rótulo de extremo-esquerdo, as características físicas e de condução do jogador fazem dele um candidato formidável para atuar como um “nove e meio”, solto no corredor central nas costas do avançado.

Vangelis Pavlidis é exímio a jogar de costas para a baliza, servindo de pivô para as tabelas frontais, o que casa na perfeição com o instinto do polaco para atacar a profundidade e invadir a área. Seja a partir da ala ou jogando por dentro, Kaminski é aquele trator incansável que nunca desiste de uma jogada, forçando o erro dos defesas através de uma insistência física que esgota qualquer adversário.

Contudo, o sucesso deste investimento vai esbarrar de frente com duas realidades muito duras que exigem uma rápida adaptação. A primeira é o choque contextual: na Alemanha, Kaminski beneficiava de um jogo partido, com transições constantes e muito espaço para acelerar. Em Portugal, tirando os jogos contra os rivais diretos, vai deparar-se com autênticos autocarros e blocos defensivos estacionados à entrada da área. A falta de espaço aberto vai testar os seus limites técnicos.

A segunda realidade é o momento da definição. O polaco precisa urgentemente de refinar o seu último toque e a tomada de decisão no último terço. Atualmente, o seu remate é muitas vezes precipitado, disparando de forma quase cega na esperança de acertar no poste mais distante. É um diamante em bruto no plano físico, mas que precisa de ser limado taticamente nos treinos para ganhar a frieza dos verdadeiros matadores.

No fim de contas, olhar para a etiqueta de 20 milhões de euros e exigir que Kaminski seja o craque que vai resolver todas as partidas sozinho com lances de génio é uma abordagem completamente errada. O polaco chega para ser uma ferramenta de várias funções nas mãos do treinador, assumindo-se como um titular estratégico para determinados contextos ou um elemento de rotação de luxo que mantém a intensidade da equipa.

Pode não ser o jogador que vai encher os olhos aos adeptos mais românticos, mas tem o perfil exato do motor silencioso e fiável que sustenta o equilíbrio das equipas que querem dominar e voltar a ser campeãs nacionais.

Jorge Jesus apresentado como novo selecionador nacional: «Queria agradecer ao presidente a oportunidade de treinar uma das melhores seleções do mundo»

Jorge Jesus será apresentado esta sexta-feira como novo selecionador nacional, na Cidade do Futebol, em Oeiras. O técnico português sucede a Roberto Martínez.

Jorge Jesus foi apresentado esta sexta-feira como novo selecionador nacional, sucedendo a Roberto Martínez. A cerimónia realizada na Cidade do Futebol, em Oeiras, contou com declarações do técnico português aos meios de comunicação social.

Jorge Jesus começou por prestar as primeiras declarações como selecionador nacional:

«Queria agradecer ao presidente a oportunidade que me deu, a treinar uma das melhores seleções do mundo. Hoje, a minha apresentação, é formal. O que mais querem é fazer perguntas. Como está nesse slogan, viemos para ganhar e vencer. Quando chegamos a qualquer lado vencemos, com estas condições e esta qualidade, sabemos que temos uma seleção para poder acreditar e valorizar o espetáculo, os jogadores, a seleção. Uma oportunidade para trabalhar numa das melhores seleções do mundo, principalmente, a do meu país,. Tenho um grande orgulho em ser português, a oportunidade vai justificar o que é ser português. Sou o treinador de 12 milhões, do povo português. Certezas absolutas também as tenho, quero que Portugal esteja ligado como esteve neste Campeonato do Mundo. Encheram-nos de vaidade, como português senti isto. Não senti desportivamente, por aí não estava aqui. Quero e tenho a certeza de que viemos para vencer. Não passa só por treinadores, jogadores, pelo dentro de campo. Entro numa casa que não conheço, mas vou conhecer em pouco tempo. Vou trabalhar com Lourenço Coelho, com quem trabalhei seis anos no Benfica. Não vamos facilitar nada ou ter receios de confrontar seja quem for. Queremos começar a 24 de setembro, jogo com o País de Gales, a ganhar. O nosso caminho é ganhar».

