Depois da excelente campanha na última época, a temporada atual do Eintracht Frankfurt FAG não poderia ter começado pior. No primeiro jogo oficial de Adolf Hütter no comando, a equipa foi derrotada por uns expressivos 5-0 na Supertaça, precisamente pelo homem que tinha levando o Eintracht aos bons resultados na última época, Niko Kovač.

Apenas seis dias depois da Supertaça, a equipa estreava-se na competição que tinha vencido meses antes e tinha uma ótima oportunidade para fazer esquecer o desaire frente ao FC Bayern de Munique, na medida em que tinha pela frente o modesto e desconhecido SSV Ulm 1846. Contudo, esse desconhecido acabou mesmo por derrotar e eliminar os pupilos de Hütter da Taça.

O ambiente no Commerzbank-Arena estava péssimo para a estreia na Bundesliga e não melhorou, após a equipa apenas ter conseguido quatro pontos em quinze possíveis, nas primeiras cinco jornadas. Foi nesse momento, no final de setembro, que muitos condenaram a equipa a uma época negra, onde o destino mais provável era a 2. Bundesliga. Muito se escreveu e falou.

Hoje? Ninguém diria que se trata da mesma equipa. Não perdem há praticamente dois meses (para todas as competições), estão em quarto lugar na Bundesliga, com os mesmos pontos do Bayern, tendo pelo meio atropelado o Düsseldorfer TS Fortuna (7-1), vencido inequivocamente a SS Lazio em casa (4-1), derrotado fora o complicado TSG Hoffenheim (1-2) e, no último jogo, despachado o FC Schalke 04 por uns confortáveis 3-0.

Lá está o velho ditado: Não mexa com quem está quieto.

Treinador | Adolf Hütter

Com 48 anos de idade, o austríaco passou os últimos três anos na Suíça, onde levou o BSC Young Boys à conquista do campeonato, destronando o crónico campeão FC Basileia. Com passagens por SV Rheindorf Altach, SV Grödig e Red Bull Salzburg, antes de rumar a Berna, Hütter começou a dar nas vistas pelas semelhanças que as suas equipas tinham com as de Roger Schmidt.

O seu Young Boys, que conseguiu o primeiro título em 32 anos, optava preferencialmente por uma estrutura em 4-4-2, mas nada a ver com o 4-4-2 mais famoso do futebol: Atlético de Madrid. O comportamento dos médios-ala era profundamente ofensivo, transformando o 4-4-2 num 4-2-4.

Foi com uma formação semelhante a essa que o austríaco começou a sua aventura na Alemanha, mas foi abandonando gradualmente o 4-2-3-1, em favor de uma estrutura de três centrais. Hoje, parece que Adolf Hütter encontrou no 3-5-2 a sua formação ideal, sendo que a ausência de Gaćinović tornou a equipa mais ofensiva, com a colocação de um homem declaradamente mais atacante no apoio à dupla de avançados. Assim, podemos falar de um 3-4-1-2.

Equipa | Uma panóplia de opções de qualidade

Com onze jornadas disputadas, o Eintracht já utilizou (só na Bundesliga) 25 jogadores, um número que vai aumentar, certamente, quando os dois portugueses estiverem aptos para jogar. Desses 25, 19 já realizaram mais de 180 minutos (equivalente a dois jogos completos), números que dizem tudo sobre a quantidade de opções à disposição do treinador.

O onze base, dentro do 3-4-1-2/3-5-2, começa com Kevin Trapp na baliza, protegido por três centrais, N’Dicka, Hasebe e Abraham. Os alas-laterais parecem ser cada vez mais indiscutíveis, com Danny da Costa (direita) e Kostić (esquerda). No meio-campo aparecem nomes bem conhecidos: Gelson Fernandes (ex-Sporting) e Jonathan de Guzmán perfazem o duplo-pivô, atrás de Gaćinović. A dupla atacante é composta por Jovic e Rebić, sendo que Haller tem vindo a ganhar o seu espaço ao lado do ex-SL Benfica na frente, fruto da ausência de Gaćinović. Quando Haller é aposta, Rebić baixa para dar o apoio à dupla ofensiva.

Lucas Torró, Jetro Willems, Nicolai Müller e Allan Souza são outros nomes que facilmente podem entrar na equipa.

