Leandro Romagnoli representou para mim a personificação do clássico “10” argentino: um jogador de estatura franzina que era, todavia, um tecnicista e driblador nato. “El Pipi” como ficou conhecido na Argentina, é um dos jogadores que mais admiro e que ficará para sempre na memória dos Sportinguistas.

“El Pipi” nasceu em Buenos Aires, em 1981. Formou-se e revelou-se no San Lorenzo de Almagro e tendo feito a sua estreia, em 1998, na formação principal do Ciclón frente ao Racing com apenas 17 anos. A partir de 1999, o jovem Romagnoli garante o seu lugar na equipa e sob a égide de Manuel Pellegrini conquistou os seus três primeiros grandes títulos colectivos: o Torneio Clausura Argentino de 2001 (um dos dois torneios que compunham o antigo formato do campeonato argentino), a Taça Mercosul daquele ano e a Taça Sul-Americana de 2002. Em paralelo, Romagnoli foi campeão pela Selecção sub-20 no Mundial realizado na Argentina em 2001 já com o número 10 nas costas e ao lado de outros colegas que iriam também despoletar mais tarde como D’Alessandro, Leonardo Ponzio ou Saviola. É também neste San Lorenzo, campeão da primeira Taça Sul-Americana em 2002, que alinhava uma outra figura bem conhecida do universo sportinguista – “Beto” Acosta, que juntamente com Romagnoli e Sebastien Saja constituíam as grandes referências atacantes do Ciclón”.

2004 é o último ano de Romagnoli no San Lorenzo antes de partir para fora da Argentina. Do clube já haviam saído Saja e Acosta e entretanto surgiram nomes como Pablo Zabaleta e Ezequiel Lavezzi. Romagnolli acaba por sair também do San Lorenzo e partiu em direcção ao México onde representaria o Tiburones Rojos de Veracruz no qual nunca conseguiu adaptar-se.

Foi então o momento de Romagnoli dar o salto para o velho continente. “El Pipa” chegou ao Sporting CP na época 2005/2006, por empréstimo que se converteria em compra definitiva do seu passe. Na sua primeira época em Alvalade, o argentino demonstrou algumas dificuldades de adaptação. Todavia, seria na época seguinte, a de 2006/2007, que Romagnoli revelaria os seus dotes como médio ofensivo e conquistaria assim a afición leonina. Enquanto Leão conquistou duas Taças de Portugal, em 2007 e em 2008, e duas Supertaças nos mesmos anos, e foi vice-campeão da liga portuguesa durante as quatro temporadas em que esteve ao serviço dos Leões.

Em 2008, com a explosão de João Moutinho, Romagnoli começou a perder espaço na formação leonina. A contratação de Matias Fernandez em 2009 marginaliza por completo o argentino. Nesse ano, apesar do alegado interesse do Fluminense na sua contratação, e depois de o Sporting CP o oferecer de “bandeja”, Romagnoli resolveu regressar ao El Nuevo Gasómetro, para representar novamente o clube do seu coração, o San Lorenzo, no qual ficaria até à sua retirada do futebol profissional em 2017. E regressa como um jogador feito e experiente. Tornar-se-ia um elemento chave da conquista inédita da Taça Libertadores em 2014 pelo San Lorenzo e vê a sua consagração como um herói do clube de Boedo.

Apesar de ser uma das figuras mais importantes da história do San Lorenzo, e muito fez para o merecer, Romagnoli será sempre recordado com carinho em Alvalade pelo seu contributo de leão ao peito.

Artigo revisto por Diogo Teixeira

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