Jorge Jesus comparou o papel de selecionador ao de treinador de clube:

«Há muita tendência de dizer que o treinador de seleção é diferente de equipa. Não é verdade. Não tem é tantos dias de trabalho como no clube. O método de cada um não é uma ciência exata, mas é uma ciência, se não éramos todos iguais. Vou-me adaptando às circunstâncias. Preparei-me pata este dia, para ser selecionador da nossa seleção. Nada para mim vai ser muito diferenciado, trabalhar numa seleção ou num clube».

O treinador português garantiu estar preparado para o exigente desafio de assumir o comando da Seleção Nacional:

«Quando chego é para vencer, esta casa é igual. Gosto de assumir a responsabilidade quando tenho matéria-prima para o resolver. Estou habituado a essa pressão. Estamos preparados para começar a traçar o nosso caminho. Com 71 anos, o número está lá, mas no que sou está lá 50. Tenho uma saúde, todos os dias posso treinar 1 ou 2 horas. Estou preparado pata um desafio difícil, mas convencido de que posso vencer».

Jorge Jesus falou sobre a relação com Cristiano Ronaldo e as perspetivas para o futuro do avançado português na Seleção Nacional:

«Cristiano Ronaldo? Ainda não falei com o Cris. O Cris nunca vai ser um problema para a seleção ou para mim. O que é como jogador e a polémica, cada um pensa como quiser. O Cris, quando tiver de tomar uma decisão, vou falar com o Cris e com todos individualmente. Não vou falar com o Cris por ser o Cris. É um símbolo do futebol português, da seleção de Portugal. Vai ficar sempre na história. É fácil trabalhar com ele, desde que ele perceba ate onde ele pode chegar e onde eu posso chegar. É uma relação. A partir daqui as coisas serão fáceis. Será sempre ele que decidirá o que quer fazer. Sei que quer continuar a jogar no Al Nassr, disse-me que ia acabar a carreira do Al Nassr. Enquanto estiver selecionável e a jogar, definirei, consoante as condições que achar. Esqueci-me de dizer sobre o Cris. O Al Nassr fez 50 jogos, ele fez 31 o ano passado. No campeonato substitui-o 16 vezes. Nunca nos confundimos, ele jogador, eu treinador. quanto à pergunta, não vou perder nenhum. Só se ele se lesionar».

O técnico foi questionado sobre o jogador da Seleção Nacional que não gostaria de perder:

«Jogador que não gostava de perder? Eu estou na seleção. Tenho vantagem, hoje posso falar. Destes 26, 12 trabalharam comigo. Mais de metade desta seleção já trabalho. Conheço-os bem, são todos grande jogadores. A seleção tem tanta qualidade, todos fazíamos uma equipa da seleção e em 10, todos faziam uma diferente. Todos tem muita qualidade. Esta equipa, esta seleção que acabou o mundial, e vão aparecer novos jogadores nestes quatro anos, Portugal tem escalões de formação com muita qualidade, conheço muitos deles. Vou estar mais inserido na formação do futebol mais jovem. O importante é o presente. Remodelação e sangue novo? Neste momento não. Desta seleção, só seus jogadores acima dos 30. E dois são guarda-redes. Não é uma equipa velha, média de idades de 28 anos. Aos 28 anos é o nosso melhor período, já conhece tudo o que é o jogo. Não é por aí que a seleção terá problemas».

Jorge Jesus comentou os egos e os estatutos presentes no plantel de Portugal:

«Acima dos egos e estatutos? Não tenho dúvida nenhuma. O ego há em todas as equipas e seleções. É mais difícil trabalhar com jogadores que julgam que são grandes jogadores com os que julgam ser grandes jogadores. São todos grandes jogadores na seleção, nas melhores equipas da Europa. Conquistam títulos nas suas equipas. O mais importante agora é conquistar títulos na seleção. Vamos fazer por isso».

