Existem jogadores que nos encantam ao primeiro toque na bola que vemos deles. Foi o que me aconteceu quando vi um miúdo pequeno e franzino com o manto vermelho e branco por dentro dos calções a bailar pelos campos do Caixa Futebol Campus. Camisola 10 nas costas e a braçadeira no braço esquerdo chamaram a atenção para um talento que não enganava, até aos que não querem saber do desporto rei.

Todos sabemos que a vida dos atletas que não apresentam desde cedo um bom porte físico é difícil. Com Bernardo Silva, não foi exceção. Muitas vezes, nos escalões de formação, acabava no banco ou pouco utilizado. Só o talento podia dar a volta a uma situação que se esperava tudo menos fácil, com um caminho mais sinuoso que os restantes.

A temporada de explosão do português foi no último ano de formação. Basta pesquisar no Youtube que somos logo bombardeados com vídeos das exibições na temporada 2012/2013, onde o SL Benfica acabou por se tornar campeão nacional no escalão de Juniores A. Com os olhos no chão, dominava a bola e começava a dar nas vistas pela grande capacidade de driblar quem se opusesse.

A europa começou a acordar para a capacidade técnica do jovem médio aquando do Europeu de sub-19, na Lituânia, onde Portugal chegou às meias-finais, mas acabou por perder frente à Sérvia. Depois de tão bons apontamentos, todos, principalmente os adeptos encarnados, esperavam que depois de uns bons meses na equipa “B”, fosse a hora de apostar num dos maiores talentos da formação.

Depois de uma pré-época com a equipa principal benfiquista, era a hora de experimentar um novo desafio na carreira. Aos 19 anos, um jovem Bernardo rumou ao principado do Mónaco para representar o clube local. O que era um empréstimo, depressa passou a uma transferência definitiva.

Bastaram dois anos para o pé esquerdo mágico passar a ser conhecido mundialmente. A dúvida passou a certeza, e as exibições nos grandes palcos, como a Liga dos Campeões, catapultaram-no para a fama. Treinado por Leonardo Jardim, e fazendo parte de um plantel cheio de talento, o campeonato francês voltou a terras monegascas. Apesar de estar num bom clube, era unânime que poderia e deveria dar o passo seguinte na sua carreira.

Fonte: Bola na Rede

Agora, no Manchester City, continua a caminhar rumo a uma carreira cheia de sucessos. Na temporada passada, os cinco títulos distribuídos entre o clube e a seleção levaram Bernardo Silva ao nono lugar na luta pela Bola de Ouro, um resultado motivador que nos leva a pensar que ainda vamos a tempo de ver o melhor do português.

Passados tantos anos a acompanhar um jogador, o aborrecimento não me consegue assistir. Continuo todos os jogos a ligar a televisão para ver o que o pequeno “Messizinho” tem para nos oferecer, e espero que o futebol e o talento não se esgotem até ao último dia da sua carreira. Gostava que os olhos de quando eu era mais nova nunca parem de brilhar cada vez que vê o ídolo brilhar e marcar golos.

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