Fonte: Eleven Sports

Fase Defensiva | Uma história de duas formigas

Na fase defensiva, a grande preocupação da equipa está em evitar a exploração do corredor central pelo adversário. Para alcançar esse objetivo, tudo começa com a linha ofensiva, que se transforma em linha de três (subida de Rebić), com a aproximação do duplo-pivô- Gelson e Guzman-, reduzindo ao máximo o espaço entre estas duas linhas.

Por norma, o Eintracht não pressiona logo de forma agressiva a construção. Espera, ou cria um certo estímulo, para iniciar aí o pressing. Normalmente, esse estímulo é um passe horizontal entre os centrais adversários, sem grande velocidade e previsível. Quando esse passe acontece, os jogadores da linha ofensiva avançam em velocidade em direção ao jogador que vai receber a bola, forçando-o a jogar para os lados ou para o guarda-redes. É nesta fase que entram na equação as duas “formigas” e a importância de estarem perto dos avançados, já que impedem que os jogadores adversários recebam a bola de frente para a baliza de Trapp, travando a progressão da bola pela forma como obrigam os médios do adversário a jogar na fase de construção (de costas).

Fonte: Eleven Sports

Hasebe é o central do meio e é, como é evidente para todos, um jogador muito baixo, com dificuldades no jogo aéreo. Assim, é recorrente ver o adversário jogar longo para o ponta de lança, que ganha a maioria das bolas. Contudo, o Eintracht está preparado para isto e ganha recorrentemente as segundas bolas. Os adversários não conseguem ter um número significativo de jogadores na frente, porque alocam vários à tentativa de sair a jogar. Adicionalmente, as duas “formigas” são muito rápidas a recuperar a posição, atrasando os ataques dos adversários.

Fonte: Eleven Sports

Fase Ofensiva | Exploração dos ângulos e verticalidade

Para quem tem visto os resultados do Eintracht, o que mais salta à vista é a quantidade de golos que tem conseguido. Afinal, não é fruto do acaso a quantidade de notícias que têm surgido nas últimas semanas, falando do interesse do FC Bayern de Munique em Jovic.

Hoje, parece que todas as equipas jogam, ou forçam-se a jogar, começando a construir desde trás, com belas combinações curtas, jogo apoiado e apoios frontais. Tudo bem, é uma forma particularmente agradável de ver, mas não pode ser implementada em todas as equipas (pelos jogadores à disposição).

No Eintracht, a palavra de ordem, quando a equipa têm bola, é verticalidade.

Não procura iniciar a sua construção desde os centrais, mas sim através do jogo direto para Haller. O ponta de lança é o jogador com a maior quantidade de duelos aéreos, e duelos, no geral, ganhos na Bundesliga, com 62 e 178, respetivamente.

É na forma como se consegue projetar no ataque, assim que recupera a bola, que é verdadeiramente demolidora. Usa a largura do campo de uma forma ideal, oferecendo ao portador da bola várias opções de passe, com ângulos diferentes, isto é, tanto para o corredor lateral, corredor central, como para os canais (espaço entre o corredor lateral e o central).

Fonte: DAZN it

Vemos como Jetro, ala-lateral esquerdo, assim que recebe a bola e reconhece o espaço na sua frente, ataca-o e invade o meio-campo do adversário. No corredor central, Haller e Jovic colocam-se entre os defesas do adversário, fixando-os ao corredor central. Rebić, que está junto à linha lateral, mantém a largura, esperando o momento certo para receber o passe do portador da bola, que irá ser quando este chegar junto do defesa. Assim que chegar junto do defesa, este é obrigado a sair na bola, o que vai deixar os colegas numa situação de igualdade numérica dentro de área, mas que é favorável ao Eintracht, pelo poder dos seus dois homens na grande área.

Fonte: DAZN it

Aqui é de Guzmán que recolhe a bola e inicia imediatamente a transição. Podemos observar como o ala-lateral, Kostić, ataca imediatamente o espaço, garantido uma ocupação ideal da largura do campo.

Fonte: Eleven Sports

É com uma avalanche que os adversários têm de lidar.

Vamos ver como evolui esta equipa, tanto na Bundesliga como na Liga Europa.

 

 

Foto de Capa: Eintracht Frankfurt FAG

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