Querido Pai Natal,

Este ano quero pedir-te algumas coisas, que aposto que nunca te pediram. Pedidos bem mais sérios e difíceis de concretizar, do que as bolas ou os carrinhos telecomandados que queria há uns bons anos atrás. Sonhos? Utopias? Deixa-me sonhar.

Antes de mais, começo pelo que tem acontecido no último terço deste ano 2019, nos estádios em Itália: o racismo. Um problema social e político, que de uma ou outra forma toca a todos. Já que é praticamente impossível acabar com um problema como este em qualquer sociedade, é possível erradicar o racismo no futebol.

A personalidade que tem sofrido mais com este tipo de discriminação é Mario Balotell, o senhor “Why always me?”. Para além dele, muitos outros também já terão sentido na pele, esta barbaridade. Vinda de adeptos (adversários e até da própria equipa), de treinadores, membros da direção do clube ou mesmo de colegas, não importa. Estamos às portas de 2020 e isto continua a acontecer?

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A minha sugestão é seguir aquilo que de bom se faz em “Terras de Sua Majestade”. No Reino Unido extinguiram as claques, os famosos “hooligans”, que causavam estragos por onde quer que passavam. Hoje em dia, qualquer ato relacionado ao racismo, é completamente condenado. Não só pelos órgãos de segurança, como pelos próprios clubes, proibindo para sempre, a entrada do “adepto” nos estádios em Inglaterra e obrigando-o a pagar elevadas multas. Talvez seja preciso olhar para o bolso, antes de “racismizar” … Este é o meu primeiro desejo de Natal e Ano Novo, ouve-me, e não dês prendas aos italianos que se têm portado mal.

Por vezes, aspetos da sociedade também causam “ruído” futebol, como é o caso do racismo
Fonte: Serie A

O meu segundo pedido está relacionado com o reconhecimento da qualidade do treinador português no estrangeiro. Depois de tantos nomes lusos que chegam ao estrelato e que lá se mantêm por vários anos, ainda há quem duvide do valor dos nossos. Como foi o famoso caso de Marco Vargas (jornalista da Fox Sports Brasil), que minimizou as conquistas e os feitos de Jorge Jesus, aquando da sua ida para o país do samba.

Como é que é possível alguém que não conhece, colocar em causa a qualidade, em geral, do técnico português? O “mister” levou para o Brasil “apenas” três títulos de campeão português, seis Taças da Liga, duas Taças de Portugal, e a sua valia foi posta em causa por ter perdido duas finais da Liga Europa. Aos 65 anos, do outro lado do Atlântico, abafou os críticos ao vencer o Brasileirão e a Libertadores. Não podemos generalizar, mas por norma, o que é nacional é bom! Reconhecimento, é o segundo ponto da lista.

Por último e não menos importante, quero futebol. Não um futebol qualquer. Quero bom futebol. Tático, técnico, físico. Sem outras coisas à mistura. Sem discussões sobre arbitragens, castigos sem nexo como o que foi aplicado ao Bernardo Silva, sem racismos e corrupção. Só quero ver a bola a rolar nos maiores palcos. Uma Liga dos Campeões e uma Liga Europa com sucesso para os representantes nacionais. Mais à frente, espero um Europeu digno da nossa nação, apesar do grupo forte e das altas expectativas.

Penso que não estou a pedir muito, e até me tenho comportado dentro dos limites, daquilo que deve ser um bom adepto de futebol. A todos vós, um bom Natal e o feliz Ano Novo.

Revisto por: Jorge Neves