Última horaManchester United pode provocar ‘terramoto’ no que diz respeito aos treinadores: eis o alvo dos red devils
Publicidade

Jogo Interior #25 – O comportamento reflexivo do treinador

Bruno Alexandre Rodrigues · 3 min

Jogo Interior #25 – O comportamento reflexivo do treinador
Foto: Carlos Silva / Bola na Rede

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

O treinador é um promotor de atividades com grupos de praticantes recorrendo, fundamentalmente, à construção das unidades de treino, suportando-se na Teoria e Metodologia do Treino e à condução destas sessões, praticando o que foi planeado, interagindo diretamente com os seus atletas baseando-se, então, na Pedagogia.

Desta forma, sabemos que o treinador tem um papel essencial, obviamente, no planeamento e na estruturação das competências técnicas e táticas e, das atitudes e comportamentos a “propor” ao grupo com que interage, visando exercer uma ação persuasiva que fomente, nos praticantes, vontade para alterar competências técnicas e sociais.

Esta intervenção é eficaz se o treinador evidenciar competência e esta for reconhecida e identificada, primeiro que tudo, pelos praticantes. É aqui que surge o comportamento reflexivo, o hábito criado de regularmente haver uma autoavaliação, por parte do treinador, no que se refere às suas práticas e aos seus valores. E é disso mesmo que vamos falar hoje na nossa rúbrica de Jogo Interior.

Esta “ferramenta” é determinante para identificar pontos fortes e fracos, desvios e acertos no desenvolvimento da sua função com o intuito de melhorar e aumentar a competência do treinador. É, também, através do comportamento reflexivo que o treinador de futebol, ou de qualquer outra modalidade, garante e estrutura o seu próprio progresso e evolução.

Desenvolver este comportamento permite que o treinador avalie a sua própria prática e, assim, promova o seu desenvolvimento, que se repercute, invariavelmente, na qualidade das suas práticas, unidades e sessões de treino, e no desenvolvimentos dos praticantes a todos os níveis. O treinador consegue, assim, encontrar e desenvolver meios e competências para identificar o grau de eficácia das estratégias de intervenção utilizadas no treino e na competição, corrigindo-as se forem inadequadas.

Considero esta capacidade de auto-observação e introspeção essencial para o sucesso de um treinador, é uma necessidade constante, mas é transferível para qualquer área profissional e para além deste território. Um médico deve estar constantemente atento e deve refletir sobre as suas ações, sobre as suas prescrições, sobre a sua forma de comunicar com as pessoas, faz parte do seu trabalho se quiser ser competente no exercício da sua função. Numa relação familiar, amorosa ou de amizade, devemos também ter este comportamento reflexivo, perceber se estamos a abordar a outra pessoa da melhor forma, se a nossa postura é a correta a fim de perceber se somos “competentes” na relação que pretendemos manter, se a quisermos manter.

Qualquer treinador realiza, permanentemente, uma avaliação do seu desempenho, das suas decisões e intervenções, e com a experiência e o treino esta capacidade de autoavaliação em tempo real é aprimorada. Ainda assim, e tendo em conta que os treinadores menos experientes poderão perder muitas informações importantes, estes profissionais devem complementar a sua autoavaliação com uma espécie de auto avaliação à posteriori, onde recorrem à sua memória para preencherem tabelas ou listas que permitam verificar o sucesso das suas intervenções, das suas decisões e escolhas.

Tudo isto, da Primeira Liga aos patamares mais amadores, é fundamental para que o treinador se desenvolva e melhore a sua intervenção, perceba que erros está a cometer, que estratégias estão a resultar e a ter efeitos positivos e que outras não tanto, sabendo que existe influência direta deste comportamento reflexivo sobre a competência demonstrada, competência esta que é percebida pelos praticantes e atletas que tem à sua frente e que são os principais “objetos de mudança”, sendo aqueles que mais sofrem com a qualidade ou não das práticas executadas.

 

Artigo revisto por Joana Mendes

Bruno Alexandre Rodrigues

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

A ligação do Celtic à cidade de Lisboa e a rumaria ao Jamor (1967)

A edição 2026/27 da UEFA Europa League marca o regresso do Celtic a Portugal, em especial à cidade de Lisboa. Onde já foi feliz e conquistou o maior título do seu palmarés: a Taça dos Campeões Europeus 1966/67. O momento é ainda mais histórico quando se olha para o histórico dos bhoys no nosso país. O Celtic jogou no nosso país por 13 vezes (12 contra equipas portuguesas) e venceu por três ocasiões. Duas das mesmas foram contra equipas lusas, ao Boavista (1-0 em 2002/03) e Vitória SC (2-1 em 1998/99). Na capital foi sempre derrotado por Benfica (quatro vezes) e Sporting (duas vezes). A exceção foi mesmo no dia 25 de maio de 1967.   Perante um Portugal ainda assombrado pela ditadura do Estado Novo, mas ainda assim anfitrião da final da competição, foi no Estádio do Jamor que se presenciou uma das mais épicas finais de sempre da Taça dos Campeões Europeus. Frente a frente com o Celtic estava o Inter de Milão. O estatuto de ambos não podia ser mais diferente. Enquanto os escoceses estavam numa final da Taça dos Campeões pela primeira vez, os italianos já eram bicampeões (venceram a competição em 1964 e 1965). Tal como era a primeira vez que uma equipa britânica estava na final, em contraste com os italianos que já a tinham vencido por três vezes (AC Milan em 1963 além das duas eterno rival da mesma cidade).

Jorge Afonso · 3 min de leitura
Ler a crónica
Opinião

Entrada à guerreiro na Dinamarca | FC Copenhaga x Braga

Tem início esta quinta-feira (dia 15 de outubro), a sexta edição da UEFA Conference League. Sinónimo de começo da caminhada da única equipa portuguesa na competição. O Braga desloca-se à Dinamarca para defrontar o Copenhaga. Duas equipas que têm um percurso semelhante na Conference League até ao momento. Ambas tiveram acesso à mesma através da passagem de três eliminatórias, os dois emblemas venceram quatro jogos e empataram dois e procuram agora entrar na competição com uma vitória. Se Copenhaga e Braga têm ambições a fazer um percurso europeu notável, o único aspeto que separa as duas equipas a nível interno. Se uma é já uma tradicional candidata ao título no seu país, a outra ainda está um patamar atrás dos tradicionais (três) candidatos. Entrar a ganhar na Conference League é muito importante para a equipa de Carlos Vicens começar um novo ciclo de bons resultados. Ocupando atualmente o sétimo lugar na Liga Portuguesa tendo mais jogos não ganhos (quatro) do que ganhos (três) e tendo tantos golos sofridos como marcados (oito cada), é relevante para os bracarenses reverter a situação o quanto antes. Dentro da própria equipa, a situação não aparenta estabilidade total. Se é verdade que o modelo tático é o mesmo desde a época passada e as próprias opções, que são múltiplas para cada posição, têm tido utilização regular, também é verdade que Vicens ainda não repetiu totalmente um onze de um jogo para outro. De jogo para jogo, tem existido praticamente uma alteração por setor, existindo sempre alguma incerteza nas opções e são poucos os que em condições normais são considerados "titulares indiscutíveis".

Jorge Afonso · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.