O Sporting e o FC Porto defrontaram-se num dos jogos mais esperados nos últimos tempos. Não só por ser um clássico, mas também pela imagem renovada das equipas em relação à última temporada.
Rui Borges está finalmente a implementar as suas ideias, mesmo adotando uma estrutura em 1x3x2x5 em ataque, mas ao jogar com dois laterais de raiz é muitas vezes um médio que junta aos centrais para formar a linha de três; Luis Suárez também dá outras opções em relação a Gyokeres, é mais forte no jogo associativo e facilita o jogo entre linhas de Pedro Gonçalves e Trincão.
O FC Porto mudou de treinador e com isso também mudou por completo o seu modelo de jogo. Farioli tornou a equipa mais competente em todos os momentos de jogo, se bem que ainda apresenta falhas em ataque posicional. Os azuis e brancos voltaram à linha de quatro e optam por referências individuais em processo defensivo, a opção de jogadores fortes nos duelos tem ajudado Farioli e o FC Porto a ter muito sucesso na recuperação de bola. Mas a verdade é que ambos os treinadores foram privados de alguns dos seus melhores jogadores.
Rui Borges entrou em campo sem Maxi Araujo e Diomande, já Farioli não teve à sua disposição Pepê e Gabri veiga que se lesionou em cima do jogo, a acrescentar a isso Samu não estava na sua melhor condição e por isso começou o jogo no banco.
E por isso estes foram os 11 apresentados:

Mas então qual foi a estratégia de Sporting e FC Porto?
FC Porto confortável sem bola
O FC Porto entrou no jogo com uma estratégia clara: condicionar o Sporting através de marcações individuais em pressão alta e um bloco médio/baixo em 5-4-1, com o médio do lado contrário a fechar como “6”. Este mecanismo obrigou os leões a jogar mais direto, e nesse contexto destacou-se Bednarek, que venceu grande parte dos duelos aéreos. E mesmo quando Mora era esse médio mais defensivo o Sporting não soube aproveitar as fragilidades defensivas do médio.

A abordagem portista com bola
Com posse, o Porto não procurou elaborar demasiado. A prioridade foi não correr riscos desnecessários e trabalhar muitas vezes a segunda bola, contando com a capacidade de segurar bolas/tabelar de De Jong e a reação agressiva de Froholdt para dar continuidade às jogadas. Muitas vezes a primeira disputa não era pensada para ser ganha, mas para criar condições à equipa para atacar o espaço que se abria após essa luta pela bola. Foi um plano simples, mas eficaz, que retirou conforto ao Sporting e impediu que os leões controlassem os ritmos de jogo.

Sporting: intenções boas, execução falhou
O Sporting respondeu com um bloco médio híbrido: Trincão e Suárez tinham como missão condicionar a progressão pelo corredor central, Geny Catamo fechava à direita e Pedro Gonçalves acumulava funções, ajudando por dentro, mas também cobrindo largura. No meio-campo, Hjulmand e Kochorashvili seguiram referências individuais sobre os médios portistas, enquanto Gonçalo Inácio foi instruído a acompanhar os movimentos de descida de Luuk de Jong.
Esses recuos do avançado neerlandês foram recorrentes e importantes, oferecendo linhas de passe aos centrais portistas e permitindo ao Porto avançar no terreno.
Contudo, sempre que o Sporting tentou pressionar alto, revelou falhas de coordenação. Froholdt conseguiu escapar várias vezes ao controlo, já que era muitas vezes o ponta de lança leonino a ter de fechar o dinamarquês; quando este acelerava no terreno, ficava sem acompanhamento, o que abriu espaços que o Porto aproveitou para quebrar a pressão.
O Sporting com bola
Se no início teve dificuldades para sair de trás devido ao encaixe portista, o Sporting melhorou quando adotou uma construção a três, com um médio a baixar junto aos centrais. Esse ajuste permitiu uma saída de bola mais limpa, maior ligação com o meio-campo e a possibilidade de atrair a pressão do Porto para depois encontrar espaços nas alas.

Foi também nesse momento que surgiu a “dupla largura” no corredor direito, com Geny Catamo e Fresneda a fixarem simultaneamente por fora. Essa ocupação abriu linhas de passe, arrastou o lateral e o ala portistas e deu mais espaço para Pedro Gonçalves e Trincão aparecer em zonas interiores. Através dessa dinâmica, o Sporting conseguiu instalar-se com mais regularidade no meio-campo adversário e circular a bola em zonas de criação, ainda que sem transformar esse domínio em ocasiões claras.
As alterações de Rui Borges
A reação leonina surgiu já em desvantagem. Rui Borges procurou dar maior entendimento coletivo com as entradas de Quenda e Vagiannidis, dois jogadores que acrescentaram impacto sobretudo no corredor direito. Ainda assim, a desvantagem de dois golos obrigou a equipa a arriscar mais e a perder critério em vários momentos. A sensação que ficou é que, caso essa aposta tivesse surgido de início, o Sporting poderia ter explorado melhor algumas fragilidades da estrutura portista.
O FC Porto apresentou um plano de jogo sólido e pragmático: organização defensiva consistente, aposta clara em duelos e segundas bolas e disciplina após a vantagem. Nesse contexto, Bednarek brilhou nos duelos, De Jong foi peça-chave no apoio frontal e Froholdt garantiu linhas de progressão sempre que a pressão leonina subia.
O Sporting teve boas intenções no plano de Rui Borges, mas faltou execução: a equipa não conseguiu desmontar a estrutura portista e, quando arriscou mais, já estava em desvantagem no marcador.