Jogadores que Admiro #53 – Zico

- Advertisement -

jogadoresqueadmiro

Arthur Antunes Coimbra. Poucas palavras são necessárias para descrever este monstro do futebol. Devo precaver o caro leitor de que fiz esta escolha pois prefiro nomes que sejam menos (mediaticamente) sonantes. Até porque a maioria que tiver a paciência de ler este pequeno texto apenas terá visto Zico jogar pelos vídeos espalhados nessa rede chamada Internet.

Obviamente, há um nome de uma instituição associado ao camisa 10: Clube de Regatas Flamengo. Foi lá que Zico jogou praticamente toda a carreira, formando grandes equipas com jogadores como Mozer, Júnior Leandro, Rondinelli e até o “doutor” Sócrates, com quem acabou por vencer o último campeonato da carreira, decorria o ano de 1987.

No Rio de Janeiro, Zico é visto como um Deus. Símbolo maior do Flamengo, ficou para sempre com o apelido de “Galinho de Quintino”. Enfim, o número de títulos por Zico nos rubro-negros é exemplificativo da importância que o filho de portugueses tem para os flamenguistas: quatro Campeonatos Brasileiros de Futebol (1980, 1982, 1983, 1987); a Copa dos Libertadores da América, em 1981; a Intercontinental no mesmo ano, destruindo a fortíssima equipa do Liverpool, por 3-0. A este respeito, Graeme Souness, um dos muitos escoceses integrantes dessa team do Liverpool, quando treinava o Benfica, apelidou Zico de E.T.. E era-o, de facto. Estes foram os títulos principais.

Zico ainda jogou dois anos em Itália, na modesta equipa da Udinese, numa época em que os melhores jogadores do mundo atuavam naquele país Transalpino. Marcou muitos golos pelos alvi-negros italianos e levou o clube a uma inédita qualificação para a Taça UEFA, algo visto como um grande feito para um clube tão pequeno. O Flamengo ressentiu-se da perda, não vencendo esses dois campeonatos. Na volta do “Galinho” para a Gávea, mais um título e o fim da carreira a grande nível no final dos anos 80. O 10 ainda jogou no Japão, onde é visto como um rei do futebol.

A reverência ao eterno 10 do Flamengo Fonte: globoesporte
A reverência ao eterno 10 do Flamengo
Fonte: globoesporte

Em termos de seleção, Zico e companhia deram dos maiores espetáculos de sempre. Em 1978, na Argentina, não perdem nenhum jogo e vão para casa, porquanto a classificação naquele tempo era diferente – grupos de três, onde contava a diferença de golos. O polémico Argentina-Perú ficará para sempre sob suspeita de que a equipa da casa tenha coagido verbal e fisicamente os peruanos, para que perdessem por mais de três golos. Anos conturbados e de ditaduras musculadas um pouco por toda a América Latina. Ficou 6-0. No Mundial seguinte, Zico e companhia voltam, uma vez mais, a encantar o mundo, numa das seleções mais fortes de sempre. O único jogo que Zico perdeu em Mundiais foi o famoso Brasil-Itália, jogado na Catalunha, sob um calor abrasador. Rossi não teve piedade e o Brasil foi para casa com o rótulo de melhor seleção do mundo, mas sem a Taça. O Brasil de 1982 era tão forte que certamente fez de propósito para não vencer este Mundial. Brinco, claro. Porém, era uma equipa à parte das outras, sem dúvida.

[blockquote style=”2″]

É falta na entrada da área

Adivinha quem vai bater

É o camisa 10 da Gávea

É o camisa 10 da Gávea

(Música e letra de Jorge Ben Jor)

[/blockquote]

Em 1986, as estrelas brasileiras, ainda juntas, estavam bem mais velhas (todos com mais de 30 anos) e já sem aquela capacidade para surpreender o mundo. Mesmo assim, o Brasil teve uma grande prestação, apenas eliminado nos penáltis pela França de Platini. Zico entrou a meio do jogo e falhou um penálti ainda no tempo regulamentar. O encontro terminou com o placard de 1-1. Aquando da marcação das penalidades, Zico não falhou, mas até hoje os brasileiros não perdoam aquela grande penalidade não concretizada por Zico, que daria o 2-1. Ao carioca só faltou mesmo ser Campeão Mundial; uma espinha entravada, de facto.

Enfim, um dos maiores de sempre: Top 10 dos melhores futebolistas brasileiros no século XX; 14.º melhor da História para a FIFA, sendo, neste quesito, o terceiro brasileiro a entrar no Hall of Fame daquele órgão, logo atrás de Pelé (1.º lugar) e Garrincha (8.º lugar). Zico detém ainda a marca capicua e invejável de maior artilheiro no Maracanã – esse mítico estádio do futebol mundial: 333 golos apontados ao serviço de uma camisa, a número 10 do Flamengo, que será para sempre sua.

Foto de Capa: imortaisdofutebol.com 

Daniel Melo
Daniel Melohttp://www.bolanarede.pt
O Daniel Melo é por vezes leitor, por vezes crítico. Armado em intelectual cinéfilo com laivos artísticos. Jornalista quando quer. O desporto é mais uma das muitas escapatórias para o submundo. A sua lápide terá escrita a seguinte frase: "Aqui jaz um rapaz que tinha jeito para tudo, mas que nunca fez nada".                                                                                                                                                 O Daniel escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Vitinha e Ousmane Dembélé saem com queixas físicas e deixam Portugal e França atentos

Vitinha e Ousmane Dembélé sairam do jogo com queixas fisicas. O PSG venceu o Arsenal nas grandes penalidades e conquistou a Champions League.

Salvador Blopa despede-se de João Gião: «Muito mais do que um treinador»

Salvador Blopa deixou uma mensagem emotiva de despedida a João Gião e agradeceu ao técnico que vai treinar o CD Nacional.

Arsenal invicto na Champions League não consegue conquistar o troféu

O Gunners não sofreu derrotas nesta liga dos Campeões. O PSG venceu o Arsenal nas grandes penalidades e conquistou a Champions League.

Gonçalo Brandão lamenta novo ano do Belenenses na Liga 3: «Jogámos contra uma equipa com orçamento e jogadores de Primeira Liga e fomos melhores...

Gonçalo Brandão já reagiu ao encontro entre o Belenenses e o Farense, relativo ao playoff de manutenção/promoção da Segunda Liga.

PUB

Mais Artigos Populares

Luis Enrique atinge marca histórica ao vencer duas Champions League pelo PSG

Luís Enrique conquistou a sua terceira liga dos Campeões. O PSG venceu o Arsenal nas grandes penalidades e conquistou a Champions League.

André Villas-Boas afasta cenário de investidores no FC Porto: «Não vejo acontecer uma situação semelhante à do Benfica»

André Villas-Boas não vê o FC Porto a seguir um cenário semelhante ao do Benfica no que toca à entrada de investidores externos na SAD.

Vasco Vilaça vence Circuito Mundial de Triatlo e Ricardo Batista conquista o terceiro lugar

Vasco Vilaça venceu este sábado a etapa de Alghero, do Circuito Mundial de Triatlo. Ricardo Batista também subiu ao pódio.