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Minuto 90+4’. O Manchester United perde em casa do Stoke City. Um resultado que o deixa mais longe da luta pelo top 4 da Liga Inglesa e termina com a invencibilidade de dezasseis jogos da equipa de José Mourinho. Aparece, então, Wayne Rooney. Livre descaído para o lado esquerdo, e o inglês, com pouco ângulo, desfere um remate cheio de intenção que só para no fundo da baliza. Empate para o United e recorde de golos pelo clube batido pelo jogador formado no Everton. 250 golos (!) com a camisola do histórico clube inglês. Ultrapassa, assim, uma das maiores lendas do clube, Bobby Charlton. Mas Rooney também é, sem sombra de dúvidas, uma lenda dos red devils.

Nascido em Liverpool, cidade do norte de Inglaterra, o jogador fez a sua formação no Everton, estreando-se com apenas dezasseis anos. Após dois anos e depois de setenta e sete jogos e dezassete golos pelos toffees, transferiu-se para o gigante de Manchester e logo no seu jogo de estreia, assinou um hat-trick.

Apelidado como um dos grandes jogadores da sua geração – era, inclusivamente, apontado à bola de ouro –, pode-se dizer que Rooney não atingiu todo o potencial que lhe era reconhecido, apesar do excelente currículo que apresenta.

O jogador inglês, dadas todas as características que possui – excelente remate, visão de jogo apurada e um grande sentido tático –, acabou por se transformar numa espécie de “bombeiro” da equipa, expressão muito usada na gíria futebolística. Com uma grande capacidade de desempenhar várias funções do jogo com qualidade, Alex Ferguson aproveitou-se disso e transformou o jogador numa espécie de faz-tudo, afastando-o, progressivamente, da zona onde rendia mais – a de avançado.

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O futebol ficou a perder e Rooney também. As características que evidenciava deixaram de se destacar e o inglês parece que baixou o nível ao longo dos anos. Todos os treinadores que teve utilizaram-no em várias posições e o capitão red devil nunca mais foi o homem mais avançado da equipa que era uma seta apontada à baliza contrária e que o levou a saltar para a ribalta do futebol.

Certo é, que apesar de todas estas condicionantes, Rooney conseguiu, mesmo assim, tornar-se no melhor marcador da história do Manchester United e uma lenda do clube. No entanto, ninguém me tira da cabeça – a mim e muitos amantes do desporto rei – que a carreira do mítico jogador inglês tem um sabor amargo. Um jogador que podia ter sido um dos três melhores jogadores do mundo, e com o passar dos anos, tornou-se “apenas” o jogador mais útil da equipa e que qualquer treinador gosta de ter.

Wayne Rooney já conseguiu um lugar na história do clube que representa, mas a questão que fica é a seguinte: até à data são 250 golos, mas se nunca tivesse sido desviado da sua posição original, quantos é que seriam?

Foto de capa: Reuters

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