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Abordagem Liverpool

O Liverpool FC alinhava quase sempre em 4-4-2, assim a estratégia de Rafael Benítez passava por atacar pelos corredores, pressionado os italianos dessa forma, usando a largura da equipa. Contudo, como já falei anteriormente, a força das ligações entre as peças italianas eram superiores às inglesas, assim a estratégia do Milan, em atacar pelo corredor central, ganhou o braço de ferro contra a do Liverpool, em explorar os corredores.

O treinador dos Reds, identificou e tinha plena consciência de onde poderia vir o grande perigo do adversário: Kaká. Sabia também que o seu 4-4-2, é uma estrutura que naturalmente dá espaço ao adversário entre a linha média e defensiva. Aliás basta desenhar um 4-4-2 em uma folha de papel para chegar a essa conclusão.

Com isso, antes de iniciar o jogo, Benítez tinha de tomar uma decisão.

  • Mexia no seu esquema e adicionava mais um médio, anulando o tal espaço, onde Kaká é demolidor, entre os seus médios e a linha defensiva.
  • Ou, procurava assumir a iniciativa do jogo, e dominar os italianos dessa forma, com uma formação mais ofensiva.

O 3-0 ao intervalo, não deixa dúvidas sobre qual foi a decisão de Rafael Benitez.

A imagem em baixo é referente à primeira parte. Período onde Alonso e Gerrard (dupla de meio campo) foram completamente atropelados. Com muitos adversários à sua volta, com e sem bola, a dupla nem era capaz de defender de forma eficaz, nem de organizar e iniciar o processo ofensivo. A ameaça Kaká pairava constantemente e nunca abandonava a cabeça de ambos, o que acabava os retirar de ações mais ofensivas (Gerrard, sempre demasiado recuado, nunca se aproximou da área de Dida).

Fonte: BT Sport

O problema era simples e Benítez identificou na perfeição ao intervalo. Alonso e Gerrard tinham duas missões:

  • Iniciar a construção ofensiva;
  • Anular Kaká;

Nos primeiros 45 minutos, Alonso e Gerrard não conseguiram atingir, nem sequer chegar perto, nenhuma delas.

O Momento: Intervalo

Afinal o que se passou nos balneários para termos assistido à recuperação história do Liverpool, no segundo tempo?

Ao Intervalo e a perder por 3-0, Rafael Benítez retirou um defesa. Não, não foi Traore que abandonou o relvado, mas sim Finnan. Uma decisão, que parecia não fazer sentido. Afinal, não só muda para uma de três, arriscando-se a sofrer mais, como mantêm em campo o pior defesa com a bola nos pés e que estava a ser um alvo do adversário.

Talvez por não parecer fazer sentido para ninguém, o Milan foi apanhado de surpresa e viu a desvantagem desaparecer em minutos.

Para o lugar de Finnan entrou Hamann, que veio preencher o espaço que Kaká tinha vindo a explorar ao longo da primeira parte. Com esta alteração, Rafael Benítez pretendia fechar a mais perigosa fonte de financiamento da dupla atacante Crespo-Shevchenko. Com “a fonte fechada”, deixava de ser importante se o Liverpool defendia com três ou quatro, uma vez que a bola não chegava aos avançados do Milan da mesma forma. Para além disso, com três centrais, os Reds beneficiaram da ausência de extremos (já mencionada) adversários, podiam manter-se juntos no centro, sem ter a tentação de serem arrastados para os corredores.

Assim, a entrada de Hamann foi absolutamente decisiva, porque permitiu ao Liverpool ganhar o meio campo. Não se pense, que era uma simples questão de números. Os Reds, não ganharam o meio campo por terem mais peças nessa zona, mas pela força das ligações entre essas peças, mais fortes que entre as dos jogadores do Milan. Por outras palavras, a forma como os jogadores do Liverpool interagiram no meio campo, determinou que na 2ª parte a batalha de meio campo fosse ganha pelos Reds.

Fonte: BT Sport

Como já abordei, Gerrard e Alonso foram atropelados nos primeiros 45 minutos. Na segunda parte, tudo mudou, com a colocação de Gerrard na frente de Alonso, o que tornou a equipa muito mais perigosa a nível ofensivo.

Gerrard começava a se aproximar e infiltrar na grande área do Milan, isto significa que quando os jogadores do Liverpool chegavam às zonas de cruzamento, Baros não estava sozinho na zona de finalização, algo que acontecia na primeira parte. Foi precisamente assim, que Gerrard deu início à recuperação.


Fonte: BT Sport

Para além disso, sem bola, o Liverpool podia agora pressionar o Milan mais à frente no campo. Focando essa pressão em Pirlo, que dessa forma deixou de ter o espaço e o tempo que tinha gozado no primeiro tempo, e automaticamente de conseguir fazer uso da sua capacidade de passe de média e longa distância.

Adicionalmente, Riise tinha cada vez mais liberdade no corredor direito, já que o Milan, para tentar recuperar o controlo do meio campo, colocava cada vez mais peças no corredor central.

Fonte: BT Sport

O Milan foi incapaz de lidar com esta entrada na segunda parte, e de um momento para o outro viu a sua vantagem desaparecer.

O aproximar do final do jogo, ditou o recuo do Liverpool e a consequente recuperação do controlo do jogo pelos Rossoneri. Contudo, apesar de o Milan voltar a ter bola, o Liverpool nunca se sentiu ameaçado e defendeu confortavelmente em bloco baixo.

Depois, a fadiga entrou na equação, para ambas as equipas, e o jogo acabou por ser decidido nas grandes penalidades.

E nessa lotaria o Liverpool venceu …

… sim, venceu, mas não foi a sorte que ditou esse desfecho.

Ao longo de várias semanas, Benítez e a sua equipa técnica, analisaram ao pormenor os hábitos de todos os jogadores dos Rossoneri, na marcação de grandes penalidades. Concluíram que cada jogador tinha um lado preferido na hora de decidir, sendo que essa tendência era mais vincada nos casos de Pirlo e de Shevchenko.

Conseguem adivinhar quais os jogadores do Milan que viram os seus remates defendidos por Dudek?

Foto de Capa: Sporting News

Artigo revisto por: Jorge Neves

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