… não partiu. Num estádio de Wembley deplorável, no que diz respeito às condições do relvado, o Tottenham Hotspur FC recebeu o Manchester City FC.

Mauricio Pochettino complicou em Eindhoven, na passada quarta-feira, as contas do apuramento para os oitavos de final da Liga dos Campeões, ao sofrer o empate perto do minuto 90. Já o seu adversário de ontem, Guardiola, venceu confortavelmente na Ucrânia.

O Manchester City acabou mesmo por sair de Londres com os três pontos, mesmo com as ocasiões de golo, nada normais, que permitiram aos Spurs. O golo madrugador de Mahrez, permitiu ao City ganhar o controlo do jogo desde os minutos iniciais, beneficiando das ausências de Alli e Eriksen do onze inicial.

Controlo inicial

  1. Pochettino montou a sua equipa em 4-2-3-1, sem a capacidade mágica de criação de Alli e Eriksen, foi um meio campo ofensivo menos criativo, com Lucas Moura, Lamela e Sissoko. Sem a bola, a estrutura passava para 4-4-1-1, em bloco médio, com algumas reticências em pressionar em zonas demasiados altas do campo.

Já Pep Guardiola apresentou, como é seu hábito, um esquema extremamente fluído em 4-3-3. Fernandinho fez companhia à dupla dos Silvas, no meio campo, em uma estrutura em grande parte semelhante aquela que abordei em um artigo anterior.

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Vemos como Fernandinho baixa entre os dois centrais ao mesmo tempo que os dois laterais – Mendy e Walker – ocupam o corredor central, formando um duplo pivô.

Ontem, pelas já mencionadas reticências do Tottenham em pressionar demasiado alto, o Manchester City manteve a sua estrutura em 4-3-3 para iniciar a construção. Como vemos em cima, Bernardo Silva e David Silva, colocavam-se nas costas da linha média dos Spurs, fixando-a e procurando receber a bola dos centrais e/ou de Fernandinho nessas zonas.

Quando não era Bernardo ou David a receber o passe, os seus movimentos (fluidos) arrastavam adversários abrindo a linha média para o passe direto para Aguero. Como vemos em baixo, fluidez e coordenação de movimentos:

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Estes comportamentos, estas trocas posicionais, de o lateral estar no corredor lateral e o extremo dentro, ou o extremo no corredor e o lateral em zonas interiores, são muito complicadas para o adversário contrariar.

Primeiro o Cântaro não foi à fonte e quando foi não partiu

Na primeira parte, o Tottenham não apareceu em campo. Em grande parte pelo respeito do seu treinador em relação às suas ideias, particularmente no que diz respeito a iniciar a construção desde trás, através de passes curtos e combinações.

Contudo frente a Guardiola, para sair em posse desde trás, é necessário ter os jogadores harmoniosamente coordenados para o conseguir fazer de forma eficaz. Sobre forte pressão do City, o Tottenham nunca foi capaz de o fazer.

As ausências de Eriksen e Alli, extremamente resistentes à pressão, e as decisões precipitadas de Lloris, terão contribuindo certamente para esta ineficácia. Uma ineficácia que se cifrou em dois remates nos primeiros 45 minutos.

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Na segunda parte, os jogadores do Manchester City demonstraram alguma falta de concentração e incapacidade de gerir os ritmos do jogo com a bola.

Esse recuo do City foi penalizado, ainda que não no marcador, com a entrada de Alli e Eriksen. Na última parte do segundo tempo, o Tottenham criou muito burburinho sempre que tinha a posse da bola. Chegava com perigo ao último terço, mas faltava alguma coisa! Os, reduzidos, quatro remates em 90 minutos falam por si.

Aquele “Key-Pass” nunca aconteceu e o cântaro nunca partiu.

Quando esteve perto de partir, o mau estado do relvado entrou em equação.

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Foto de Capa: Manchester City FC

Artigo revisto por: Jorge Neves

 

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