jogadoresqueadmiro

Na minha primeira rubrica sobre “Jogadores que Admiro” escrevi sobre um senhor do futebol, Javier Zanetti, e deixei no ar que também tinha uma grande admiração por outro “menino”, o eterno porta-estandarte de Old Trafford: Ryan Giggs.

O que me leva a tremer e a emocionar enquanto escrevo sobre esta lenda do futebol? O meu amor incondicional pelo futebol e pelos jogadores que, acima dos milhões, dão a vida, o corpo e a alma pelo clube que os formou e que aprenderam a sentir. Giggs é um desses jogadores, talvez no topo de todos os restantes (a par de Paul Scholes). Tem mais de mil jogos na carreira como sénior, divididos da seguinte forma: 64 pela selecção do País de Gales (de onde é natural), quatro pela selecção de jogadores da Grã-Bertanha, e os restantes jogos pelo Manchester United, onde não me arrisco a dizer o número de jogos porque ainda fará muitos mais… Só isto já diz muito sobre a carreira de Giggs. Mas não é tudo. O médio galês começou o seu processo de formação no maior rival do United, o Manchester City (1985-1987), até que, aos 14 anos, uma “velha raposa” o viu pessoalmente e decidiu trazê-lo para o United: Sir Alex Ferguson! Fez a sua estreia como sénior corria o ano 1991, dia 2 de Março, frente ao Everton. Não era, portanto, eu nascido!

Anúncio Publicitário

Com um vasto currículo, Ryan (permite-me que o trate assim?) conta com mais de 35 títulos colectivos ao longo da carreira e é o maior detentor de recordes da Premier League, nos quais se destacam os seguintes: jogador com mais títulos da Premier League, jogador com mais partidas disputadas no principal escalão inglês, jogador com mais assistências, jogador mais velho a marcar um golo na Liga dos Campeões, aos 37 anos e 148 dias, etc.

A juntar a tudo isto, também é detentor de prémios como a “Ordem do Império Britânico” ou o de “cidadão honorário de Manchester”. Só isto já diz muito sobre as suas qualidades, não só futebolistas, como humanas.

Giggs com uma das suas muitas condecorações Fonte:  PacificCoastNews.com
Giggs com uma das suas muitas condecorações
Fonte: PacificCoastNews.com

Ryan tem uma particularidade muito peculiar no seu futebol: soube adaptar o seu corpo ao desgaste e à dureza que uma Liga como a inglesa provoca nos atletas. Começou a carreira como extremo puro, onde a velocidade e técnica lhe permitiam ser o “Cristiano Ronaldo” da altura, chegando a ser apelidado de maior promessa britânica e sendo mesmo comparado com o “monstro” George Best. Com o tempo (muito tempo!), o extremo foi perdendo a velocidade da juventude mas ganhando a experiência que foi acumulando com a idade. Aos poucos foi-se tornando um falso extremo, para centralizar o seu jogo e passar a ser um “vadio” em campo, sem posição definida. Diga-se que a evolução do futebol também ajudou neste processo, pois, com a evolução táctica, a entrada do “trinco” no futebol permitiu a subida dos laterais e, com isso, permitiu ao jogo ter mais profundidade, podendo os extremos entrar no espaço central. Hoje em dia, Ryan tem divido as suas posições consoante os jogos: ora joga a falso extremo em jogos onde a sua facilidade táctica pode ser importante, ora joga a ”nove e meio”, deixando Rooney assumir as despesas mais defensivas, que seriam dele. Quando são jogos onde a velocidade é uma constante, contra equipas com laterais velozes e onde seja importante explorar as costas do adversário, geralmente Giggs começa o jogo no banco, pegando na batuta apenas nos 15 minutos finais.

É difícil falar deste Senhor sem repetir expressões como “fantástico”, “humilde”, “fabuloso”, “líder” ou “emocionante”… Desafio o leitor a deixar apenas uma palavra para descrever Ryan Giggs (e não, não vale “completo”!).

Aos 40 anos, e tendo renovado contrato por mais um ano (fez questão de frisar que é para cumprir e, quem sabe, renovar), o galês é uma força da natureza, e nem aquelas “chatas” lesões que vão maçando o corpo o fazem querer parar. Ele só quer uma bola e divertir-se, fazer aquilo de que gosta, ensinar os mais novos e tirar partido daquilo que é a sua grande paixão: jogar futebol! É graças a pessoas como Ryan que eu sinto ter nascido na melhor geração de sempre do futebol: assisti à transição do futebol da era “primitiva” para o futebol moderno, que pouco mais tem a evoluir. O actual médio foi dos poucos que passaram por todas essas fases e, se me fosse pedido que fizesse uma equipa de sonho de jogadores que pelas mesmas passaram, esta seria:

Peço desculpa a jogadores como Rui Costa, Pirlo, Gattuso, Ambrosini, Redondo, Makélélé, etc. Mas optei por jogadores que realmente passaram pelas mesmas fases do futebol que Ryan Giggs
Peço desculpa a jogadores como Rui Costa, Pirlo, Gattuso, Ambrosini, Redondo, Makélélé, etc. Mas optei por jogadores que realmente passaram pelas mesmas fases do futebol que Ryan Giggs

Uff! Ao fazer este onze, tive o chamado “orgasmo mental futebolístico”; apetecia-me fazer uma rubrica sobre cada um destes jogadores agora mesmo! Mas voltando ao ponto central: Ryan Giggs – e a maioria dos jogadores do quadro – são a prova de que não é preciso ganhar uma Bola de Ouro para se ser uma lenda (ver imagem abaixo):

Ryan Giggs e Zanetti: o exemplo de duas lendas que nunca ganharam uma bola de ouro Fonte: soccersuck.com
Ryan Giggs e Zanetti: o exemplo de duas lendas que nunca ganharam uma Bola de Ouro
Fonte: soccersuck.com

Para finalizar, gostaria de deixar o meu desejo de que Ryan Giggs continue a espalhar magia por muitos, muitos anos! Uma vénia a ti, Ryan (e desculpa tratar-te por “tu” e pelo primeiro nome, mas, depois deste texto e de tudo o que pesquisei sobre ti, sinto que és e serás um eterno jovem…). Obrigado por existires, obrigado por fazeres parte das minhas futuras histórias aos meus netos, onde serás parte importante do “eu tive o prazer de ver jogar jogadores como…”, e, acima de tudo, obrigado por me teres dado tantas alegrias ao longo dos anos, não enquanto adepto do Manchester, mas sim enquanto amante do futebol. A ti, um obrigado do tamanho do mundo!