O Passado Também Chuta: Néstor “Tito” Gonçalves

- Advertisement -

Existiram outros tempos; sempre existiram tempos diferentes. Cada dia que nasce é outro dia; outro tempo. A América do Sul era tal como hoje uma potência futebolística. Mas, era diferente porque estava cheia de clubes que discutiam a hegemonia intercontinental com os grandes clubes de Europa. O Brasil além do Santos de Coutinho, Pelé e Pepe, tinha um Botafogo majestoso, um Flamengo ou um Fluminense encabritados ou um Vasco da Gama que marcava presença assídua na Europa. A Argentina mostrava quem eram os Estudiantes de la Plata, o Boca ou River e o Uruguai vivia o apogeu do histórico Peñarol de Montevideo. A bola entre a década dos 50 e dos 60 do século passado era muito mais redonda…

O Peñarol no seu peregrinar através do êxito, teve na posição chave de médio defensivo um dos grandes médios de sempre: Néstor “Tito” Gonçalves. Jogou seis finais da Taça Libertadores. Não há mais; é o único. Ganhou uma Taça Intercontinental em Madrid e ao Real Madrid. Ganhou outra Taça Intercontinental ao grande Benfica de Costa Pereira, Germano e José Águas.  Foi oito vezes campeão do Uruguai, é um mito. Tal como o grande Germano evolucionava no campo de uma forma suave, mas, com grande sentido estratégico, tático e visão de jogo.

Formou parte do quinquénio de ouro ao ganhar três Taças Libertadores e duas Taças Intercontinentais.  Foi contemporâneo de um enorme médio defensivo sul-americano do  Boca Juniores chamado António Rattín. Os grandes clubes tentaram-no, mas, soube dizer não ao Real Madrid e ao River Plate argentino. O Peñarol soube colocá-lo no pedestal de mito e o seu nome está associado a várias iniciativas estruturais do clube.

Néstor “Tito” Gonçalves com a Taça Intercontinental
Fonte: futbol.com.uy

Não foi em vão que iniciei esta crónica ao afirmar que a bola nessas décadas pretéritas era mais redonda. Existiam clubes em Europa poderosíssimos, no entanto, a América do Sul, além de exportar craques como Di Stéfano, Rial ou Santamaría, mantinha no seu seio equipas super competitivas. As Taças Intercontinentais podiam cair de um lado ou outro do Atlântico.

Essas décadas dos 50-60 do século passado viram desaparecer duas equipas míticas: Manchester United e Torino. Viu aparecer como um vulcão em erupção o Real Madrid, o Barcelona, o Benfica ou o Inter de Milão mas a América do Sul não temia, lutava, jogava e vencia. Hoje, a bola parece quadrada e as vitórias são lugar comum associadas a certas equipas europeias.

Foto de Capa: Ovacion Digital

Artigo revisto por: Jorge Neves

José Luís Montero
José Luís Montero
Poeta de profissão, José simpatiza com o Oriental e com o Sangalhos.                                                                                                                                                 O José não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

João Cancelo quer continuar no Barcelona e Jorge Mendes já trabalha em possíveis soluções

João Cancelo pretende continuar no Barcelona para além do empréstimo. O seu agente, Jorge Mendes, já procura por soluções para concretizar o seu desejo.

Adeptos mexicanos planeiam homenagem a Cristiano Ronaldo e Diogo Jota

Adeptos mexicanos criaram uma iniciativa de homenagens a Cristiano Ronaldo, Raúl Jiménez e Diogo Jota. Cânticos e aplausos serão soados aos minutos 7', 9' e 20'.

Confirmado: Portugal afastado do Mundial Sub-17 e impedido de revalidar o título

Depois de falhar o apuramento para o Europeu Sub-17, Portugal também não foi capaz de se apurar para o Mundial no qual defenderiam o título.

João Diogo Manteigas responde a comentários de André Villas-Boas: «Quem foi condenado foi o FC Porto»

João Diogo Manteigas reagiu aos comentários do presidente do FC Porto, André Villas-Boas sobre o caso dos e-mails.

PUB

Mais Artigos Populares

Roberto Martínez e a geração inspirada por Cristiano Ronaldo: «Entra-se num elevador e a conversa é sobre o tempo ou sobre o Ronaldo»

Roberto Martínez falou sobre a importância de Cristiano Ronaldo para esta geração de jogadores portugueses, assim como o seu papel na Seleção Nacional.

Roberto Martínez e o sonho de conquistar o Mundial 2026: «Se as pessoas pensam que esta equipa pode ir longe, vamos em frente com...

Em declarações ao The Guardian, o selecionador nacional, Roberto Martínez, abordou o sonho de Portugal conquistar o Mundial 2026.

Imanol Idiakez em exclusivo ao Bola na Rede: «Yeremay Hernández podia estar em qualquer equipa de Espanha, Itália, Portugal… de qualquer país»

Imanol Idiakez orientou Yeremay Hernández no Deportivo de La Coruña e esteve à conversa com o Bola na Rede.