Ricardo Horta é já uma das figuras em destaque do futebol nacional e está a realizar uma excelente temporada ao serviço do SC Braga, naquela que é a sua quarta época ao serviço dos minhotos. O extremo natural de Almada, que regressou ao futebol português depois de uma aventura em Espanha, onde representou o Málaga, tem tido papel de relevo no clube, tendo sempre ultrapassado a barreira dos quarenta jogos.

Esta época, primeiro com Ricardo Sá Pinto e mais tarde com Rúben Amorim, manteve o estatuto de imprescindível, e aos vinte e cinco anos parece ter amadurecido o seu futebol, alcançando assim um nível elevado de consistência que o transportam para um plano superior.

O que mais me impressiona é a tomada de decisão, que este ano o levam a ter uma relação especial com o golo, quer nos que marca, quer nos que dá a marcar. A sua velocidade e técnica permitem-lhe chegar facilmente a zonas de perigo no último terço e Ricardo Horta tem sido letal, revelando uma frieza assombrosa que caracteriza os melhores. São dezanove golos e sete assistências, caso para dizer que os números falam por si.

Anúncio Publicitário

Com Ricardo Sá Pinto ocupou preferencialmente o corredor esquerdo dos sistemas utilizados pelo ex-técnico bracarense, que variaram entre 1-4-3-3 e 1-4-4-2, e mais tarde com Rúben Amorim, como extremo esquerdo do seu 1-3-4-3. Ponto comum, desempenhou muito bem o seu papel em qualquer um dos sistemas, mostrando boa adaptabilidade.

Se é verdade que os números “falam”, também há o jogador para lá da estatística, o que apenas pode ser observado, e quem vê Horta não pode ficar indiferente. A forma como trata a bola, fruto de técnica apurada, aliada a uma boa capacidade de mudança de velocidade, fazem dele um jogador muito complicado de defrontar no 1×1.

Essa capacidade de se “desembrulhar” de um adversário, levantar a cabeça e colocar a bola no caminho certo, a tal tomada de decisão, é o que o torna especial. E que dizer daqueles momentos que antecedem os seus golos dentro da área, a dois toques, em que o tempo parece parar à sua volta, quase como se estivesse sozinho no relvado, em que o primeiro toque ajeita a bola e o segundo é para a colocar no fundo das redes, com a frieza glaciar da elite.

António Salvador tem no extremo português aquela que pode ser a próxima grande venda do Braga, depois de concretizada a transferência de Francisco Trincão para o FC Barcelona. Em condições normais arriscava dizer que este seria o último ano do jogador ao serviço dos guerreiros, contudo, face aos últimos desenvolvimentos da pandemia originada pelo vírus Covid-19 e como tudo indica que irá afetar toda a economia do futebol, é mais provável que continuemos a ver o jogador em território nacional, uma boa notícia para os amantes do jogo e que gostam de ver os talentos portugueses a dar cartas no seu país.

Uma coisa é certa, o talento está lá e em elevada quantidade, pelo que mantendo esta bitola, aos vinte e cinco anos, tem tudo para concretizar a sua afirmação como um dos grandes jogadores do nosso campeonato e vir ainda a dar cartas no plano internacional. Tem a palavra Ricardo Horta.

Artigo revisto por Diogo Teixeira