Jogadores Que Admiro #117 – Rúben Neves

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Wolverhampton Wanderers FC

Na transição para a época 2017/2018, o FC Porto estaria sob vigilância da UEFA para os próximos três anos. Para assegurar o fair-play financeiro, teria de acertar contas, e portanto a venda de alguns jogadores seria necessária. Esta foi uma das razões que levou o médio português a viajar para Inglaterra para mostrar todo o seu futebol, com a camisola do Wolverhampton. Outra razão foi pelo facto do seu agente, Jorge Mendes, ter boas relações com o clube inglês. A acrescentar, o novo técnico do clube era Nuno Espírito Santo, que tinha orientado Rúben em Portugal e que não desperdiçou a oportunidade de o levar para iniciar um novo projeto.

A sua transferência foi mal vista por grande parte dos adeptos portistas, pois faziam questão que o jovem continuasse no plantel e obtivesse mais minutos de jogo. Os 18 milhões pagos pelo Wolves para adquirir Rúben Neves também foram contestados pela massa associativa, pois achavam pouco para um talento daqueles. A ida para o Championship (segundo escalão inglês) também foi incompreendida a nível geral. Rapidamente essa opinião foi eliminada, à medida que foram acompanhando a evolução do clube, assim como do jogador.

Rúben Neves fez uma época estonteante no Championship em 2017/2018, e só ficou atrás de Ryan Sessegnon no prémio de melhor jogador dessa edição do campeonato. O Wolverhampton tinha terminado em 15º lugar na temporada anterior e procurava a subida de divisão depois do investimento realizado, com presença forte de portugueses na equipa, tal como Diogo Jota, Rúben Vinagre, Hélder Costa, Ivan Cavaleiro e ainda mais três provenientes da liga portuguesa: Willy Boly, Roderick Miranda e Léo Bonatini.

Rúben Neves foi crucial para o projeto de Nuno, que teve como resultado a subida ao primeiro escalão inglês. O Wolverhampton foi campeão do Championship com uns honrosos 99 pontos conquistados e com exibições categóricas.

O médio português era dos jogadores da liga com mais ações com bola e elevou todo o futebol praticado em Portugal para outro nível, graças ao tempo de jogo concebido e por se assumir como o patrão do meio-campo dos Wolves. Todos os grandes golos marcados e os passes longos tornaram-se virais e Rúben começava então a chamar a atenção de toda a Europa. Marcou seis golos na primeira época ao serviço do clube, e todos eles fora de área. Rúben preenchia o campo com requinte e atirava forte de qualquer lado. Além do remate, proporcionou inúmeras oportunidades através da qualidade do seu passe, principalmente longo, isolando facilmente os colegas de equipa.

O vídeo abaixo mostra os melhores golos de Rúben Neves com a camisola dos Wolves.

No final dessa época, depois de se revelar a todo o mundo, pairava a dúvida acerca da continuidade de Rúben Neves na equipa inglesa, tendo em conta o número de equipas interessadas em adquirir as suas qualidades. A decisão foi permanecer no clube, para se estrear em grande na primeira divisão inglesa, sendo um titular indiscutível da equipa.

Rui Patrício, João Moutinho e Raúl Jiménez chegavam ao clube como reforços de peso e os adeptos estavam confiantes que podiam ter várias alegrias durante a época.

O Wolverhampton realizou mais uma excelente campanha e conseguiu um surpreendente e totalmente merecido 7º lugar, que deu acesso à qualificação para a Liga Europa. Rúben Neves marcou mais cinco golos nessa época e continuou em grande plano no futebol inglês, assumindo-se como um dos melhores médios do campeonato e demonstrando cada vez mais evolução e consistência. Voltava-se a questionar se seria desta que o português iria abandonar o barco de Nuno Espírito Santo.

A verdade é que permaneceu mais uma época nos lobos e continuou a encantar o estádio do Molineux. Nesta época de 2019/2020 já contava com quatro golos até à paragem de todas as competições, e o Wolverhampton seguia firme na 6ª posição, apenas a cinco pontos da Liga dos Campeões. A nível internacional, encontrava-se nos oitavos de final da Liga Europa, sendo um dos principais candidatos a vencê-la.

Posto isto, a arriscada mudança do prodígio dos dragões para Inglaterra tem sido favorável até ao momento. Num período de quase três anos, já adquiriu feitos brilhantes, marcou golos formidáveis, concretizou uma série de passes para golo e tornou-se já numa referência da sua posição. É um médio fantástico a nível mental, e a sua liderança vai tornando-o um treinador dentro de campo. A paixão que deposita dentro das quatro linhas é fascinante!

Apesar de ser um médio mais recuado, sempre demonstrou mais influência no processo ofensivo, pela sua criatividade, orientação, visão e leitura de jogo, qualidade de passe e remate. A nível defensivo, tem demonstrado alguma evolução, principalmente nas disputas de bola e na capacidade de recuperar e intercetar, graças às aptidões de posicionamento e, novamente, de leitura de jogo.

Até à data, tem já escrita uma bonita história no Wolverhampton, com a incerteza sobre a continuidade na próxima temporada. A verdade é que depois de tantas épocas de grande qualidade, dificilmente os Wolves aguentarão Rúben Neves por muito mais tempo. Com apenas 23 anos, o internacional português tem um futuro risonho pela frente e com a possibilidade de dar um grande salto brevemente. Em entrevista realizada recentemente, referiu que tem ainda o desejo de ser campeão com a camisola do FC Porto.

A classe e maturidade dentro de campo refletem-se para fora do futebol. Ser humilde e ter princípios é uma forma de estar na vida. Rúben teve sempre a paciência necessária para que as coisas boas chegassem, e o trabalho e a dedicação acompanham-no diariamente ajudando-o a ser cada vez melhor no que faz. Por todo o lado que passa, consegue cativar quem está perto dele, seja família, amigos, colegas de equipa ou adeptos.

Artigo revisto por Mariana Plácido

João Pedro Rocha
João Pedro Rochahttp://www.bolanarede.pt
João é de Espinho, no norte de Portugal, é licenciado em Ciências da Comunicação e tem o objetivo de singrar no jornalismo desportivo. É um apaixonado pelo futebol e acompanha o desporto desde tenra idade, principalmente o campeonato português, as top 5 ligas e as competições europeias. Tem o tiki-taka de Pep Guardiola como referência futebolística.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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