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Jogo Interior #18 – Sistema de Recompensas

Filipe Mendes · 3 min

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jogo interior

“Quem dá mais?”

Esta é a realidade do futebol atual.

Já pensaram como tudo podia ser diferente, se desde miúdos nos incutissem a ideia de que o objetivo dos jogadores de futebol não ė vir a ganhar muito dinheiro? Bem… na verdade até o fazem nos primeiros anos de formação, mas depois parece que outros valores se levantam.

À medida que o tempo passa, a frase “eu quero é que sejas feliz” vai sendo substituída por “trabalha que ganhar 5000€ na bola não é fácil…” ou por algo assim parecido. Infelizmente, o mau exemplo começa logo a ser dado pelos clubes, que em vez de motivarem os jogadores pelos meios que têm para que estes se desenvolvam pessoalmente, ou para que subam, um dia mais tarde, hierarquicamente dentro do clube proporcionando-lhes formações e acompanhamento para o exercício de um cargo específico no futuro, preferem continuar a usar o dinheiro como “isco”.

Mas será que não teríamos muito mais a ganhar se o dinheiro gasto em contratações e salários monstruosos, fosse utilizado para formar atletas com conhecimentos e aptidões, para a vida depois dos relvados? Sim, porque existe vida depois dos relvados! Muitos jogadores se esquecem disso, ou pelo menos fazem por não se lembrar, mas o problema é quando as pernas já não dão e o dinheiro que juntámos durante a carreira futebolística não é assim tanto para nos darmos ao luxo de não fazer mais nada em termos profissionais.

Existem milhares de motivos para criar uma empresa ou assumir um projeto, mas todos têm como ponto de partida fazer a diferença e ser inovador dentro de uma oportunidade de negócio, e o futebol pode ser a prova viva disso, fazendo a diferença na forma inovadora como reconhece e recompensa os jogadores, basta que os clubes percebam, quanto antes, que o foco deve estar nos sonhos e não no dinheiro, pois esse virá por acréscimo.

São os sonhos que nos movem, e as várias tentativas para a concretização dos mesmos, cria paixão, energia, entusiamo e vitalidade. Acredito que se as diferentes instituições fizerem os desportistas sonhar em vez de os aliciarem unicamente com grandes quantias monetárias e os ajudarem a realizar esses mesmos sonhos, serão retribuídos com uma dedicação e lealdade para lá do imaginável, e aí, eles terão para o trabalho a mesma paixão e energia que têm pelos seus sonhos, até porque um clube só se pode tornar a melhor versão de si próprio se as pessoas que para ele trabalham estiverem motivadas e com a ambição de também elas se tornarem a melhor versão de si próprias.

Fonte: Filipe Mendes
Fonte: Luís Brandão

Os jogadores são únicos no sentido da capacidade que cada um deles tem de imaginar um futuro mais risonho, de ansiar por esse futuro e de dar os passos necessários para o criar. É esse processo do «sonho pró-ativo» que as instituições desportivas têm de implementar. Estas têm que se reger pelo princípio do valor acrescentado, ou seja, um atleta será responsável por dar valor à vida de um clube, assim como o clube será responsável por acrescentar valor à vida de um atleta, até porque quando ajudamos alguém a realizar os seus sonhos, estamos a investir pessoalmente neles, o que representa um dos fundamentos primordiais do trabalho de equipa.

Nas próximas décadas iremos testemunhar que a grande batalha empresarial se irá focar na luta pelo talento, mas a verdade é que não basta apenas contratar as pessoas certas. A capacidade de atrair, cativar, motivar e reter o talento tornar-se-á a estratégia objetiva número um de todos os grandes líderes empresariais e de todas as empresas de sucesso do mundo moderno. Assim sendo, para além dos pontos já referidos acima, defendo também que, acarinhar, organizar e fazer sonhar os desportistas, sejam aspetos prioritários.

Acredito que o sonho comanda a vida, e que a par com o desenvolvimento pessoal, nada entusiasma mais uma pessoa que a perseguição dos seus sonhos.

Existem dois aspetos cruciais que mantêm um desportista ambicioso motivado: a sensação de marcar a diferença e a sensação de estar a progredir.

A ideia que o dinheiro é o principal objetivo dos jogadores já passou.

A moeda do futuro são os sonhos!

O blogue Transição Ofensiva pode ser consultado aqui.

Foto de Capa: Olho Digital

Filipe Mendes

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