O Passado Também Chuta: A final das finais do Euro

- Advertisement -

o passado tambem chuta

Não se ouve outra frase, é a verdade; é o desejo, é a ambição da glória: “As finais são para ganhar…”. Ninguém fala em jogar, maravilhar os espectadores; fala-se na ambição de ganhar. É a negação do velho conceito do desporto. Por isso, escrever sobre a final mais memorável do Europeu de Seleções é difícil e nunca se acerta, porque as finais são memoráveis porque há um vencedor e são memoráveis para o vencedor. No entanto, tivemos finais simpáticas, como aquela em que a Dinamarca se sagrou campeã derrotando a Alemanha. A Dinamarca era uma seleção pequena que logrou derrotar uma grande potência.

Espanha, anos mais tarde, em 2008, por terras da Suíça e da Áustria, também derrotou a poderosa Alemanha e iniciou, pela mão de Luís Aragonês, quase uma década prodigiosa. O Sábio de Hortaleza, depois da vitória, afirmou que a base para uma seleção vitoriosa estava arquitetada. E assim foi. Mas, no caso espanhol, existiu uma virtude para além do feito de ganhar: Luís Aragonês transformou o mito espanhol do futebol-força e do futebol impetuoso pelo futebol do toque, do lateralizar, do esconder a bola ao adversário, do arriscar no momento certo ou pela genialidade do pé do habilidoso. Existiu criação.

A festa espanhola Fonte: UEFA
A festa espanhola
Fonte: UEFA

Luís Aragonês treinou até bem perto da hora do adeus. Viu a sua obra caminhar guiada por outros, mas viu como o que criara fora uma obra perfeita. Os gurus da informação ou opinião acompanhados pelos arautos da clubite começaram a associar a grande obra a uma cópia do futebol do Barcelona. Falso. Aragonês explicou e bem: disse que analisou e concluiu que, perante o futebol pujante das grandes equipas da Europa, Espanha só teria possibilidade de vencer se escondesse a bola e, para isso, Espanha tinha uns “bajitos” maravilhosos. Conseguiu criar um grupo de irmãos e camaradas e nesta lavoura teve grande importância o guarda-redes suplente Reina. Selecionou jogadores de toque: Xavi, Silva, Cesc e uma dupla de centrais indomáveis como Puyol e Marchena. Meteu-os a levar a bola de um lado para outro; retirou o brinquedo aos impetuosos. E a Alemanha de jogadores como Ballack, Podolski ou Klose viu como quatro rodas-baixas lhe roubaram a boneca e a Taça desejada. Esta final alterou, definitivamente, a apreciação que existia do futebol espanhol.

O estádio Ernst Happel, de Viana de Áustria, estava colorido. Uma das claques, a alemã, confiava; a outra, a espanhola, sonhava. Alemanha entra no jogo forte e vigorosa. Domina. A dupla central espanhola, Puyol e Marchena, resiste e transforma-se num muro. Espanha e os seus pequeninos começam a ter a menina dos olhos bonitos. O ballet do toca-dá-passa para trás e para a frente começa. Xavi coloca a bola no espaço de Fernando Torres; Lahm não pode fazer nada e Lehmann recolhe a bola do fundo das redes. Espanha recomeça o jogo no jogo do esconde-esconde e eles não a encontram; Alemanha mete sobre o relvado todo o seu vigor, mas a manha dos espanhóis consumiu o jogo, e chegam vitoriosos ao momento do apito final. Espanha saiu à rua. Os jogadores e os membros da comitiva foram recebidos como heróis em Madrid. Esta guerra mudara o futebol espanhol.

José Luís Montero
José Luís Montero
Poeta de profissão, José simpatiza com o Oriental e com o Sangalhos.                                                                                                                                                 O José não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Mais uma surpresa das grandes: Curaçau empata 0-0 com o Equador e conquista 1º ponto na história dos Mundiais

Que surpresa. Depois da goleada sofrida na estreia, Curaçau foi capaz de segurar o 0-0 até ao fim e travou o Equador no Mundial 2026.

Grátis e não só: onde ver todos os jogos do Mundial 2026 neste domingo, 21 de junho?

O Mundial 2026 continua com quatro partidas por dia. Sabe onde ver os jogos da noite (e madrugada) deste domingo, 21 de junho.

Luís Freire e o percurso de Matheus Nunes: «O exemplo do Matheus Nunes deveria ser mais referido, porque é uma história inacreditável»

Luís Freire concedeu uma entrevista em exclusivo ao Bola na Rede. O selecionador dos sub-21 falou de Matheus Nunes.

Luís Freire e o Mundial 2026 de Portugal: «Que orgulhem o povo português e, no final, todos fiquemos muito orgulhosos da nossa prestação como...

Luís Freire concedeu uma entrevista em exclusivo ao Bola na Rede. O selecionador dos sub-21 falou no Mundial 2026.

PUB

Mais Artigos Populares

Luís Freire destaca qualidade de Rodrigo Mora e Geovany Quenda: «Esta juventude precisa de respirar, precisa de alegria, precisa de paixão, precisa daquilo que...

Luís Freire concedeu uma entrevista em exclusivo ao Bola na Rede. O selecionador dos sub-21 olhou para Rodrigo Mora e Geovany Quenda.

Luís Freire e a nova geração de ouro do futebol português: «Os sub-17 foram campeões do mundo naquela idade e não podemos achar que...

Luís Freire concedeu uma entrevista em exclusivo ao Bola na Rede. O selecionador dos sub-21 falou nos sub-17 campeões da Europa e do Mundo.

Luís Freire feliz com Fábio Baldé e Mateus Mané a jogar por Portugal: «Se calhar foi Inglaterra que o atraiu e nós recuperamos um...

Luís Freire concedeu uma entrevista em exclusivo ao Bola na Rede. O selecionador dos sub-21 falou de Mateus Mané e Fábio Baldé.