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O Passado também Chuta: Osvaldo Silva

José Luís Montero · 3 min

O Passado também Chuta: Osvaldo Silva

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o passado tambem chuta

Muitas vezes esquecemo-nos de jogadores que marcaram e determinaram grandes feitos sem nos aperceber. Evidentemente não foram o todo, mas, esse todo, essa equipa, não seria nada sem a sua presença. O Sporting e o Leixões (o FC Porto também, no entanto, a sua passagem pelo Porto foi um bocado efémera.) tiveram e disfrutaram dum jogador que era esse tipo de jogador faísca que transforma uma boa equipa numa grande equipa. Era brasileiro e despontara no América. O FCP foi buscá-lo, no entanto, depois de dois anos e de defender o treinador, foi parar ao Leixões. O clube de Matosinhos tinha uma belíssima equipa. No seu plantel tinha dois jovens que depois triunfaram no Benfica. Chamavam-se Jacinto e Raul. Jacinto foi um jogador primoroso, capaz de jogar como defesa e no meio- campo; marcava faltas como só os grandes as marcam. No entanto, no meio desse grupo estava o tal jogador que transforma uma boa equipa numa grande equipa. O seu nome era Osvaldo Silva.

Este Leixões foi mágico e foi campeão, como costumam ser as grandes equipas: ganhou uma Taça de Portugal no Estádio das Antas, comendo as tripas ao FCP. Osvaldo Silva deixou a sua marca e o seu golo. Falou-se da grande vingança de Osvaldo Silva. Estávamos na época do grande Benfica; a década dos 60 começara e o Sporting precisava de se reforçar e chamou-o. Osvaldo Silva chegou ao Sporting com 28 anos. O clube de Alvalade tinha grandes jogadores; se pensarmos no Fernando Mendes, no Alexandre Baptista ou no Hilário estamos a pensar e a recordar craques de primeira ordem mundial. Faltava-lhe o jogador faísca, e Osvaldo Silva, com 28 anos, tinha a faísca e a maturidade.

Mas, depois de conquistar a Taça de Portugal de 1963, o Sporting disputou a Taça das Taças de 1964. Esta competição estava cheia de grandes equipas e de magníficos jogadores. O clube de Alvalade teve que enfrentar o temível Manchester United de Denis Law e George Best. Foi a Inglaterra e perdeu. Perdeu mal e de forma avultada. O Sporting tinha que fazer uma goleada histórica em Alvalade. O jogo começou. Osvaldo Silva estava em campo e também estava o Mascarenhas e todos os craques que conformavam aquela equipa. O jogador faísca estava em dia sim; estava cheio de magia e vontade. Marcou três golos, um de falta, e o Sporting derrotou o colosso Manchester United por 5-1. Chegaram as meias-finais e desta vez tocou o Lyon. Nesta equipa jogavam dois craques temíveis, bem conhecidos dos jogadores portugueses pelos confrontos entre as seleções militares; chamavam-se: Di Nallo e Combin. O Sporting emperrou em Lyon e em Alvalade o Combin fez-lhe um chapéu ao Carvalho que deixou o Estádio gelado. O Sporting, na segunda-parte, conseguiu empatar. Jogaram o desempate em Madrid no velho campo do Atlético de Madrid. Osvaldo Silva inventou um remate à meia volta que congelou a vontade dos franceses.

Osvaldo Silva com a camisola do Sporting Fonte: tesouroverde.blogspot.com
Osvaldo Silva com a camisola do Sporting
Fonte: tesouroverde.blogspot.com

Era dia da final. Pela frente estava o MTK, uma das equipas representativas do futebol magiar (húngaro). A luta foi travada. Chegou um canto e o magriço Moraes pegou na bola; beijou-a; acomodou-a e lançou o canto… Golo Olímpico! Golo de canto! O Sporting acabava de fazer história. O jogador faísca, no meio daqueles craques, era Campeão da Taça das Taças.

Osvaldo Silva era um jogador de meio-campo. Tinha finta; técnica; tática e génio. Além disso, goleava e goleava com arte. Infelizmente, já não está no mundo dos vivos. Faleceu em 2002; mas perdura na História do Leixões; do Sporting e na mente dos amantes do bom futebol.

Foto de capa: sporting.pt

José Luís Montero

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