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O Passado Também Chuta: Atlético CP na Segunda Liga 2011/2012

Guilherme Costa · 4 min

O Passado Também Chuta: Atlético CP na Segunda Liga 2011/2012
Foto: Atlético CP

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O Atlético CP conquistou um lugar de subida à Segunda Liga na época 2011/2012, 35 anos depois da última presença em campeonatos profissionais, – em conjunto com o CF União da Madeira – e tinha a difícil missão de assegurar a permanência numa das divisões mais difíceis e equilibradas de todo o futebol português.

A equipa da freguesia de Alcântara reforçou-se com alguns atletas provenientes do Sporting CP, SL Benfica, Vitória SC e CS Marítimo por empréstimo, destacando-se Zézinho e Hélio Vaz. Uma das grandes contratações nesse ano foi o guarda-redes australiano Caleb vindo da equipa norte-americana Carolina RailHawks e que se revelaria uma das revelações da prova.

João de Deus foi o eleito para comandar o Atlético ao longo das trinta jornadas que compunham o campeonato, naquele que seria o primeiro desafio mais exigente na sua carreira. O plantel bem fortalecido com jogadores experientes e alguns jovens dava confiança à massa adepta alcantarense de que o clube iria conseguir alcançar o principal objetivo de se manter na Segunda Liga.

O início de campeonato foi de ‘sonho’ para o Atlético: nas cinco jornadas iniciais, o clube da Tapadinha apenas saiu derrotado na visita ao terreno do FC Arouca (2-0), sendo que o nulo no Restelo na primeira jornada e o triunfo pela margem mínima frente ao GD Estoril-Praia, que venceria a Segunda Liga nessa época, foram os melhores resultados alcançados pelo recém-promovido. O bom arranque seria confirmado na jornada 6, com o Atlético a passar a liderar o campeonato de forma isolada.

Na tarde de sábado de 1 de outubro de 2011, os comandados de João de Deus recebiam no seu estádio um dos candidatos à subida, a Naval 1.º de Maio. Com os visitantes a serem os favoritos a conquistar os três pontos, a formação visitada queria retomar o caminho das vitórias após o desaire contra o Arouca e conseguiu graças ao golo solitário de Tiago Caeiro no início do segundo tempo. A vitória a juntar à derrota do Leixões SC frente ao Portimonense SC deu a liderança isolada ao Atlético, que na jornada seguinte tinha um difícil embate na casa do Leixões.

Tiago Caeiro fez o golo que deu a vitória sobre a Naval
Fonte: Atlético CP

Os alcantarenses deslocaram-se ao Estádio do Mar cientes de que não perdendo com o Leixões, continuariam no topo da classificação. Assim sendo, o conjunto lisboeta entrou a todo o gás na partida e abriu o marcador bem cedo: o médio emprestado pelo Vitória FC, Silva, fez o primeiro e único golo do encontro, que cimentou a liderança do Atlético na Segunda Liga. O primeiro lugar foi preservado com sucesso até à 12.ª jornada, altura em que a viagem até à Vila das Aves acabaria com uma derrota por 3-1 e consequente ultrapassagem no topo pelo Estoril.

Essa mesma derrota não afetou o rendimento da equipa que veste de amarelo e azul, já que, até ao fim da primeira volta, o Atlético empata por duas vezes e vence a UD Oliveirense, o que permite alcançar os 26 pontos e a manutenção estava bastante perto de ser alcançada para enorme felicidade dos adeptos e sócios que mantiveram o seu apoio desde a primeira partida na Segunda Liga.

Contudo, a segunda volta não teve os mesmos contornos positivos da primeira: derrota na receção ao CF “Os Belenenses” por 0-2, goleada sofrida na Amoreira (5-0), nulo em casa frente ao CD Santa Clara e desaire pela margem mínima no terreno do CD Trofense fizeram com que o Atlético caísse do quarto para o sétimo lugar, e se ainda houvesse esperança numa hipotética subida à Primeira Liga, a série negra acabou com essa possibilidade. Felizmente a jornada 20 foi de retoma, com o central Rolão a ser o autor do golo da vitória sobre o Arouca, o que permitiu ao conjunto da Tapadinha alcançar os 30 pontos que praticamente deram a manutenção. O jogo frente aos arouquenses viria a ser o último de João de Deus no comando técnico.

O jogo frente ao Arouca foi o último de João de Deus como técnico do Atlético CP
Fonte: Atlético CP

O abandono de João de Deus não deitou abaixo a equipa, uma vez que na jornada seguinte conseguiu pontuar no difícil terreno da Naval e depois viria a triunfar novamente pela margem mínima sobre o Leixões, com o reforço de inverno Luís Barry a ser o autor do golo da vitória. O certo é que essa seria mesmo a última vitória até ao final da Segunda Liga, numa altura em que o clube lisboeta se encontrava no quinto posto da classificação. Daí adiante, foi mesmo para esquecer: nos oitos jogos finais, o Atlético perdeu cinco e empatou três, com o “melhor” resultado a ser o empate a duas bolas na casa do Freamunde, após ter estado a perder por 2-0, recuperando com dois golos nos últimos 10 minutos do jogo.

Apesar da reta final menos positiva, o certo é que o Atlético CP garantiu com todo o mérito a manutenção na época de regresso aos campeonatos profissionais, tendo ficado no nono lugar com 37 pontos conquistados nas 30 jornadas disputadas. Uma das equipas apontadas como candidatas à descida deu luta às restantes que compunham a Segunda Liga e ainda chegou a ser líder da prova por alguns jogos, mas o principal objetivo era ficar mais que um ano nesta divisão. A formação da Tapadinha manteve-se na Segunda Liga até à época 2015/2016 em que acabou mesmo por descer para grande tristeza da sua fiel massa adepta que ainda recorda estes anos de Segunda Liga e sonha com o retorno a este patamar do futebol português.

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Guilherme Costa

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