Desde a vitória de Bradley Wiggins no Tour de France 2012, a Team Sky tem sido o saco de pancada preferido de uma grande parte dos seguidores de ciclismo, pelas mais variadas razões. Desde o seu estilo de correr até preocupações de cariz ético, tudo tem sido arma de arremesso contra os britânicos. Este texto destina-se a todos os adeptos que não hesitam em criticar a Team Sky porque, por cada vez que têm razão, rapidamente a perdem sucessivamente.

Comecemos pelo mais básico, o seu estilo de correr. Confesso que sou suspeito neste aspeto, porque até aprecio o ciclismo por eliminação que a Sky proporciona nas etapas de montanha, mas concordo inteiramente que, por vezes, se torna demasiado monótono e um pouco aborrecido.  O problema é que a culpa não é propriamente da Sky, que se limita a colocar em prática uma tática que já lhe deu inúmeras vitórias. Os adversários é que continuam a mostrar-se incapazes de a contrariar e o Tour de France deste ano tem sido exemplo disso: temos visto algumas equipas a tentar algo diferente com ataques à distância, só que não o oconjugam com um endurecimento do pelotão, o que permite à Sky levar a corrida ao seu ritmo, poupando os seus gregários e controlando à distância, levando sempre muita gente perto dos seus líderes. Que Luke Rowe controle sozinho mais de metade de uma etapa de montanha é a prova de que o mal está na estratégia dos adversários e não somente na Sky.

Uma mais recente situação é a de Gianni Moscon, o temperamental prodígio italiano. Ora, não há como escapar aos erros de Moscon que, claramente, precisa de apoio para ultrapassar a sua impulsividade, que até a ele o prejudica. Ainda assim não se pode deixar de colocar em perspetiva as suas ações. Foi rebocado pelo carro nos Mundiais? Sim, mas quantos não o fazem? Uns sem ser apanhados, outros sendo-o, até o idolatrado Nibali já foi mandado embora de uma Vuelta pelo mesmo motivo. E ninguém nega que foi grave e incorreto o “chega para lá” a Gesbert, mas alguém deixou de apoiar Rui Costa e Carlos Barredo por estes terem chegado a vias de facto há uns anos atrás?

Bem mais sério é o tema dos TUEs de Wiggins. Não há qualquer dúvida para mim que a Sky ultrapassou os limites da ética e que agiu incorretamente. Mas, e isto é de extrema importância, fê-lo dentro da legalidade. Por isso, ainda que se possa criticar – e com razão – a Sky, essa energia devia ser gasta com os verdadeiros culpados, os burocratas que permitem este regime aberto a abusos.

Apesar das polémicas, Chris Froome continua a ganhar
Fonte: Team Sky

Seguimos na linha de críticas e, irremediavelmente, vamos parar ao caso de Chris Froome e do Salbutamol. Tenho lido em vários locais adeptos a argumentarem que Froome acusou positivo em mais do dobro a uma substância e, ainda assim, o poderio da Sky conseguiu que fosse ilibado. Quem fala assim é porque não fez o mínimo de esforço para perceber o caso. Como já disse anteriormente, penso que o grande mal demonstrado por este caso é provável que haja ciclistas que foram suspensos apenas porque não tiveram os meios para uma defesa forte que contestasse os duvidosos critérios da WADA para esta substância.

O que realmente continua por esclarecer é a misteriosa transformação de Froome em 2011, que de um mês para o outro passou de ciclista medíocre a estrela de Grandes Voltas. No entanto, também aqui os críticos da Sky cometem um erro quando pretendem comparar Thomas a Froome, por ter sido um homem de pista. A diferença é que, ao contrário do ocorrido com Froome, a evolução de Geraint Thomas foi um processo gradual e à vista de todos.

Por isso, a minha mensagem para os críticos da Sky é que façam um esforço e pensem bem no assunto, não culpabilizando o conjunto britânico só porque não gostam dele. É que, realmente, a Sky tem esclarecimentos para dar, mas há muito de mal no ciclismo em que os culpados são outros e se limitam a assistir confortavelmente ao destilar de ódio contra a Team Sky.

Foto de Capa: Team Sky

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