O Passado Também Chuta: Diego Armando Maradona

- Advertisement -

o passado tambem chuta

Maradona é um nome maiúsculo do mundo do futebol. Escrever sobre ele não é difícil; é impossível. Como se pode descrever ou falar sobre a magia se não se é mago e se carece dos códigos mágicos? Eu não posso, no entanto, poderei falar, tentar descrever as minhas sensações quando recordo o Maradona a atravessar o campo; bola no pé esquerdo; o direito servia para correr; a ziguezaguear enlouquecendo os marcadores e a rematar com o seu pé-luva para o fundo da rede. Para mim é um Garrincha. É um jogador que mal tinha corpo de jogador; forte; roliço; baixote; repentino; assustador. Garrincha corria; deixava a bola no sítio e o contrário corria com o Garrincha; Garrincha retrocedia, pegava na bola onde a deixara e continuava; o marcador? O defesa não se sabe o que pensaria ou se, nesse momento, pensava. Sabe-se que Garrincha hipnotizava. Sabe-se que Maradona também hipnotizava. Estão no meu arquivo como os grandes magos não da bola, mas sim da “querida”.

Ganharam o pedestal de mitos absolutos; padeceram e Maradona ainda padece, os detritos que são atirados contra os grandes mitos; mas, como a vida pessoal dos mitos ou de qualquer pessoa é dela e de mais ninguém, o que conheço está relacionado com o que me transmitiram como jogadores-magos. O resto só interessa à “coscuvilhice” que deseja invadir a privacidade dos indivíduos. Diego Armando Maradona saltou com a bola pegada no pé esquerdo desde o bairro das dificuldades. Cedo, mal lhe aparecera a barba, já espantava o mundo do futebol pela sua capacidade para ser o rei do campo; ganhou e assombrou um Campeonato sub-20 com a Argentina. Começa a passear a camisola do Argentinos Juniores. Começa a ganhar e a ser falado e admirado nos confins da última aldeia conhecida.

A fama que produzia a sua magia futebolística afasta-o do bairro das dificuldades; o dinheiro começa a encher malas próprias e estranhas. Europa cobiça-o. O poderoso Barcelona consegue os seus serviços depois de ter militado no seu Boca Juniores e de ser campeão. É jovem; muito jovem ainda. Em Barcelona encontra-se com um mestre do meio-campo: Bernard Shuster. Têm jogos que não são jogos de futebol; são exibições malabaristas. O futebol espanhol era duro; muito duro e Maradona sofreu uma grave lesão. Shuster também padeceu do mesmo mal e os dois foram, literalmente, alvejados em jogos contra o Atlético de Bilbao. A aventura espanhola de Diego Armando Maradona acabou cedo; dois anos. Ganhou uma Taça do Rei; uma Taça da Liga e uma Supertaça de Espanha. Itália esperava-o.

Itália é um país cheio de História e de estórias. Maradona chegou a Nápoles; arribou, caprichosamente, a um clube pequeno no sentido competitivo; nunca conhecera os louros do triunfo no, então, melhor campeonato do Mundo. O Nápoles tinha dinheiro e ambição. Comprou bem e emparelhou Careca com Maradona. Maradona criava; Careca realizava. Passaram a ser temidos. Chegaram a campeões de Itália. O Nápoles saboreou o triunfo. Repetiram; ganhou também a Taça de Itália; a Supertaça de Itália e – finalmente – o Nápoles alcançou o triunfo europeu; açambarcou a Taça da UEFA. Maradona sentou-se, então, à direita do Deus grego Zeus.

Maradona é um dos melhores de sempre Fonte: Nazionale Calcio
Maradona é um dos melhores de sempre
Fonte: Nazionale Calcio

No entanto, a seleção Argentina também estava sedenta. Queria glória e Maradona desejava abraçar-se à multidão em Buenos Aires. Chegou o Campeonato do Mundo de 1986. Bilardo configurou uma equipa entorna ao superstar Maradona. Não falhou. Segundo a ideia ou visão do próprio mago, realizou durante este campeonato o melhor jogo da sua vida. Trata-se do enfrentamento com o mais que rival Uruguai onde brilhava um príncipe: Francescoli. Chegou, então, o grande duelo: Argentina-Inglaterra. As rarezas eram grandes e México segou todas as possibilidades de enfrentamentos. A Guerra das Malvinas era passado, mas, estava presente.  Maradona marcou dois golos que ficaram para sempre. O primeiro foi a famosa “Mano de Dios”; superou Peter Shilton com um toque com o punho; foi um lindo chapéu. Mais tarde, reclamou a “querida”; recebeu; engana de direção o primeiro marcador; veio o segundo e foi para além; veio o terceiro e comeu finta; veio o quarto e perguntou onde estava o mago; Peter Shilton saiu com todas as intenções; Maradona, utilizando o pé-luva, tocou; enviou; meteu a bola no fundo das redes. Acabava de marcar o golo do século. O delírio começou no México e acabou nos confins do Planeta. Veio, então, a Alemanha, mas, esta Argentina estava feita para ganhar e Maradona levantou a Taça do Mundo.

A título pessoal tem todos os prémios e considerações havidas e por haver. É o grande rival, para os Mídea, de Pelé; mas, para mim e com toda a humildade do mundo, é o grande parceiro de Garrincha no pódio das considerações e qualificações. Maradona poderá ter outro camarada no Olimpo futebolístico, mas, tal como Garrincha, não terá nunca alguém no degrau superior porque não existe. Os anos 80-90 foram escritos com os seus versos.

Foto de Capa: Nazionale Calcio

José Luís Montero
José Luís Montero
Poeta de profissão, José simpatiza com o Oriental e com o Sangalhos.                                                                                                                                                 O José não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Carolina Correia e o espaço na seleção: «Tenho de aproveitar as oportunidades que me são dadas e estou muito feliz»

Carolina Correia foi distinguida com o Prémio Talento do Mês Bola na Rede. Defesa do Torreense falou na seleção nacional.

Carolina Correia faz balanço da época do Torreense: «Queremos continuar a alcançar feitos inéditos»

Carolina Correia foi distinguida com o Prémio Talento do Mês Bola na Rede. Defesa do Torreense falou na época do conjunto de Torres Vedras.

Arsenal sofre baixa importante após final da Taça da Liga Inglesa

William Saliba, defesa-central do Arsenal, sofreu uma lesão no tornozelo e vai falhar os próximos compromissos da Seleção da França.

Mikel Arteta e a derrota na final da Taça da Liga Inglesa: «É um dia muito triste»

Mikel Arteta analisou o desfecho do Arsenal x Manchester City. Gunners perderam por 2-0 na final da Taça da Liga Inglesa.

PUB

Mais Artigos Populares

Pep Guardiola e a conquista do Manchester City: «5 Taças da Liga em 10 anos não é mau»

O Manchester City conquistou a Taça da Liga Inglesa e Pep Guardiola já reagiu. Técnico espanhol deixou ainda elogios a Nico O'Reilly.

Tiago Teixeira elogia a época dos leões: «O Sporting tem um excelente treinador e equipa técnica»

Tiago Teixeira foi entrevistado pelo Bola na Rede. O técnico fez a avaliação da temporada do Sporting e anteviu duelo contra o Arsenal.

Sporting volta aos treinos na quarta-feira depois de 2 dias de folga

O Sporting regressa aos treinos na quarta-feira depois de dois dias de folga. Será realizada a pausa internacional nos próximos dias.