Força da Tática | FC Porto x Benfica

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O clássico entre FC Porto e Benfica, tal como todos os jogos deste calibre, apresentou-se como um dos momentos mais aguardados da temporada. Para além do peso histórico do confronto, havia também a curiosidade em perceber até que ponto as ideias de Farioli e de Mourinho iam contrastar em campo.

Os onzes iniciais foram muito idênticos:

No entanto, a espetacularidade do jogo não foi tão grande, principalmente porque ambas as equipas abordaram a partida de forma mais cautelosa do que era esperado, principalmente o FC Porto que não foi tão agressivo em fase ofensiva, nomeadamente através dos seus defesas laterais.

O Benfica, como esperado, apresentou-se mais concentrado em atrasar as construção e progressão rápida do FC Porto do que ganhar a bola em zonas altas do terreno, esta estratégia resultou momento defensivo, no entanto, na saída para o ataque não tece sucesso, isto porque o posicionamento dos laterais dos azuis e brancos faziam que os espaços nas suas costas não pudessem ser aproveitados imediatamente. Como já mencionei, o jogo, no geral, não foi um grande espetáculo, e isso também se traduziu em poucas e não tão boas oportunidades de golo, como mostra o gráfico do xG acumulado pelas duas equipas.

Fonte: Sofascore

Mas então quais foram as abordagens que, na prática, levaram a este resultado?

O FC Porto foi obrigado a assumir mais tempo a bola e a estrutura e dinâmica apresentadas pela equipa foram as habituais. O Benfica para tentar anular Alan Varela usou uma estratégia parecida à do Sporting, em que os dois jogadores da frente dividiam a marcação individual ao médio argentino, dependendo de onde estava a bola. No meio-campo Barrenchea ficava encarregue de marcar individualmente Froholdt e Richar Rios matinha uma marcação bastante evidente a Gabri Veiga, os alas/extremos do Benfica ficavam responsáveis por anular os laterais dos dragões. Mais à frente Samu estava constantemente vigiado pelos dois defesas centrais do Benfica:

Para passar esta primeira pressão o FC Porto usava a movimentação dos seus médios interiores para espaços mais abertos, o acompanhamento individual dos encarnados abria espaço para passes na direção do avançado portista.

Para anular este tipo de passes os jogadores mais defensivos do Benfica começaram a ter uma atitude mais agressiva e que não permitia aos centrais do FC Porto soltarem a bola para Samu, desta forma havia tempo para os jogadores mais adiantados do Benfica voltarem a fechar a linha de passe.

As saídas com mais sucesso dos azuis e brancos ocorreram quando existia um passe diretamente dos centrais para os extremos em que os laterais se podiam soltar para gerar uma superioridade instantânea nos corredores.

Ou quando um dos interiores descia no terreno, principalmente Froholdt, e os mesmos faziam uma corrida em direção ao corredor e aproveitavam o momento para fazer a bola progredir.  

No último terço o FC Porto voltou a não surpreender estrategicamente, as triangulações entre laterais, médios interiores e extremos foram a maior constante no jogo ofensivo dos dragões, no entanto, não tiveram o resultado desejado. Os defesas laterais soltaram-se menos vezes que o comum, e tanto Froholdt em movimentos de rutura até à linha de fundo como Gabri Veiga no half-space não foram encontrados muitas vezes. Tal como já mencionei, esta forma de atacar e construir não permitiu ao Benfica grandes hipóteses de sair em contra-ataque, já que com os extremos a terem de defender tão dentro não existia a possibilidade de aproveitar o espaço deixado em aberto pelos laterais do FC Porto.

Sendo assim as transições com mais sucesso do Benfica ocorreram quando o Benfica conseguia segurar a bola no lado que a ganhou para permitir ao lateral do lado contrário subir e ganhar terreno através de uma VCJ.

O Benfica com bola, tal como sem, preferiu não arriscar e a saída do guarda-redes foi quase sempre longa.

Mas quando os encarnados tentavam a saída mais curta o FC Porto apresentava uma forma de pressionar que foi eficaz em maior parte dos momentos. Um 1x3x5x2 em que Borja Sainz se juntava a Samu e Francisco Moura era quem ficava responsável por Dedic.

Para superar a pressão de forma curta era Pavldis que descia no terreno, vindo algumas vezes até ao meio do próprio meio-campo para ser uma opção de passe, mas para isto acontecer Sudakov tinha comportamentos idênticos aos jogadores do FC Porto, abrindo no corredor. Quando o Benfica passava esta primeira pressão o FC Porto rapidamente se organizava em 1x5x3x2 com Alan Varela a encaixar na linha defensiva.

Neste caso o Benfica tentava aproveitar a largura do jogo e criar ocasiões a partir dos flancos, mas com a forma rápida que o FC Porto se movimenta rápido em bloco para evitar inferioridade/igualdade numérica no corredor o espaço mais frágil acaba por ser nos half-spaces, e entre o minuto 39 e 40 o Benfica soube aproveitar esse espaço.

No que toca à transição o Benfica também se mostrou sólido, no entanto, permitiu dois contra-ataques perigosos ao FC Porto através de conduções pelo interior, isto porque os interiores do Benfica tentavam em alguns momentos fixar os centrais do FC Porto, deixando o meio-campo apenas para Barrenchea.

O clássico entre FC Porto e Benfica acabou por ser mais uma batalha de ideias do que um espetáculo de ritmo e ocasiões. As duas equipas mostraram respeito mútuo e priorizaram o controlo em detrimento do risco. O FC Porto de Farioli manteve a sua identidade: tentou sair com critério, procurou criar superioridades nos corredores e demonstrou boa capacidade de reorganização defensiva após perda. No entanto, faltou-lhe a agressividade habitual dos laterais e maior presença entre linhas para transformar posse em perigo real.

O Benfica de Mourinho, por seu lado, apresentou um plano coerente com a sua filosofia mais pragmática: dificultou a construção portista, controlou os espaços interiores e foi sólido em quase todos os momentos sem bola. Contudo, a equipa revelou pouca capacidade para sair em transição rápida e raramente conseguiu projetar-se com perigo.

No fundo, foi um jogo de contenção e detalhe, em que as ideias se anularam mutuamente. O Porto teve mais bola, o Benfica foi mais disciplinado, mas nenhum conseguiu impor-se de forma clara. O resultado refletiu bem aquilo que se viu em campo: muita estratégia, pouca emoção e um equilíbrio que evidenciou mais as virtudes defensivas do que a criatividade ofensiva.

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