Jogadores que Admiro #20 – Vítor Baía

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Nascido a 15 de Outubro de 1969 e de seu nome Vítor Manuel Martins Baía (conhecido, apenas, como “Vítor Baia”), este ex-guardião de clubes de renome como Barcelona ou Futebol Clube do Porto dispensa apresentações, sendo que o seu maior cartão-de-visita é somente o facto de ser, ainda na actualidade, um dos jogadores como mais títulos colectivos do mundo (e chegou a ser, durante vários anos, o jogador com mais – isto a falar de futebol, claro): 33.

Atormentado por diversas lesões no joelho que o impediram de se afirmar como um dos melhores guarda-redes da história do futebol, quem conhece e percebe de futebol, quem sabe da especificidade que é preciso ter na posição mais recuada no xadrez do futebol, sabe que ele o foi. A prova daquilo que digo está assente nos 39 prémios individuais que foi acumulando ao longo da carreira, começando na época longínqua de 88/89, onde ganha o prémio “foot-Reuch”, que distinguia o melhor guarda-redes nacional e que teve a cereja no topo do bolo quando, em 2004, na épica época do Futebol Clube do Porto do então “desconhecido” José Mourinho, Vítor Baia arrecadou, primeiramente, o prémio “UEFA best-goalkeeper” (referente à Europa) e, nesse mesmo ano, o “FIFA best-goalkeeper” (referente a todo mundo). Pelo meio foi conquistando outros galhardetes, como o de guarda-redes do ano para a “european sports magazine” (94/95) ou o prémio carreira, em 2003. Os seus últimos dois troféus enquanto desportista foram entregues na época de 2008, com a distinção da “Ordem do Infante D. Henrique (República Portuguesa)  “ e “Prémio “alto prestígio” pela Confederação do Desporto de Portugal”.

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Baía alcançou a glória europeia em 2004, ao vencer a Liga dos Campeões
Fonte: somosporto.org

Feito este difícil processo de escolha de títulos, desengane-se quem pensa que fico por aqui: acima do jogador fabuloso que foi, acima do grande legado de defesas que nos deixou, Vítor Baía assumiu-se como um grande Homem! Um verdadeiro Homem com “H grande e maiúsculo” que fundou, em Junho de 2004, aquela que é uma das instituições de caridade de maior sucesso em Portugal: a fundação Vítor Baía 99 (número que ostentou durante a sua carreira). Para mim, este último parágrafo já chegaria para fazer esta rubrica. Grandes homens fazem grandes coisas, e Vítor demonstrou sê-lo. Milhares de crianças e famílias carenciadas estão-te eternamente gratas, Vítor.

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Logotipo da Fundação Vítor Baía
Fonte: Blog Pronúncia do Dragão

Porém, a vida do ex-guardião “Azul-e-Branco” e “Blaugrana” nem sempre foi um mar de rosas… Sendo ele o primeiro jogador internacional a atingir as 75 internacionalizações e ainda tendo o recorde de imbatibilidade das nossas redes (1191 minutos), Vítor Baía foi vítima de um processo de escrutínio público sujo e, atrevo-me a dizer, nojento (permita-me o leitor o uso de tal linguagem): foi repentinamente afastado da selecção nacional tendo sido substituído por um jogador que estava a emergir mas que não passava de um guardião banal: Ricardo. Na altura, o bode expiatório de Gilberto Madaíl (por quem não nutro qualquer sentimento de agradecimento) foi Scolari, “sargentão” brasileiro, campeão do mundo e com fama de “quero, posso e mando”. Eram opções, dizia-se. Até ao dia em que o brasileiro, numa entrevista, se “descaiu” e admitiu que não convocava Baía pois essa fora uma imposição de Madaíl, na sua chegada a Portugal para assinar contrato. Foi o então Boavisteiro Ricardo que assumiu as rédeas da baliza nacional (onde se revelou um defensor de penaltys exímio mas um péssimo guarda-redes fora dos postes, para tal estatuto de “número 1” – uma espécie de… Beto?).

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Ao longo da carreira, o guarda redes fez 80 jogos na equipa principal da Selecção Portuguesa
Fonte: Blog Dazuis

Outra das amarguras que estão “incrustadas” em Vítor Baía foi a forma como saiu do seu clube de coração, o clube que foi muito responsável para hoje o “ex 99” ser um dos únicos nove jogadores a terem conquistado os três principais troféus europeus (até então): Taça UEFA (agora Liga Europa), Taça das Taças (hoje em dia Supertaça Europeia) e Liga dos Campeões. Falo, portanto, do Futebol Clube do Porto. Algo que não foi bem explicado, penso eu… Vítor Baía, após “pendurar as luvas”, assumiu um cargo na estrutura azul-e-branca. Tudo apontava para um jogo de homenagem, mas tal não se sucedeu, e o mesmo afastou-se (ou foi afastado…) do cargo que assumira cerca de dois anos antes. Hoje continua ligado ao Porto através do “dragon force vintage”, que é a equipa de ex-estrelas que disputam o campeonato indoor com clubes espanhóis. Um dia gostaria de ver esta história esclarecida…

Bem, Vítor, que se pode mais dizer de ti, depois de conquistares 12 campeonatos, cinco Taças de Portugal, nove taças Cândido de Oliveira, uma Taça UEFA, uma Liga dos Campeões, uma Taça Intercontinental, 1 Taça das Taças, 2 Taças do Rei de Espanha, 1 Supertaça de Espanha e 1 Taça da Catalunha…? Apenas que foste enorme, és enorme! Espero um dia voltar a ver-te intimamente ligado ao meu Porto, que com tanto orgulho representaste. “Longe de vista, mas perto dos corações”; e a tua história de amor pelo Porto não acabará aqui. Nada será esquecido, és uma lenda do nosso clube! Obrigado por tudo, campeão! Continua!

José Maria Monteiro
José Maria Monteirohttp://www.bolanarede.pt
O Zé Maria é um estudante de desporto e apaixonado por futebol (onde o pratica como guarda-redes por esses grandes distritais e tem o curso de treinador). Adora discutir o desporto-rei e tenta ser o mais imparcial possível.                                                                                                                                                 O José não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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