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O Passado Também Chuta: Fabio Cannavaro

Miguel Simões · 3 min

Fabio Cannavaro
Foto: Nazionali Italiane

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Falar dos melhores centrais da História do futebol e não incluir o nome de Fabio Cannavaro na conversa, é quase como visitar Paris e não ver a Torre Eiffel: até pode vir a ser possível, mas simplesmente não faz sentido. Este é daqueles que jogadores que não se esquece. Seja agora, seja daqui a 20 anos. Ficou na História e jamais sairá dela.

Não foi pela força dos números. Foi pelo sentido posicional e elevado grau de presença quando assim se exigia! Cannavaro atuou como defesa central entre 1990 e 2011 e, a cinco anos do fim de carreira, tornar-se-ia o primeiro defesa a ser eleito como melhor jogador do mundo, mesmo numa altura em que jogadores como Ronaldinho e Zidane continuavam a dar cartas.

Se os grandes jogadores se fizessem só de golos e assistências, dificilmente poderíamos recordar nomes de defesas ou até de médios. Duas décadas de carreira, duas dezenas de golos em 828 jogos. São estes os números do italiano que abrilhantou todos os campos por onde passou.

Após um início de carreira em Nápoles (cidade onde nasceu), o atleta transferiu-se para o Parma FC em 1995, clube onde passaria mais tempo na sua carreira – sete épocas para ser mais concreto. Conquistou títulos, foi eleito melhor defesa do campeonato italiano e ainda alcançou a braçadeira de capitão de equipa, até que se mudou para o Inter de Milão por duas temporadas. Infelizes, por sinal.

Em 2004, foi contratado pela Juventus FC e, em apenas duas épocas, marcaria quase metade dos golos que fez durante toda a carreira, deixando uma marca muito forte no emblema de Turim, que desceria de divisão na sequência do célebre escândalo de corrupção. Contudo, precisamente nessa época, Fabio Cannavaro – enquanto capitão da sua seleção – ergueria o quarto título de campeão mundial da Itália no Mundial 2006 (Alemanha), numa competição onde, além de ter sido totalista absoluto… Não viu nenhum cartão. Algo que se revelou letal na atribuição do prémio da FIFA de Melhor Jogador do Mundo.

2006 seria também o ano de mudar de território, com uma transferência para o Real Madrid. Os anos avançaram, a idade não perdoou e o rendimento foi descendo gradualmente. Foi para Espanha com 32 anos, conquistou títulos, marcou apenas um golo e regressou a Turim já com 35. Pelo meio, uma lesão que o tirou do Europeu de 2008 deixaria marcas claras no que restava da carreira de Cannavaro.

E se é verdade que 2006 tinha sido um ano de sonho para todo os italianos, 2010 acabou  por ser exatamente o oposto, naquela que foi a última participação do defesa numa grande competição internacional. Sendo ainda relevante recordar que o segundo e último golo de Cannavaro pela camisola da seleção italiana foi precisamente na vitória por 3×1 diante da seleção portuguesa.

A nova passagem pela Juventus foi apenas de um ano e Cannavaro terminaria a sua viagem enquanto jogador no campeonato dos Emirados Árabes Unidos, representando o Al Ahli, com a contribuição de dois golos em 16 jogos. Uma despedida não muito à altura daquilo que tinha sido a grande carreira do futebolista.

E, no meio disto tudo, há uma questão que impera: Quem é que disse que um bom central tem, obrigatoriamente, de ser alto? A altura de Fabio Cannavaro fala por si. Com apenas 1,76 metros de altura, o atleta até podia acabar por pecar no jogo aéreo, mas revelava-se imperial em muitas outras ocasiões onde um central é chamado a intervir.

Claro que estamos perante um  jogador que viu muitos amarelos ao longo da sua carreira, cometeu várias grandes penalidades e foi expulso por diversas ocasiões. Para um central, o surpreendente seria se nada disto acontecesse. No entanto, atributos como a velocidade, a qualidade de marcação, o posicionamento em campo, a visão de jogo, o momento de interceção, a assertividade no passe e, claro, a experiência… Foram a chave para explicar todo o sucesso do central italiano no mundo do futebol.

Sucesso esse que Fabio Cannavaro quer repetir, agora na pele de treinador, andando a tentar a sua sorte em campeonatos bem longe dos europeus. Na sua curta carreira enquanto técnico, já conquistou campeonatos na China e até uma Liga dos Campeões Asiática, comandando o Guangzhou Evergrande, atualmente. Mas uma coisa é certa: o êxito enquanto atleta já ninguém lho tira.

Artigo revisto por Joana Mendes

Miguel Simões

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