Jogadores que Admiro #11 – Pablo Aimar

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Um simples texto é pouco para explicar a minha adoração pelo jogador desta semana. Adoração essa que é partilhada, curiosamente, pelo Maradona dos tempos modernos – o Messi. Pablo César Aimar Giordano tem sido a minha paixão futebolística nos últimos 13 anos. 13 anos… Nem me tinha apercebido disso antes de começar a escrever. Esta minha pancada com o jogador argentino remonta ao ano de 2001, em que eu, com apenas seis aninhos, recebi um jogo de computador denominado “Championship Manager 2000-2001”. Neste simulador de futebol, em que o utilizador é treinador, o jogador que eu mais gostava de comprar era o Pablito. Isto pode parecer completamente irrelevante mas não é. Porque a partir do momento em que saiu o jogo e eu conheci o jogador, nunca mais o perdi de vista. Passei a ver jogos do Valência e a torcer pelo clube só e apenas porque lá jogava o argentino, e ainda bem que o fiz. Tive o prazer, assim como muitos outros, de assistir em primeira mão à classe e ao brilhantismo de um dos melhores números 10 argentinos de todos os tempos.

“El Payaso”, como era chamado na sua terra natal, rejeitou o ingresso na faculdade de medicina para seguir carreira de futebolista, e ainda bem. Saiu do River com apenas 21 anos, rumo à Europa, já com 82 jogos nas pernas a nível profissional e 22 golos, todos pela equipa principal do River. Os seus conterrâneos apelidavam-no de “El Payaso” porque Aimar tinha, a par de Ronaldinho, por exemplo, o vício de sorrir durante quase toda a partida, especialmente após fazer alguma “maldade” a um jogador da equipa adversária. Chega à Europa pela mão do Valência por 24 milhões e, embora se duvidasse do retorno desportivo do investimento do clube Che, Aimar rapidamente dissolveu qualquer tipo de dúvidas, ajudando o clube a vencer o primeiro campeonato em mais de 30 anos. Pode-se dizer que os tempos áureos do jogador foram, de facto, no Valência, onde conquistou o campeonato por duas vezes – em 2001-2002 e em 2003-2004 -, a taça Uefa em 2003-2004, a supertaça europeia em 2004, e perdeu uma final da Liga dos Campeões nos penaltis contra o Bayern em 2000-2001. Benitez, treinador do clube Valenciano na altura, chegou a dizer que preferia ter Aimar a Ronaldinho na equipa. Maradona, por sua vez, garantiu que Aimar era dos poucos jogadores que pagava para ver jogar. O futebol perfumado do pequeno génio fez com que ganhasse o respeito e o carinho dos adeptos do clube, que chegaram até a inventar um cântico para o camisa 21 que ecoava no Mestalla semana sim, semana não.

O camisola 21 do Valência / Fonte: tfcbrasil.forumh.net
O camisola 21 do Valência
Fonte: tfcbrasil.forumh.net

Em 2006 ruma ao Zaragoza, que, apesar de ter um projecto interessante, com alguns jogadores de qualidade, não conseguiu resultados satisfatórios, chegando, até, a descer de divisão na época de 2007-2008. Sempre fustigado por lesões, Aimar vê-se forçado a repensar o seu futuro, e é aí que aparece Rui Costa e o Benfica. Numa entrevista concedida à Benfica TV, Aimar recorda que já tinha mais ou menos delineado o seu futuro antes de conhecer Rui Costa. Contudo, com a proposta do Benfica e com o aliciamento do “Maestro”, Aimar considera a proposta dos encarnados e decide envergar a antiga camisola do internacional português. Com esta história toda quem é que é o benfiquista mais feliz? Eu. Tive, então, a felicidade de poder ver o meu ídolo… no meu clube. Querem melhor conjugação de cenários? Gabo-me de que, quando vivia a cerca de 180 kms do Estádio da Luz, sempre que vinha ver um jogo do Benfica o Aimar marcava. Parecia que sentia que eu estava no estádio; chegou a dizer que o Estádio da Luz tinha qualquer coisa. Se calhar essa qualquer coisa era eu. Um benfiquista, português, babado pela magia que se apresentava na forma de toques subtis que parecia que só Aimar sabia fazer. De “El Payaso” passou a “El Mago” e a segunda alcunha fez jus à carreira dele; além das inegáveis qualidades futebolísticas, as humanas não ficavam atrás. Sempre sereno, muitíssimo humilde, um senhor dentro e fora de campo. De palhaço, o jogador de Río Cuarto não tem nada.

Pedro Teles
Pedro Teleshttp://www.bolanarede.pt
O Pedro é uma personagem incontornável no universo benfiquista, principalmente quando se encontra no interior do Estádio da Luz. Os adeptos de cadeiras vizinhas já chegam ao ponto de exclamar "já não te posso ouvir" em jogos mais intensos. A nível de futsal, torce pelos Independentes de Sines.                                                                                                                                                 O Pedro não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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João Prates está na Tribuna VIP do Bola na Rede. É treinador de futebol, licenciado em Psicologia do Desporto e está no seu espaço de opinião no nosso site. O técnico de 52 anos já orientou o Dziugas da Lituânia, o Vaulen da Noruega e o Naft Maysan, do Iraque, e esteve na formação do Al Batin e Hajer Club da Arábia Saudita.