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Como fã devoto e confesso do FC Barcelona que sou, praticamente desde que me conheço, pode considerar-se natural que não existam muitos jogadores do Real Madrid que me tenham marcado e por quem seja capaz de pôr a rivalidade de parte para os colocar no lote dos meus jogadores favoritos de sempre. Para alguns adeptos, acredito que não será tão aceitável assim, mas se pensar um pouco comigo, caro leitor, perceberá o que estou a tentar dizer.

É sintomático da paixão clubística acreditarmos que os nossos são sempre melhores e diria, até, que existe um receio quase irracional de estarmos a trair as nossas cores ao reconhecermos mérito ao adversário. No entanto, há casos em que nem o amor por um clube serve de desculpa para a falta de lucidez.

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Hoje aproveito o privilégio de usufruir deste espaço para prestar a minha homenagem a um dos nomes incontornáveis do futebol moderno e que, apesar de ter defendido o rival Real Madrid praticamente toda a carreira, merece toda a minha admiração e respeito, pois o bom senso assim dita: Raúl González Blanco, vulgo Raúl na gíria.

Para quem vê futebol há alguns anos, este nome é um dos obrigatórios sempre que se refere a categoria dos avançados. Dotado tecnicamente e com um sentido de golo absolutamente letal, Raúl é um daqueles jogadores verdadeiramente inspiradores e que muitos miúdos, à data, provavelmente tiveram como “role model”.  A dada altura, devo confessar que foi um dos meus. Às vezes, contra todas as minhas crenças e convicções, quando me sentava em frente à televisão a jogar FIFA, chegava a escolher o Real Madrid para ter o Raúl na minha equipa. Quando marcava um golo na escola, chegava a festejar como via o Raúl fazê-lo.

Raúl é uma verdadeira lenda viva do Real Madrid CF Fonte: futbolnova.com
Raúl é uma verdadeira lenda viva do Real Madrid CF
Fonte: futbolnova.com

Foi um jogador que marcou uma geração e que influenciou a minha forma de idealizar o futebol. Era o típico avançado que fazia tremer qualquer defesa por ser um perigo iminente, não só por possuir um pé esquerdo temível, mas, também, por ser uma ameaça constante no jogo aéreo.

A todas estas excelentes competências futebolísticas, Raúl acrescentava um grande espírito de liderança e uma atitude irrepreensível para com todos os companheiros de profissão. Convém lembrar que o avançado nunca viu um cartão vermelho em mais de 20 anos de carreira. Tudo isto levou Hierro a apelidá-lo, e bem, de “El Ferrari“. Raúl era isso mesmo: um Ferrari de edição limitada. Um daqueles jogadores topo de gama, com quem qualquer equipa deseja contar e que muitos miúdos almejam ser. Mas ao nível do espanhol, até agora, vi muito poucos.

Retirou-se em 2015 como segundo melhor marcador da história do Real Madrid, terceiro maior goleador de sempre na Liga dos Campeões e o quinto na Liga Espanhola. Do seu palmarés constam seis campeonatos espanhóis, três Champions, duas taças intercontinentais, uma Supertaça Europeia, quatro Taças de Espanha pelo Real Madrid, entre muitos outros troféus conquistados ora no Schalke, ora no Qatar e Estados Unidos.

Por tudo isto e mais alguma coisa, é um dos jogadores que admiro e que nunca esquecerei. Desejava vê-lo jogar durante muitos anos, mas, como tudo tem um fim, chegou a hora de estacionar o “Ferrari” na garagem. Para a história ficam os (muitos golos) e as excelentes memórias.

Foto de Capa: ABC