O Passado Também Chuta: GD Fabril

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o passado tambem chuta

Nos dias de hoje, na luta contra os chamados três grandes do nosso futebol temos, como nomes mais fortes, o Sporting de Braga e o Vitória de Guimarães. Anteriormente, nos anos 80, 90 e 2000, havíamos tido o Boavista, que acabou por vencer vários títulos entre os quais o de campeão nacional por uma ocasião. Olhando para o passado, houve outrora outros clubes que lutaram para fazer frente a este monopólio dos grandes, sendo que alguns deles entretanto foram desaparecendo da alta-roda do futebol nacional.

Entre estes nomes, e olhando principalmente para os anos 60 e 70 do século passado, encontramos a CUF, nos dias de hoje Grupo Desportivo Fabril do Barreiro. O clube do Barreiro surgiu através do desejo do gestor da Companhia União Fabril, império da indústria nacional naquela altura. Alfredo da Silva arquitetou um clube, fundado em 1937 com o objetivo de chegar ao topo do desporto nacional, não apenas no futebol mas em variadas modalidades onde conquistaram títulos, entre as quais o atletismo, o Hóquei em Patins (onde conseguiu sagrar-se campeão nacional) e o ciclismo (onde conquistou a Volta a Portugal).

No que ao futebol diz respeito, o clube estreou-se no principal escalão na temporada de 1941/1942, sendo que foi despromovida nesse mesmo ano. Em 1953/1954 a CUF volta a vencer o segundo escalão e a garantir a subida à primeira divisão, onde conseguiu cimentar-se e de onde apenas voltou a sair na época 1975/1976. Nestes 22 anos primodivisionários, a CUF conseguiu acabar por duas vezes classificado em 4.º lugar e por uma vez logrou alcançar o pódio (3.º classificado em 1964/1965). O seu estádio, primeiramente o Campo Santa Barbara e depois de 65/66 o Estádio Alfredo da Silva, tornou-se tradicionalmente difícil para os grandes, que tinham sempre enormes dificuldades em sair do Barreiro com um resultado positivo.

Fonte: Allaboutportugal.pt
Estádio Alfredo da Silva
Fonte: Allaboutportugal.pt

Este recinto é ainda nos dias de hoje um dos estádios portugueses com maior lotação, tendo capacidade para cerca de 22 mil espetadores. Um dos momentos altos vividos no mesmo, com um grande número de espetadores nas bancadas, foi a receção ao AC Milan na época de 65/66. Na segunda ronda da Taça das Cidades com Feiras (atual Liga Europa), a CUF alcançou uma vitória por duas bolas a zero. No que toca a brilharetes europeus, o clube do Barreiro sagrou-se na época de1974 num dos clubes vencedores da Taça Intertoto. No entanto o ano de 1974 teria um grande impacto na vida futura do clube. Com a revolução do 25 de Abril, os governos que se seguiram procederam à nacionalização da empresa, o que levou ao seu enfraquecimento e desmembramento. A queda económica do grupo conduziu a uma redução de investimento no clube, que na época de 75/76 viria a ser despromovida à Segunda Liga.

Fonte: louro.blogs.sapo.pt
Plantel da CUF nos anos 70
Fonte: louro.blogs.sapo.pt

A partir daqui foi sempre a descer, descendo na época de 1991/1992 aos escalões distritais. O clube que entretanto tinha alterado a sua denominação para Grupo Desportivo Quimigal, no ano de 2000 passou a designar-se por Grupo Desportivo Fabril. Neste novo século o Fabril tem disputado os campeonatos distritais, com algumas subidas ao nacional mas sem capacidade para se manter nesse patamar. Uma vida bem diferente, para este clube que ainda é hoje em dia o 16.º classificado se formos a ter em conta a totalidade dos pontos conquistados em toda a história do primeiro escalão. É portanto um gigante adormecido nos distritais, e um exemplo da importância do investimento empresarial na sobrevivência dos clubes.

Foto de Capa: GD Fabril

artigo revisto por: Ana Ferreira 

David Vinagreiro
David Vinagreirohttp://www.bolanarede.pt
O David é um apaixonado pelo futebol desde criança, o que o levou a seguir o estudo do desporto por via académica com o sonho de se tornar treinador. Paralelamente, sempre teve gosto pela leitura e pela escrita, pelo que juntar o prazer da escrita com a paixão pelo futebol acabou por ser um processo natural.                                                                                                                                                 O David escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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