Última horaVasco da Gama de Pedro Emanuel empata com o Remo na 30.ª jornada do Brasileirão
Publicidade

Jogadores que Admiro #18 – Ryan Giggs

José Maria Monteiro · 4 min

Jogadores que Admiro #18 – Ryan Giggs
Giggs confunde com o Manchester United Fonte; Manchester United

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

jogadoresqueadmiro

Na minha primeira rubrica sobre “Jogadores que Admiro” escrevi sobre um senhor do futebol, Javier Zanetti, e deixei no ar que também tinha uma grande admiração por outro “menino”, o eterno porta-estandarte de Old Trafford: Ryan Giggs.

O que me leva a tremer e a emocionar enquanto escrevo sobre esta lenda do futebol? O meu amor incondicional pelo futebol e pelos jogadores que, acima dos milhões, dão a vida, o corpo e a alma pelo clube que os formou e que aprenderam a sentir. Giggs é um desses jogadores, talvez no topo de todos os restantes (a par de Paul Scholes). Tem mais de mil jogos na carreira como sénior, divididos da seguinte forma: 64 pela selecção do País de Gales (de onde é natural), quatro pela selecção de jogadores da Grã-Bertanha, e os restantes jogos pelo Manchester United, onde não me arrisco a dizer o número de jogos porque ainda fará muitos mais… Só isto já diz muito sobre a carreira de Giggs. Mas não é tudo. O médio galês começou o seu processo de formação no maior rival do United, o Manchester City (1985-1987), até que, aos 14 anos, uma “velha raposa” o viu pessoalmente e decidiu trazê-lo para o United: Sir Alex Ferguson! Fez a sua estreia como sénior corria o ano 1991, dia 2 de Março, frente ao Everton. Não era, portanto, eu nascido!

Com um vasto currículo, Ryan (permite-me que o trate assim?) conta com mais de 35 títulos colectivos ao longo da carreira e é o maior detentor de recordes da Premier League, nos quais se destacam os seguintes: jogador com mais títulos da Premier League, jogador com mais partidas disputadas no principal escalão inglês, jogador com mais assistências, jogador mais velho a marcar um golo na Liga dos Campeões, aos 37 anos e 148 dias, etc.

A juntar a tudo isto, também é detentor de prémios como a “Ordem do Império Britânico” ou o de “cidadão honorário de Manchester”. Só isto já diz muito sobre as suas qualidades, não só futebolistas, como humanas.

Giggs com uma das suas muitas condecorações Fonte:  PacificCoastNews.com
Giggs com uma das suas muitas condecorações
Fonte: PacificCoastNews.com

Ryan tem uma particularidade muito peculiar no seu futebol: soube adaptar o seu corpo ao desgaste e à dureza que uma Liga como a inglesa provoca nos atletas. Começou a carreira como extremo puro, onde a velocidade e técnica lhe permitiam ser o “Cristiano Ronaldo” da altura, chegando a ser apelidado de maior promessa britânica e sendo mesmo comparado com o “monstro” George Best. Com o tempo (muito tempo!), o extremo foi perdendo a velocidade da juventude mas ganhando a experiência que foi acumulando com a idade. Aos poucos foi-se tornando um falso extremo, para centralizar o seu jogo e passar a ser um “vadio” em campo, sem posição definida. Diga-se que a evolução do futebol também ajudou neste processo, pois, com a evolução táctica, a entrada do “trinco” no futebol permitiu a subida dos laterais e, com isso, permitiu ao jogo ter mais profundidade, podendo os extremos entrar no espaço central. Hoje em dia, Ryan tem divido as suas posições consoante os jogos: ora joga a falso extremo em jogos onde a sua facilidade táctica pode ser importante, ora joga a ”nove e meio”, deixando Rooney assumir as despesas mais defensivas, que seriam dele. Quando são jogos onde a velocidade é uma constante, contra equipas com laterais velozes e onde seja importante explorar as costas do adversário, geralmente Giggs começa o jogo no banco, pegando na batuta apenas nos 15 minutos finais.

É difícil falar deste Senhor sem repetir expressões como “fantástico”, “humilde”, “fabuloso”, “líder” ou “emocionante”… Desafio o leitor a deixar apenas uma palavra para descrever Ryan Giggs (e não, não vale “completo”!).