O técnico de 71 anos falou sobre os capitães de Portugal:

«Capitães? São cinco, pelo que sei são o Cris, Bernardo, Bruno, Ruben e Diogo. Não sei qual a ordem. Não tenho hábito de que os anos de seleção ou jogador dão direito a capitão. É muito para lá disso. São os expoentes máximos do pensamento do treinador. além de escolher o campo. Não vai ter problema».

Jorge Jesus falou sobre o antigo caso com Bernardo Silva:

«Bernardo? O Bernardo de 2013 era um menino que estava a começar os passos dele, com muita ambição. Confiava muito nele e queria jogar e ser jogador. Não tivemos . Foi mais o que se falou do que aconteceu no treino. Posso falar abertamente, não há segredos. Quis pô-lo num jogo a lateral esquerdo… não é bem assim. Foi na pré-época, o Djuricic lesionou-se, fiz uma alteração e coloquei o Bernardo nos últimos minutos naquela posição. Ainda estava no início da carreira. Agora é formado, nível mundial e Pep [Guardiola] também o colocou lá. Não há problema, difícil é trabalhar com os jogadores que julgam ser grandes jogadores».

O treinador português falou sobre as exigências do cargo de selecionador nacional e a gestão do grupo:

«O treinador não é treinador, é selecionador? Primeiro temos de escolher, fazer uma convocatória e, depois, treinar os jogadores. Na seleção fala-se muito que eu gosto do treino e do trabalho de campo e que agora não há tempo. Ao longo da minha carreira como treinador, principalmente nos últimos anos, estive em equipas que jogavam de dois em dois dias e de três em três dias. Vai acontecer o mesmo. Há treino. Julgam que os jogadores chegam cansados e que não treinam, que vão dormir. Há treino ativo, há muitas formas de treinar. Há treino para além do trabalho de campo. Tudo isso está ligado ao que têm sido os meus últimos anos como treinador. Não vai haver problema nenhum. O importante é montar e organizar uma equipa. A recuperação dos jogadores é um dos segredos do futebol. Quem está mais habilitado e tem maior conhecimento parte em vantagem. Os selecionadores saem com prestígio? É como tudo. Uns ganham, outros perdem. Não há treinadores que ganhem sempre, eu também perdi algumas vezes. Faz parte do crescimento. O que mais me pode atrapalhar é convocar 23 ou 24 jogadores e só poder jogar com 11».

«Análise ao Mundial? Não fica bem. É o jogo que dita. Não posso ter certezas absolutas. O importante é o rendimento. Se tiver de ser substituído, é; se não, não é. O nome não conta. Já treinei dois dos melhores jogadores do mundo, o terceiro ainda não. Treinei Neymar, treinei Ronaldo. Um dia disse ao Neymar: “Tu… finish».

«Nova geração? Há jovens e há jogadores mais experientes. Portugal tem uma capacidade muito grande para formar novos jogadores. Às vezes digo que Portugal é o Brasil da Europa. Dá-se um pontapé numa pedra e sai um jogador. Agora já não saem tantos como antigamente, mas continuam a aparecer. São os jogadores que vão dizer como temos de agir. A nova Seleção tem uma média de idades de 28 anos. Não há problema. O que interessa é o valor. Se um jogador tiver 17 ou 18 anos e qualidade para ser integrado, será. Entrará. Tenho 12 jogadores que já treinei. Se me recordar de quatro ou cinco, fui eu que os comecei a pôr a jogar: Rafael Leão, aos 17 anos; Gonçalo Guedes, aos 18, no Benfica; João Cancelo; Bernardo… Fui eu que o pus a jogar. Foi contra o Cinfães, na Taça, mas jogou. O importante é sentir que há qualidade e não ter medo. Não olho para a idade do jogador. O mesmo aconteceu com o Cristiano. O Cristiano trabalhou um ano comigo sem uma lesão. Fazia oito quilómetros por jogo. Sendo ponta de lança, é muito bom. Atingia velocidades acima dos 25 km/h. Tinha dados que me permitiam contar com ele. Quando achava que tinha de jogar, jogava. Quando entendia que não, nem o levava para o banco».

