Publicidade

O Passado Também Chuta: GD Fabril

David Vinagreiro · 3 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

o passado tambem chuta

Nos dias de hoje, na luta contra os chamados três grandes do nosso futebol temos, como nomes mais fortes, o Sporting de Braga e o Vitória de Guimarães. Anteriormente, nos anos 80, 90 e 2000, havíamos tido o Boavista, que acabou por vencer vários títulos entre os quais o de campeão nacional por uma ocasião. Olhando para o passado, houve outrora outros clubes que lutaram para fazer frente a este monopólio dos grandes, sendo que alguns deles entretanto foram desaparecendo da alta-roda do futebol nacional.

Entre estes nomes, e olhando principalmente para os anos 60 e 70 do século passado, encontramos a CUF, nos dias de hoje Grupo Desportivo Fabril do Barreiro. O clube do Barreiro surgiu através do desejo do gestor da Companhia União Fabril, império da indústria nacional naquela altura. Alfredo da Silva arquitetou um clube, fundado em 1937 com o objetivo de chegar ao topo do desporto nacional, não apenas no futebol mas em variadas modalidades onde conquistaram títulos, entre as quais o atletismo, o Hóquei em Patins (onde conseguiu sagrar-se campeão nacional) e o ciclismo (onde conquistou a Volta a Portugal).

No que ao futebol diz respeito, o clube estreou-se no principal escalão na temporada de 1941/1942, sendo que foi despromovida nesse mesmo ano. Em 1953/1954 a CUF volta a vencer o segundo escalão e a garantir a subida à primeira divisão, onde conseguiu cimentar-se e de onde apenas voltou a sair na época 1975/1976. Nestes 22 anos primodivisionários, a CUF conseguiu acabar por duas vezes classificado em 4.º lugar e por uma vez logrou alcançar o pódio (3.º classificado em 1964/1965). O seu estádio, primeiramente o Campo Santa Barbara e depois de 65/66 o Estádio Alfredo da Silva, tornou-se tradicionalmente difícil para os grandes, que tinham sempre enormes dificuldades em sair do Barreiro com um resultado positivo.

Fonte: Allaboutportugal.pt
Estádio Alfredo da Silva
Fonte: Allaboutportugal.pt

Este recinto é ainda nos dias de hoje um dos estádios portugueses com maior lotação, tendo capacidade para cerca de 22 mil espetadores. Um dos momentos altos vividos no mesmo, com um grande número de espetadores nas bancadas, foi a receção ao AC Milan na época de 65/66. Na segunda ronda da Taça das Cidades com Feiras (atual Liga Europa), a CUF alcançou uma vitória por duas bolas a zero. No que toca a brilharetes europeus, o clube do Barreiro sagrou-se na época de1974 num dos clubes vencedores da Taça Intertoto. No entanto o ano de 1974 teria um grande impacto na vida futura do clube. Com a revolução do 25 de Abril, os governos que se seguiram procederam à nacionalização da empresa, o que levou ao seu enfraquecimento e desmembramento. A queda económica do grupo conduziu a uma redução de investimento no clube, que na época de 75/76 viria a ser despromovida à Segunda Liga.

Fonte: louro.blogs.sapo.pt
Plantel da CUF nos anos 70
Fonte: louro.blogs.sapo.pt

A partir daqui foi sempre a descer, descendo na época de 1991/1992 aos escalões distritais. O clube que entretanto tinha alterado a sua denominação para Grupo Desportivo Quimigal, no ano de 2000 passou a designar-se por Grupo Desportivo Fabril. Neste novo século o Fabril tem disputado os campeonatos distritais, com algumas subidas ao nacional mas sem capacidade para se manter nesse patamar. Uma vida bem diferente, para este clube que ainda é hoje em dia o 16.º classificado se formos a ter em conta a totalidade dos pontos conquistados em toda a história do primeiro escalão. É portanto um gigante adormecido nos distritais, e um exemplo da importância do investimento empresarial na sobrevivência dos clubes.

Foto de Capa: GD Fabril

artigo revisto por: Ana Ferreira 

David Vinagreiro

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Quatro pontos de distância, muito mais em jogo | Braga x Sporting

O Estádio Municipal de Braga recebe, esta sexta-feira, 9 de outubro, às 20h15, um dos encontros mais aguardados da oitava jornada da Primeira Liga portuguesa 26/27. Braga e Sporting estão separados por quatro pontos, num duelo que pode ter consequências importantes nas ambições das duas equipas. Os leões ocupam o terceiro lugar, com 15 pontos, ainda sem derrotas, mas já a seis do líder FC Porto. Os arsenalistas seguem na sexta posição, com 11 pontos e um jogo em atraso, procurando aproveitar o fator casa para se aproximar dos lugares cimeiros. A equipa de Carlos Vicens chega ao encontro depois de um empate sem golos diante do Santa Clara, numa temporada em que tem revelado consistência defensiva, mas também algumas dificuldades na concretização. Com apenas sete golos marcados em seis jornadas, o Braga apresenta números ofensivos modestos para as suas ambições. Do outro lado, o Sporting de Rui Borges continua invicto, mas os empates consecutivos frente a Famalicão e Arouca impediram os leões de acompanhar o ritmo do FC Porto. A formação leonina soma 17 golos em sete partidas, mas já consentiu oito, um indicador das dificuldades que tem sentido para controlar determinados momentos dos encontros.

Tiago Campos · 4 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.