Aos 40 anos, e tendo renovado contrato por mais um ano (fez questão de frisar que é para cumprir e, quem sabe, renovar), o galês é uma força da natureza, e nem aquelas “chatas” lesões que vão maçando o corpo o fazem querer parar. Ele só quer uma bola e divertir-se, fazer aquilo de que gosta, ensinar os mais novos e tirar partido daquilo que é a sua grande paixão: jogar futebol! É graças a pessoas como Ryan que eu sinto ter nascido na melhor geração de sempre do futebol: assisti à transição do futebol da era “primitiva” para o futebol moderno, que pouco mais tem a evoluir. O actual médio foi dos poucos que passaram por todas essas fases e, se me fosse pedido que fizesse uma equipa de sonho de jogadores que pelas mesmas passaram, esta seria:

Peço desculpa a jogadores como Rui Costa, Pirlo, Gattuso, Ambrosini, Redondo, Makélélé, etc. Mas optei por jogadores que realmente passaram pelas mesmas fases do futebol que Ryan Giggs
Peço desculpa a jogadores como Rui Costa, Pirlo, Gattuso, Ambrosini, Redondo, Makélélé, etc. Mas optei por jogadores que realmente passaram pelas mesmas fases do futebol que Ryan Giggs

Uff! Ao fazer este onze, tive o chamado “orgasmo mental futebolístico”; apetecia-me fazer uma rubrica sobre cada um destes jogadores agora mesmo! Mas voltando ao ponto central: Ryan Giggs – e a maioria dos jogadores do quadro – são a prova de que não é preciso ganhar uma Bola de Ouro para se ser uma lenda (ver imagem abaixo):

Ryan Giggs e Zanetti: o exemplo de duas lendas que nunca ganharam uma bola de ouro Fonte: soccersuck.com
Ryan Giggs e Zanetti: o exemplo de duas lendas que nunca ganharam uma Bola de Ouro
Fonte: soccersuck.com

Para finalizar, gostaria de deixar o meu desejo de que Ryan Giggs continue a espalhar magia por muitos, muitos anos! Uma vénia a ti, Ryan (e desculpa tratar-te por “tu” e pelo primeiro nome, mas, depois deste texto e de tudo o que pesquisei sobre ti, sinto que és e serás um eterno jovem…). Obrigado por existires, obrigado por fazeres parte das minhas futuras histórias aos meus netos, onde serás parte importante do “eu tive o prazer de ver jogar jogadores como…”, e, acima de tudo, obrigado por me teres dado tantas alegrias ao longo dos anos, não enquanto adepto do Manchester, mas sim enquanto amante do futebol. A ti, um obrigado do tamanho do mundo!

 

José Maria Monteiro

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
FC Porto

Um golpe de génio no meio da insistência | Marítimo 1-2 FC Porto

O FC Porto venceu, este sábado, o Marítimo, por 1-2, na 8.ª jornada da Primeira Liga, num encontro em que esteve longe de apresentar a sua melhor versão, mas conseguiu transformar uma exibição irregular numa vitória importante.   Depois de uma primeira parte marcada pelas dificuldades na construção e pela chegada à vantagem por parte dos madeirenses, os dragões, que empataram ainda antes do descanso, cresceram após o intervalo, assumiram o controlo e chegaram ao triunfo com um momento de talento individual de Oskar Pietuszewski. Entre a inspiração do jovem polaco, a influência das substituições de Francesco Farioli e os problemas que a equipa voltou a revelar, o resultado acabou por sorrir ao líder, embora o caminho até aos três pontos tenha sido mais complicado do que precisava.

Raul Saraiva · 10 min de leitura
Ler a crónica
Opinião

Lamber as feridas do Dragão | Benfica x Vitória SC

Quase três semanas depois, e com muita polémica em torno da seleção nacional, as emoções do campeonato estão de volta. O Benfica é o último dos três grandes a apresentar-se nesta jornada. Após os triunfos de Sporting e FC Porto os encarnados estão obrigados a vencer para não se atrasarem ainda mais na corrida pelo título. As águias vão defrontar o Vitória SC, que tem estado a realizar um campeonato aquém das expetativas, e este poderá ser o adversário ideal para sarar as feridas provocadas no Estádio do Dragão. Marco Silva tem algumas dores de cabeça para esta partida, mas nada que não se resolva. O treinador encarnado não vai poder contar com os lesionados Daniel Banjaqui, Jaden Umeh, Jakub Kaminski e Enzo Barrenechea. Georgiy Sudakov é o único do departamento médico que está em dúvida. Clément Lenglet também não vai a jogo por estar a cumprir castigo após a expulsão frente ao FC Porto. Oportunidade para Alessandro Circati estrear-se como titular no eixo da defesa.  Com Banjaqui e Bah indisponíveis, Fredrik Aursnes irá ocupar o lado direito da defesa. Nada que o médio norueguês já não esteja habituado, pois recentemente desempenhou essa função ao serviço da sua seleção. Em relação a Sudakov, mesmo que entre na convocatória não será titular. Andreas Schjelderup deverá ocupar novamente a posição 10 atrás de Vangelis Pavlidis.

Rui Alves Maria · 5 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.