«Convite a Pepe? Não tenho uma equipa técnica minha e outra da Federação. Vai ser minha e, consequentemente, da Seleção. Nunca falei com o Pepe. Se me podia agradar? Sim. Chego aos clubes, no estrangeiro ou em Portugal, e procuro sempre integrar alguém que conheça bem a realidade. Quando cheguei ao Benfica, fui buscar o Luisão. Na Arábia Saudita, fui buscar um antigo jogador do clube para fazer parte da equipa técnica. O Pepe é um jogador que reúne todas as condições, mas o último a decidir é ele. Se quiser abraçar outros projetos, virá outro. Haverá uma escolha, ou não. Também há antigos treinadores que faziam parte da equipa técnica do anterior selecionador».

«Rendimento da Seleção? Vi jogar a Seleção e todas as outras seleções, mas não quero entrar por aí. Não me compete. Não quero fugir às questões, mas também não seria elegante da minha parte dizer o que poderia ter sido feito. Para mim, o importante seria terminar em primeiro lugar no grupo. Já se conhecia o calendário. Não é a mesma coisa jogar com a Espanha ou com a Suíça. Faria tudo para terminar em primeiro. Quanto ao resto, não quero comentar».

«Treino? Quanto mais dias, horas e minutos treinarmos com os jogadores, mais consolidado ficará o processo. O que partilhamos são as ideias que temos e o tempo disponível para trabalhar a equipa. A 24 de setembro, os jogadores chegam e, três dias depois, há jogo. É o primeiro, mas não há desculpas. A 4 de outubro será o quarto jogo. São jogos seguidos, o que é positivo. Vou estar diretamente com os jogadores durante esse período. Se não funcionar, não será por esse motivo».

«Seleção a jogar o dobro? A Seleção tem de jogar o dobro, caso contrário fica tudo na mesma. A qualidade está cá. Acredito muito no nosso trabalho e nos nossos jogadores, mas só isso não chega. A outra parte da estrutura, para além dos jogadores e da equipa técnica, também é importante. Isto é muito mais do que um clube, mas as ideias sobre o que é uma seleção e um clube não diferem assim tanto. Aí não há hipótese. Se alguém achar que isto é para ver os amigos e a família, não é. Todos temos de pagar o preço. Se queremos ganhar, temos de pagar o preço. Vamos criar uma ideia de jogo e uma identidade. Não tem nada a ver com a ideia de jogo da anterior Seleção. Tenho uma forma diferente de olhar para o jogo. Acredito plenamente que viemos para vencer».

«Dúvidas? Podemos olhar para isso por várias perspetivas. Mudar o quê? A ideia? O sistema de jogo? São aspetos fundamentais. O futebol é, cada vez mais, um desporto coletivo que tem evoluído muito. Hoje, o sucesso pertence às equipas e aos treinadores que percebem que, com a redução dos espaços, criar desequilíbrios é cada vez mais difícil. Uma das minhas ideias passa precisamente por aí. Não olho para o jogo da mesma forma. Não sou apologista de jogar com três médios num 4x3x3. Quero médios com mais andamento e dinâmica. Toda a gente falou do melhor meio-campo do mundo. Dois jogam no PSG, um no Manchester United. O melhor do mundo só se for na Seleção, porque no PSG as coisas são diferentes. Lá há três avançados que Portugal não tem. Quero implementar as minhas ideias e adaptá-las às características dos jogadores. Tenho de sentir que eles têm essas características. Muitas vezes, o treinador tem de ajudar os jogadores, porque eles precisam dessa ajuda. Como a qualidade é muita, vou estar lá para os ajudar».

A apresentação de Jorge Jesus acontece precisamente dez anos após a conquista do Euro 2016 por Portugal, alcançada a 10 de julho de 2016.

Recordar é Viver | Uma década após a conquista do Euro 2016

Será sempre difícil, para não dizer impossível, recordar o dia 10 de julho de 2016 sem um pingo de nostalgia e uma lágrima de saudade no olho. Faz 10 anos que Portugal, contra todas as probabilidades, ganhou o título de Campeão Europeu com um golo de Éder, contra a França.

Mas este momento tem que ser reconstruído com toda a glória que merece. Porque foi um dos títulos ganhos da forma mais portuguesa possível. No Stade de France, e já bem depois dos 90 minutos, o herói mais improvável de sempre da seleção portuguesa colocou a bola dentro das redes da seleção francesa, que até hoje deve ter pesadelos com esse momento, com o número 109 (minuto do golo) e com o nome do camisola 9.

No entanto, e apesar de toda a emoção da final, toda esta competição foi uma montanha-russa de expectativas e de muita fé. A seleção portuguesa chegou à final sem vencer um único jogo durante a fase de grupos (Portugal 1-1- Islândia; Portugal 0-0 Áustria e Portugal 3-3 Hungria) e mesmo assim apurou-se como um dos melhores terceiros classificados (daí o “surto” coletivo que tivemos este ano, com o Campeonato do Mundo, porque a história parecia repetir-se). Nos oitavos de final vencemos a Croácia com o golo de Quaresma, na meia-final apanhámos o País de Gales e ganhámos 2-0 com os golos de Ronaldo e Nani, e chegámos, então, à final com a França.

Todo este Euro foi marcado por momentos quase bíblicos que serviram de justificação para o triunfo da comitiva treinada por Fernando Santos. A lesão de Ronaldo aos 25 minutos da final, a postura do CR7 ao lado de Fernando Santos como um segundo treinador, a traça que pousou na cara do capitão, o remate de Raphael Guerreiro à barra, e o melhor de todos, o golo.

Passaram 10 anos e eu tenho a certeza que cada português se lembra bem de onde estava. Eu sei que estava rodeada de pessoas com os nervos em franja, a reclamar de tudo e mais alguma coisa (como bons portugueses). Estava calor nesse dia, havia tremoços e bebidas na mesa, assim como panados, batatas fritas e sangria. Porque português que é português não sabe ver a bola sem estes elementos, faz parte. Lembro-me do meu pai sair do trabalho e vir a correr para a casa, com o relato nos ouvidos. Lembro-me também de nunca ter tirado o relato dos ouvidos, e, por isso, ouviu primeiro aquilo que os olhos não iriam acreditar. Lembro-me de o tempo parar assim que lhe via a expressão no rosto e desviei os olhos para a televisão. Lembro-me do coração se esquecer de bater quando vi aquele jogador, tantas vezes criticado e que ninguém confiava, a rematar. Vi a bola entrar na baliza. E, de repente, o tempo voltou a correr, ouvi os festejos e festejei também, o coração voltou a bater muito mais acelerado do que seria considerado natural. Vieram as lágrimas, os sorrisos, os abraços. Era tão improvável.

Ainda me arrepio ao escrever sobre este dia porque sinto que foi muito mais que futebol. Foi um momento raro em que um país inteiro se reconheceu na mesma história. A que muitos vivem, a de quem tantas vezes esteve tão perto de conseguir algo, caiu, voltou a levantar-se e venceu. Aquele golo há 10 anos atrás continua a lembrar-nos que a persistência e a confiança em nós mesmos pode transformar o improvável em inesquecível. E essa foi e é a maior vitória de Portugal: acreditar que podia ganhar.

Com a Nike, Portugal venceu o seu primeiro Europeu
Fonte: Seleções de Portugal

A ferida do Campeonato do Mundo ainda é muito recente, mas que o dia 10 de julho de 2016 esteja tatuado em todos os que representam Portugal. Que levem o sentimento de orgulho, de crença, de nostalgia, de saudade que é tão nossa em tudo o que fazem. Que seja sempre sobre o amor ao futebol, ao desporto e à pátria.